Bolsonaro faz postagem sobre Homero Marchese e conselheiro do TCE-PR envia carta em tom de crítica ao presidente

Por: - 11 de junho de 2019
No domingo, Bolsonaro publicou uma reportagem sobre o pedido de demissão de Marchese do cargo que ocupava no TCE-PR/ Pólen Comunicação

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) compartilhou no Facebook, no domingo (9/6), uma reportagem de 2013 sobre o pedido de demissão do deputado estadual Homero Marchese (PROS) do cargo que ocupava no Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR).

A postagem não agradou ao presidente do órgão de fiscalização paranaense, conselheiro Nestor Baptista. Ele enviou uma carta para Bolsonaro em tom de crítica a Marchese e à postagem do presidente.

Especialista em Direito Administrativo e Processual Civil, Marchese passou no concurso do Tribunal de Contas do Estado do Paraná e garantiu um emprego público com bom salário e estabilidade em 2007. No entanto, após cinco anos de trabalho, o maringaense resolveu pedir demissão por divergências com Nestor Baptista.

Em 2004, o TCE-PR encontrou irregularidades na prestação de contas da Prefeitura de Tuneiras do Oeste. Fotos e laudos mostraram que o município pagou pela construção de uma ponte que não havia saído do papel.

Em 2011, o conselheiro Nestor Baptista encaminhou para Marchese recursos que pediam a aprovação da obra, mas os pedidos foram negados. Mesmo assim, o conselheiro anulou a decisão anterior e aprovou as contas da prefeitura em novembro do mesmo ano.

Decepcionado, Marchese largou a estabilidade do cargo e começou uma campanha pelo fim das indicações políticas para o conselho do Tribunal de Contas. Nos protestos de junho de 2013, após participar de uma reportagem da RPC-TV, compartilhada no domingo por Bolsonaro no Facebook, ele ganhou projeção estadual.

Na carta enviada ao presidente e divulgada pelo blog de João Frei na Gazeta do Povo, Nestor Baptista disse que o julgamento das contas ocorreu em 2011, quando a obra tinha sido entregue, e por isso não houve irregularidade que justificasse a desaprovação.

O conselheiro do TCE-PR também sugeriu que Marchese tinha intenções políticas ao deixar o cargo.

Em 2014, Homero Marchese ficou na terceira suplência da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Dois anos depois, foi eleito o vereador mais votado da história de Maringá e, no ano passado, foi eleito deputado estadual com pouco mais de 42 mil votos.

“Soou inconcebível, à época, que ser contrariado num parecer pudesse ter levado um servidor concursado a pedir demissão, em meio às várias manifestações a que um processo em julgamento é submetido nas várias áreas técnicas que o orientam. Mas, a verdadeira intenção ficou clara já nas eleições que se seguiram”, afirmou o conselheiro do TCE-PR na carta.

Nestor Baptista também criticou o presidente Jair Bolsonaro pela publicação do vídeo. “É admirável que a presidência da República dedique seu precioso tempo para se importar com uma notícia veiculada em 2013, de um fato referente a oito anos atrás, em meio a tantos e tão complexos problemas enfrentados por este país”, disse.

– Peço que assistam com muita atenção. – Um abraço a todos.

Posted by Jair Messias Bolsonaro on Sunday, 9 June 2019

Marchese diz que declaração do conselheiro é “leviana”

O deputado estadual, Homero Marchese, comentou a publicação de Bolsonaro e pediu ao  presidente que mobilize o Congresso para mudar a legislação e acabar com as indicações políticas nos Tribunais de Contas.

Para o Maringá Post, o deputado contou que não conhece pessoalmente Jair Bolsonaro, apesar de ter contato com alguns parlamentares aliados ao presidente. Ele disse que ficou surpreso com a publicação do vídeo e criticou as declarações de Nestor Baptista sobre a postagem. Segundo Marchese, na época, “só se tivesse o dom da clarividência” ele poderia imaginar que disputaria a eleição em 2014.

Newsletter Briefing
O que aconteceu de importante em Maringá, todo início de noite no seu email.
Saiba mais ou cadastre-se:

“É uma declaração leviana de quem foi exposto para mais de um milhão de pessoas, todo mundo conhece Nestor Baptista no Paraná. A afirmação é tão leviana que saí do Tribunal em 2012 e a reportagem é de 2013. Nunca poderia imaginar que teria uma reportagem sobre a minha saída do Tribunal. Estava na manifestação de junho de 2013, na Boca Maldita, em Curitiba, quando fui abordado. Eu não pedi para fazer a reportagem”, afirmou o deputado.

Homero Marchese declarou que pretende transformar a campanha pelo fim das indicações políticas nos Tribunais de Contas em um movimento estadual e federal. Para ele, apesar da dificuldade do presidente em conseguir apoio entre os parlamentares, Bolsonaro tem forças para levar a discussão adiante.

“Essa é a primeira pauta no combate à corrupção no Brasil. É algo que une apoiadores de todos os espectros políticos, da direita e da esquerda. Todo mundo quer um exame técnico da contabilidade pública e ninguém melhor do que o presidente para conduzir esse processo”, disse o deputado estadual.

Ele afirmou que pretende apresentar, no próximo mês, uma emenda à legislação que detalhe os requisitos para ser conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná. Segundo o deputado, um dos critérios seria uma espécie de quarentena, para evitar que políticos em mandato assumam o cargo. Também em julho, ele organiza um evento na Alep para discutir sobre as indicações políticas.

Tem uma dica de notícia? Fez alguma foto legal? Registrou um flagrante em vídeo? Compartilhe com o Maringá Post, fale direto com o whats do nosso editor-chefe.