Trabalhador passa um mês preso por engano no Paraná após erro da Justiça

A confusão ocorreu porque o trabalhador paranaense tem o mesmo nome de um homem condenado por tráfico de drogas e homicídio em Mato Grosso.

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    Um erro na expedição de um mandado de prisão fez com que Darci Rodrigues de Lima, um trabalhador autônomo de 53 anos, passasse 30 dias preso injustamente em Prudentópolis (a cerca de 350 km de Maringá).

    A confusão ocorreu porque Darci tem o mesmo nome e sobrenome de um homem condenado por tráfico de drogas e homicídio em Mato Grosso. No entanto, ao emitir a ordem de prisão, o Tribunal de Justiça do estado inseriu equivocadamente os documentos e dados pessoais do trabalhador paranaense.

    A prisão aconteceu no dia 26 de fevereiro, quando Darci estava na rodoviária da cidade para tomar água durante o expediente. Ele foi abordado por policiais que deram ordem de prisão.

    Sem ter o telefone dos filhos decorado, Darci só conseguiu avisar a família 15 dias depois, quando escreveu um bilhete e entregou a uma visitante da cadeia pública de Prudentópolis. No recado, ele pediu que sua filha conseguisse um advogado para provar sua inocência.

    “Bom dia, minha filha, peço um favor de coração, ara você arrumar um advogado. Por favor filha, porque eu não devo nada, você sabe disso. Eu não quero ficar aqui sem eu dever. Eu saindo daqui, eu pago vocês. Deus abençoe filha, o pai ama vocês. Obrigado, filha”, dizia o bilhete.

    A situação chegou ao conhecimento do advogado Leonardo Alessi, que atendia outros presos na unidade. Ao analisar os documentos, ele percebeu a inconsistência nos dados do mandado e entrou com um pedido de habeas corpus na Justiça de Mato Grosso.

    “A ação penal inicialmente foi proposta em face de um Darci, com CPF, naturalidade, filiação totalmente distintos do Darci que estava preso. Fazendo essa checagem e conflitando com os dados do seu Darci que estava preso, nós chegamos à conclusão de que se tratava da pessoa errada”, explica o advogado em entrevista à RPC.

    A solicitação foi aceita no dia 28 de março, um mês após a prisão. No documento, o juiz Rafael Depra Panichella reconheceu que o mandado de prisão havia sido expedido para uma pessoa que não tinha relação com o processo criminal.

    Agora em casa, Darci tenta se recuperar do trauma. “Pensa em um sofrimento. A gente nunca passou por uma coisa dessa: dormir tudo empilhado, um por cima do outro. É uma tristeza”, relata.

    A filha Agnes Rodrigues, que recebeu o bilhete do pai, também lamenta o que a família passou. “É bem triste mesmo. Quando a pessoa deve, ainda vai, né? Mas ficar lá sendo inocente, cumprindo pena de uma outra pessoa, é bem difícil”, afirma.

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