O Brasil produziu 36,68 bilhões de litros de leite em 2025, o maior volume da série histórica. Foram 962,1 milhões de litros a mais que em 2024, crescimento de 2,7%.
A captação feita pelos laticínios também bateu recorde: 27,51 bilhões de litros, alta de 8,5% sobre 2024.
Mesmo assim, o consumidor não viu uma queda proporcional no preço do leite.
A explicação começa pela diferença entre produção e oferta disponível no mercado em cada momento.
O recorde divulgado pelo IBGE é referente a 2025. Em 2026, o comportamento da captação mudou.
Segundo o Cepea-Centro de Estudos Avançados de economia aplicada, a captação acumulava queda de 9,3% no ano até julho. Em julho, houve recuperação de 2,38% em relação a junho, mas o volume acumulado continuava abaixo do registrado anteriormente.
O preço pago ao produtor também voltou a subir.
Em julho, o valor médio nacional do leite cru captado pelos laticínios chegou a R$ 2,8761 por litro, alta real de 4,96% em relação a julho de 2025. No Paraná, a média foi de R$ 2,8989.
Isso ajuda a explicar por que o preço na prateleira não acompanha automaticamente o recorde de produção.
Entre o produtor e o consumidor existem laticínios, transporte refrigerado, processamento, embalagens, distribuição, impostos, perdas e margem do comércio.
Além disso, o leite não é vendido apenas como leite líquido. Parte da produção é transformada em queijo, leite em pó, manteiga, iogurte e outros derivados. Cada mercado possui comportamento próprio.
Outro fator é a demanda.
O Cepea aponta que a procura por leite UHT ajudou a sustentar os preços em julho, mesmo diante de estoques considerados confortáveis.
Há, porém, uma possível mudança no horizonte.
O próprio Cepea indica que o cenário aponta para recuo dos preços nos próximos meses, caso a oferta continue se recuperando.
Ou seja: o recorde de produção existiu, mas ele não significa que o consumidor terá leite barato automaticamente.
O mercado precisa ter oferta suficiente no momento da compra, demanda compatível e redução dos custos ao longo da cadeia.
A contradição, portanto, é apenas aparente.
O Brasil pode produzir mais leite do que nunca e, ainda assim, o preço no supermercado permanecer elevado.
A pergunta agora é outra: se a oferta continuar aumentando nos próximos meses, quanto dessa queda chegará efetivamente ao consumidor?











