Maringá já proibia as bisnagas; 25 anos depois São Paulo adota a mesma regra

Lei de 2001 impede o uso de embalagens recarregáveis para molhos em estabelecimentos da cidadeUma regra que existe em Maringá há 25 anos começa agora a valer em todo o Estado de São Paulo.
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A partir de 4 de outubro, restaurantes, bares, lanchonetes, padarias e outros estabelecimentos paulistas não poderão mais oferecer ketchup, maionese, mostarda e outros molhos em bisnagas ou recipientes reutilizáveis.

A determinação está na Portaria CVS nº 3/2026, do Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo.

O artigo 75 estabelece que condimentos, molhos e temperos oferecidos para sanduíches, salgados e similares devem ser disponibilizados em embalagens individuais de uso único.

A justificativa é sanitária. A regra busca reduzir riscos de contaminação associados ao uso compartilhado de recipientes por diferentes consumidores.

Em Maringá, entretanto, essa preocupação é antiga.

A Lei Municipal nº 5.443, de 24 de agosto de 2001, promulgada pelo então presidente da Câmara Municipal de Maringá, Walter Guerlles já proibia que restaurantes, bares, lanchonetes, carrinhos de cachorro-quente e outros estabelecimentos servissem maionese, ketchup, mostarda e outros condimentos em sacos plásticos ou embalagens que permitam recarga, incluindo bisnagas e vidros.

A legislação maringaense também estabeleceu regras específicas para alimentos que contenham ovo cru, especialmente molhos caseiros ou artesanais, como maionese.

Ou seja: quando São Paulo começar a fiscalizar a nova regra, Maringá já terá 25 anos de experiência com uma legislação semelhante.

Há, porém, uma diferença importante.

Em Maringá, a proibição foi estabelecida por uma lei municipal.

Em São Paulo, a nova determinação é estadual e passa a atingir os estabelecimentos dos 645 municípios paulistas.

Também não há, até o momento, informação oficial de que São Paulo tenha adotado a regra por inspiração direta na legislação de Maringá.

O que existe é uma coincidência importante: duas cidades e, agora, dois sistemas de fiscalização sanitária adotando o mesmo princípio — substituir recipientes de uso coletivo por embalagens individuais.

A mudança paulista também terá impacto econômico.

A embalagem individual tende a aumentar o consumo de plástico e pode elevar o custo dos molhos para os estabelecimentos. A Abrasel-SP já pediu mais prazo para adaptação e a criação de um grupo de trabalho sobre a mudança.

Para o consumidor, a mudança será simples: acabou a bisnaga sobre a mesa.

Para Maringá, a notícia tem outro significado.

Uma regra criada na cidade em 2001 passa a fazer parte, 25 anos depois, da rotina sanitária de todo o Estado de São Paulo.