Historicamente, as cadeiras da Câmara Municipal de Maringá são ocupadas por homens. Entre 2017 e 2026, apenas 13,6% do Legislativo têm representação feminina. Apesar da baixa presença das mulheres, neste intervalo de tempo, episódios de cassação e de processo de cassação da Casa envolveram vereadoras.
Em 2025, Cris Lauer (Novo) se tornou a primeira legisladora a perder o mandato por decisão do plenário. Menos de um ano depois, a vereadora Professora Ana Lúcia (PDT) passou a responder a uma Comissão Processante (CP), tornando-se a segunda mulher a figurar em um processo que pode resultar na perda do mandato.
38 homens, seis mulheres
Um levantamento realizado pelo Maringá Post, com base em dados da Câmara de Maringá, mostra que, entre 2017 e 2026, 44 vereadores diferentes ocuparam cadeiras no Legislativo Municipal.
Na legislatura de 2017 a 2020, havia apenas uma mulher entre os 19 parlamentares. O número passou para duas na legislatura seguinte e chegou a cinco na atual, considerando todos os vereadores que já passaram pela Casa desde o início do mandato.
Embora a participação feminina tenha aumentado ao longo dos últimos anos, as mulheres continuam sendo minoria no Legislativo maringaense. Ainda assim, elas aparecem nos dois episódios mais recentes relacionados à cassação registrados na história da Câmara.
Da primeira cassação à Comissão Processante de 2026
Até 2025, a Câmara de Maringá nunca havia cassado o mandato de um vereador. O primeiro caso ocorreu com Cris Lauer, que perdeu o cargo, após decisão do plenário. Agora, a Comissão Processante (CP) contra a Professora Ana Lúcia marca o mais um processo de cassação da história do Legislativo maringaense.
A CP foi instaurada após denúncia apresentada por um ex-assessor da parlamentar. No documento, ele afirma ter sofrido assédio moral e alega que a vereadora teria tentado obrigá-lo a realizar contribuições financeiras ao Partido. Ana Lúcia nega as acusações.
Em vídeo publicado nas redes sociais após a abertura da Comissão Processante, a vereadora afirmou que as cobranças direcionadas ao ex-assessor diziam respeito exclusivamente ao desempenho das funções deles. Ela também classificou o processo como perseguição política e sustentou não haver fundamento legal para a instauração da comissão.
Na quarta-feira (2), a Câmara aprovou, por 13 votos a 7, a abertura da Comissão Processante. O colegiado será responsável por analisar a denúncia, reunir documentos, ouvir testemunhas e garantir o direito de defesa da parlamentar, antes da elaboração do parecer final. Ao término dos trabalhos, a comissão poderá recomendar o arquivamento da denúncia ou a cassação do mandato, decisão que caberá ao plenário.




















