Ex-assessor denuncia vereadora de Maringá por suposto assédio moral e prática de ‘rachadinha’

Um ex-assessor parlamentar da vereadora Professora Ana Lúcia (PDT) registrou, nesta semana, uma denúncia na ouvidoria da Câmara de Maringá contra a agora ex-patroa, a acusando de assédio moral e possível prática de ‘rachadinha’. O profissional, que atuava como gestor de mídias sociais da parlamentar, teve a exoneração confirmada nesta semana.

A Câmara Municipal confirmou oficialmente, por meio de nota oficial, o recebimento da denúncia. De acordo com o legislativo, o requerente solicitou um pedido de sigilo das informações que constam na denúncia. O documento, conforme a Câmara, será encaminhado “aos setores competentes para análise técnica e jurídica”. A Casa de Leis também confirmou que a vereadora “será formalmente comunicada sobre os encaminhamentos cabíveis após a conclusão da análise interna, observados o Regimento Interno desta Casa e a legislação vigente”.

O conteúdo da denúncia não foi tornado público oficialmente. Procurada pela reportagem, Ana Lúcia afirmou que ainda não teve acesso aos documentos. O Maringá Post também tentou contato com o ex-assessor, mas não teve retorno até o fechamento desta publicação.

Por meio de nota oficial enviada à imprensa, a defesa da vereadora classificou as acusações como “falsas” e afirmou que os conteúdos configuram como “ataques à honra” da parlamentar. Leia a nota na íntegra:

“A assessoria jurídica da vereadora Professora Ana Lúcia vem a público esclarecer que, até o presente momento, não teve acesso a qualquer denúncia protocolada junto aos órgãos competentes, causando profunda estranheza que alegações dessa natureza sejam difundidas em canais de imprensa e redes sociais antes mesmo de serem submetidas ao devido processo legal. Tal prática sugere uma clara tentativa de desgaste político e de antecipação de um julgamento público sem qualquer base em provas concretas.

Negamos veementemente a prática de “rachadinha” ou a existência de qualquer benefício pessoal da parlamentar sobre vencimentos de assessores. O termo, utilizado de forma maliciosa, pressupõe o desvio de verbas públicas para o patrimônio particular do agente político, o que jamais ocorreu, uma vez que a conduta da parlamentar sempre foi pautada pela ética e pelo estrito cumprimento da legalidade no exercício de seu mandato.

Quanto à acusação de assédio moral, esta é igualmente improcedente e destituída de fundamento. O desligamento do ex-assessor decorreu do exercício legítimo do poder discricionário de exoneração, inerente aos cargos de confiança, motivado por critérios técnicos e pela quebra de confiança necessária para a continuidade do trabalho no gabinete.

Diante da gravidade das falsas acusações e dos ataques à honra da parlamentar, informamos que já estão sendo adotadas as medidas cabíveis, de natureza judicial ou não.

A parlamentar permanece à disposição das autoridades e confia que a justiça restabelecerá a verdade dos fatos.”

Também conforme a defesa da parlamentar, um boletim de ocorrência foi registrado contra o ex-assessor nesta quarta (6), em face da suposta falsidade das acusações.

//Atualizado às 19h30 para acréscimo de informação

Em nota enviada à imprensa, o ex-assessor afirmou que recebeu com preocupação as declarações divulgadas pelo gabinete da vereadora e sua repercussão. Segundo ele, as alegações não refletem a realidade dos fatos e o caso está sob segredo de justiça, o que limita manifestações públicas.

Ainda conforme a nota, ele afirma que informações já foram encaminhadas aos órgãos competentes e que sua manifestação ocorreu dentro de um direito legítimo, ao relatar fatos vivenciados durante o exercício da função no gabinete parlamentar. O ex-colaborador também nega qualquer envolvimento em práticas ilícitas e diz repudiar condutas ilegais.

Por fim, declarou não possuir vínculo político ou relação eleitoral em Maringá, afirmando que sua atuação sempre foi profissional, e disse confiar na apuração das autoridades.

Veja na íntegra

Recebi com preocupação as informações divulgadas por meio de nota oficial atribuída ao gabinete da vereadora Professora Ana Lúcia, bem como sua repercussão em alguns veículos de comunicação.

Esclareço que tais alegações não refletem a realidade dos fatos. Destaco, ainda, que os procedimentos em análise tramitam sob segredo de justiça perante as autoridades competentes, circunstância que, por si só, impede qualquer manifestação pública responsável acerca de seu conteúdo.

Ainda assim, a assessoria da parlamentar tem, de maneira irresponsável e com evidente viés político, disseminado conteúdos que tentam me vincular indevidamente aos fatos, promovendo julgamentos precipitados e exposição indevida da minha imagem.

Reforço que todas as informações e eventuais elementos já foram devidamente encaminhados aos órgãos competentes, que conduzem o caso dentro da legalidade e das garantias processuais.

Apresentei às autoridades competentes fatos vivenciados durante o exercício de meu cargo como assessor parlamentar no gabinete da vereadora Ana Lúcia Rodrigues, os quais merecem a devida apuração, exercendo direito legítimo assegurado pela Constituição Federal, especialmente no que se refere ao dever cívico de representação e à liberdade de expressão e informação.

Ressalto, de forma expressa, que não coaduno com quaisquer práticas ilícitas, repudiando toda e qualquer conduta incompatível com a legalidade, a ética e a moralidade pública.

Diante disso, considero importante que qualquer manifestação pública observe a responsabilidade necessária, especialmente para evitar interpretações equivocadas, exposição indevida ou tentativas de desvalorização da minha imagem profissional.

Não possuo vínculo político na cidade de Maringá, tampouco relação de natureza eleitoral. Minha atuação sempre foi estritamente profissional, com mais de 10 anos de experiência na área da publicidade, pautada pelo respeito, ética e compromisso com o trabalho.

Sigo à disposição para eventuais esclarecimentos, dentro dos limites legais impostos pelo sigilo dos procedimentos, e confio na apuração adequada pelas autoridades competentes.

Por fim, reafirmo meu compromisso com a verdade e com a preservação da minha trajetória profissional.