Em três anos, deputados de Maringá acompanharam o Governo Lula em 58% das votações no Congresso

Desde o início da atual legislatura, em 2023, Ricardo Barros (PP) e Luiz Nishimori (PSD) foram favoráveis a quase 80% dos projetos do Executivo Federal. Desviando da regra, Sargento Fahur (PSD) acompanhou o Governo Lula em apenas 21% das votações.

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    Os deputados federais que representam Maringá foram favoráveis aos projetos do Governo Lula (PT) em 58% das votações ocorridas na Câmara Federal nos últimos três anos. O levantamento foi feito pelo Maringá Post, com base em dados do portal Congresso em Foco. O percentual é uma média das votações de pautas do Executivo que tiveram as participações de Ricardo Barros (PP), Luiz Nishimori (PSD) e Sargento Fahur (PSD).

    Barros e Nishimori, embora adotem um discurso de distanciamento do atual Governo Federal nas redes, foram governistas em quase 80% das votações. O pepista teve 76% de alinhamento com as pautas do presidente Lula (PT), enquanto Nishimori acompanhou o Executivo em 79% das votações. Sargento Fahur (PSD) foge dessa regra: em três anos de mandato, acompanhou o Governo Federal em apenas 21% das pautas do Executivo.

    De acordo com o Congresso em Foco, ao menos 70% da Câmara dos Deputados, atualmente, se mostra alinhada com o Executivo Federal, levando em consideração o histórico das votações desde 2023. No começo da administração, o alinhamento era ainda maior, chegando a 81% da bancada do Congresso.

    Projetos do Executivo que ganharam notoriedade na Câmara dos Deputados nos últimos anos dividiram a bancada maringaense. No caso do PL 1085/2023, que cria mecanismo para garantir a igualdade salarial entre homens e mulheres que desempenham a mesma função, Nishimori foi favorável, enquanto Fahur votou de forma contrária. Ricardo Barros não participou da votação ocorrida em 2023, pois, na época, estava licenciado do cargo para ocupar a Secretaria da Indústria, Comércio e Serviços do Governo do Paraná.

    Ainda em 2023, foi a vez da votação do texto que ficou conhecido como “Arcabouço Fiscal”, que definiu cortes de gastos e controle de despesas do Executivo Federal. O PL do Governo Lula ganhou o apoio de Sargento Fahur, enquanto Luiz Nishimori foi contrário. Mais uma vez, Ricardo Barros não votou por estar licenciado.

    Também em 2023, Nishimori e Fahur foram favoráveis a outro projeto do Executivo Federal: a PL 3626, que instituiu a taxação de casas de apostas que operam no Brasil.

    Outro projeto que uniu a bancada maringaense foi votado mais recentemente: em outubro de 2025, os três deputados de Maringá foram favoráveis ao projeto do Governo Federal que isenta da cobrança de Imposto de Renda (IR) pessoas que tenham ganhos mensais que não ultrapassam os R$ 5 mil.

    Em entrevista ao Maringá Post, o deputado Ricardo Barros (PP) afirmou que costuma seguir orientações da bancada do Progressistas durante as votações em Brasília, mas que leva em consideração, acima de tudo, os interesses da população. “Sempre que possível, sigo a orientação do Progressistas, partido do qual sou tesoureiro nacional. Somos uma sigla de coesão e força no Congresso Nacional. Analisamos cada matéria de acordo com os anseios dos brasileiros e, claro, a favor daquilo que realmente seja benéfico ao país”,resumiu.

    Também procurado pela reportagem, Luiz Nishimori (PSD) explicou que não guia suas votações por “alinhamentos automáticos”. “Desde o início de minha vida pública, sempre deixei claro meus princípios, valores e compromisso com o Brasil. Meus eleitores sabem exatamente quais bandeiras eu defendo, e é com base nelas que atuo no Parlamento. Não pauto minhas decisões por alinhamentos automáticos a governos ou a lados políticos. Tenho minha assessora jurídica, que me auxilia, mas meu voto é guiado, pelo que acredito ser melhor para o país, para a nossa economia, para os trabalhadores, produtores, famílias e para o futuro do Brasil. Aquilo com que concordo, voto a favor. Aquilo com que discordo, voto contra com independência, responsabilidade e consciência”, disse o parlamentar.

    Sargento Fahur também foi procurado para comentar o assunto, mas não deu retorno até o fechamento desta publicação.

    Para o cientista social e comentarista político, Joel Cavalcante, o alinhamento com o Executivo reflete não necessariamente um apoio dos deputados de Maringá a um presidente ou outro, mas reforça o histórico de atuação dos parlamentares da cidade.

    “O alinhamento do deputado Ricardo Barros e a sua votação majoritária à projetos do governo não surpreende. O histórico de atuação parlamentar dele nunca foi de oposição frontal ao governo federal, seja ele de direita ou esquerda, pelo contrário: foi líder do PP no governo FHC (1999-2002), vice-líder no governo Lula II (2007), ministro da Saúde no governo Temer em 2016 e líder no governo Bolsonaro, ou seja, há um histórico de alinhamento a pautas mais prementes do governo federal. O deputado usa a alcunha de “política de resultados” e não adepto de uma linha ideológica purista”, analisou o cientista.

    “Nishimori já tem um viés mais voltado a pautas do agronegócio e empresariado, embora também não tenha uma atuação purista do ponto de vista ideológica, o que também explica a maioria das suas votações pro governo. Nessa tríade, apenas Fahur tem atuação mais vocal e alinhada às pautas do bolsonarismo: pauta armamentista, segurança pública e contra os direitos humanos, o que explica o histórico de suas votações majoritariamente contra o governo Lula”, completou o especialista.

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