Quanta coisa eu quis te dizer naquela hora em que aqueles seus olhos grandes verdes me fitavam com incerteza. Você cantarolando um blues desconcertado no seu carro, contando sem empatia uma piada em espanhol. Meu velho pai.. como eu te quis por perto, mas o que tive foi só deserto.Eu que nunca desejei ter filhos e que despejei magoas em pessoas de bem que haviam em meu caminho que era prospero.daquele que antes somava benfeitorias tolerância e afeto. Ter um filho compensa a dor que deixaste? E você que me disseste “vá” e crie tua prole na ultima vez que nos vemos. Quero guardar tua lembrança como um homem ao ser roubado grita para ser reparado de seu pedaço que lhe fora retirado. Mas hoje meu velho pai, quem diz “vá” sou eu. Com todos os verbetes possíveis e verossimilhanças sarcásticas de outono.

Luiz Renato Vicente é acadêmico de Filosofia da UEM (Universidade Estadual de Maringá). Vencedor de duas Edições do Prêmio Melhor Leitor do Ano pela Rotary Club Internacional e Semuc. 2017 ( 2º lugar) e 2019 ( 1º lugar) na categoria adulto.

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