“O poder é do povo”: Reginaldo Dias ressalta importância de conhecer candidatos e fiscalizá-los após eleitos

Professor de História da UEM destaca participação popular para além do voto e defende acompanhamento dos representantes durante os mandatos
Sociólogo Reginaldo Dias comenta a importância do voto consciente. Foto: reprodução
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Com a aproximação das eleições, o debate sobre voto consciente também passa pela participação do eleitor antes e depois da votação. Para o professor de História da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Reginaldo Benedito Dias, conhecer os candidatos, seus históricos e compromissos públicos é parte do processo de escolha, mas a participação política não deve terminar no dia da eleição.

Professor associado do Departamento de História da UEM, Dias tem atuação nas áreas de História do Brasil República, história política, movimentos sociais, movimento estudantil e história local.

Ao falar sobre as eleições, o professor destaca o princípio da soberania popular previsto na Constituição Federal de 1988. O artigo 1º estabelece que “todo o poder emana do povo”, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos da Constituição.

“Tradicionalmente, as constituições começavam com o princípio de que todo poder emana do povo e em seu nome será exercido. É o princípio da democracia representativa. A Constituição de 1988 ampliou, porque ela prevê que todo poder emana do povo e com o povo será exercido”, afirma.

Conhecer antes de escolher

Para Dias, o eleitor precisa considerar mais do que a exposição dos candidatos durante o período eleitoral. Ele aponta a importância de conhecer a trajetória e as propostas de quem disputa os cargos.

“Por isso é importante escolher bem os candidatos, conhecer a biografia, conhecer o programa de ação deles, os compromissos públicos que eles mantêm e assumem”, afirma.

A participação popular, segundo o professor, está diretamente relacionada ao modelo de democracia representativa. Ao votar, o cidadão transfere aos representantes a responsabilidade de exercer determinadas funções políticas, mas continua tendo papel no acompanhamento das decisões.

Participação não termina na urna

Na avaliação de Dias, a relação entre eleitor e representante não deve ser interrompida depois da apuração dos votos. O cidadão também pode participar da política por meio dos mecanismos existentes para acompanhar e influenciar as decisões dos eleitos.

“Além de eleger os nossos representantes, a gente tem que continuar participando da política para compartilhar com eles as decisões e o poder que nós transferimos a eles pelos votos”, explica.

O professor defende ainda que a fiscalização dos eleitos seja contínua durante os mandatos.

“Principalmente, depois de eleitos, a gente tem de participar continuamente da política, fiscalizando os eleitos e compartilhando dos mecanismos existentes para poder influenciar as decisões deles”, afirma.

A ideia é que o eleitor acompanhe a atuação dos representantes escolhidos e não limite sua participação política ao momento da votação. O acompanhamento pode envolver a observação das decisões tomadas, dos compromissos assumidos durante a campanha e da atuação dos eleitos ao longo do mandato.

O poder continua com o povo

Para Dias, a eleição representa uma etapa da participação democrática, e não o encerramento dela. O voto permite a escolha dos representantes, mas a soberania popular também envolve a continuidade da participação cidadã.

“Então, no domingo vamos votar e depois vamos continuar fazendo política, porque o poder é do povo”, conclui.

Maringá Post nas eleições

Neste domingo (04) acontecem as eleições de 2026 em todo o país. Diante deste contexto, o portal reuniu especialistas para conscientizar leitores e população geral da importância do voto consciente.

De segunda (28) até sexta (02), o portal está publicando vídeos e reportagens sobre o assunto. Já no dia da votação, o portal fará uma cobertura especial.

 No dia 28, o sociólogo Joel Cavalcante mostrou como o voto afetivo e o personalismo ainda marcam as escolhas políticas no Brasil. 

Já no dia 29, a advogada e jornalista  Alana Gazoli explicou como a tecnologia amplia ferramentas para o eleitor pesquisar candidatos antes das eleições. 

A operação no dia 04 de outubro contará com reportagens em tempo real no site, bastidores nas redes sociais e uma live especial em vídeo no YouTube, cobrindo a escolha para os cargos de governador, senador, deputados federais e estaduais, além da disputa para a Presidência da República.