Mais uma vez, pedágio volta ao centro das atenções às vésperas de eleição. Desta vez com prisões de dirigentes do governo e das concessionárias

Por: - 26 de setembro de 2018
Praça de Pedágio da Viapar, em Arapongas, em um final de tarde: 20 min de espera / Walter Téle

A prisão temporária do presidente da Viapar José Camilo Teixeira e outros figurões do pedágio e do governo nesta quarta-feira (26/9), suspeitos de tramoias e propinas, me remeteu a uma auditoria do Tribunal de Contas do Paraná, em fevereiro de 2013, quando foi atestado que o preço da tarifa da Viapar deveria ser 18,5% mais barata.

Não me recordo se tal auditoria teve algum resultado de efeito prático no bolso dos motoristas, mas ainda está vivo na memória fato mais antigo, quando o Paraná elegeu um governador que esbravejava aos quatros ventos: “Pedágio: abaixa ou acaba”. Não abaixou, não acabou, o preço aumentou e deu no que deu.

Estou na estrada toda sexta e segunda, com chuva, sol ou tarde da noite. Vou para Londrina e volto para Maringá. É um prazer fazer o trecho, adoro as curvas, as paisagens e não canso de elogiar, para quem não conhece, a qualidade da rodovia. A ressalva que sempre faço se dá em relação aos dois pedágios que consomem R$ 35,6 semanalmente.

Aí está um dos pontos. Não apenas no preço da tarifa, que é pesado, diga-se. Mas também nas filas que muitas vezes, dependendo dos horários, se formam nas guaritas de cobrança na Praça de Arapongas, onde às sextas à tarde já fiquei até 20 minutos esperando. É chato, irritante. É tempo demais para uma viagem de pouco mais de uma hora.

Isso, com as quatro guaritas com sinal verde e em funcionamento. O problema é que passou da hora de aumentar a praça de cobrança. Não quero acreditar que as filas são propositais, pra gente ver os carros passando pelo Sem Parar enquanto aguarda, ficar bronco e ceder à cobrança da taxa de instalação do chip e das mensalidades.

Curioso é que ao lado da praça existe um posto do DER, que tem a obrigação de fiscalizar a rodovia em concessão. Aliás, teve gente do Departamento presa hoje. Não tem sentido, em plena era digital, as praças só aceitarem dinheiro vivo. Coisa mais arcaica quando lembro que, com um toque no celular, cancelas de várias partes do mundo se abrem.

É fato que não lembro, nos últimos tempos, de ter feito os cerca de 100 quilômetros que separam as duas belas cidades sem passar por obras de manutenção nas pistas. São constantes e já não se resumem a aparar grama e pintar faixas. Mas em noites de chuva e neblina sinto a falta do brilho de bons olhos de gato em algumas partes.

Também são problemáticos cruzamentos em nível nos trevos de algumas cidades. A começar pelos dois extremos, onde semáforos são usados para disciplinar o tráfego na BR e PR. Em Sarandi, são dois. Em Cambé, outros dois. E tem vários outros que carecem das chamadas obras de arte. Se devem ser trincheiras ou viadutos, que digam os engenheiros.

Foi o primeiro trecho de rodovia que vi duplicado no Paraná. Foi no governo de Alvaro Dias, entre 1986 e 1990. Na época, não se falava em pedágio. Isso só veio mais tarde, na primeira gestão de Jaime Lerner (1995 a 1999) que, arquiteto, criou o Anel de Integração. Se reelegeu, em boa parte, por ter baixado a tarifa pela metade às vésperas do pleito.

Coincidentemente, as eleições estão aí outra vez colocando o pedágio em foco. Não só da Viapar, mas de todas as concessionárias do Paraná, que aparentemente se integraram nos bastidores da velha política do toma lá dá cá. Os contratos expiram em 2021 e tem quem defende prorrogação. Se perguntassem minha opinião, a resposta teria três letras: Não.

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