Conheça um pouco mais sobre a professora Kaká, vítima de latrocínio na manhã de sábado. Polícia Civil conseguiu prender dois suspeitos do crime

25 de junho de 2018
Maria Aparecida Carnelossi Pacífico ao lado de seu marido José Carlos Pacífico

“Era uma professora brilhante, de caráter irrefutável, extremamente comprometida com as crianças e com a filosofia da escola. Uma pessoa séria em termos de compromissos profissionais e ao mesmo tempo, muito carinhosa com os alunos”, afirma a diretora do Colégio Santa Cruz, Anna Thereza Valias, sobre Maria Aparecida Carnelossi Pacífico, a Kaká, vítima de um latrocínio na manhã de sábado (23/6).

Kaká trabalhou como professora de matemática no ensino fundamental para as 5ª e 6ª séries por cerca de 30 anos no Colégio Santa Cruz. De família de pioneiros, Maria Aparecida também estudou na instituição, que é a primeira escola particular de Maringá, fundada há 65 anos pelas irmãs Carmelitas da Caridade de Vedruna.

As filhas de Kaká também foram alunas do colégio e tiveram uma trajetória brilhante em seus períodos na escola. Anna Thereza afirma que “a comunidade está sem chão. Kaká era muito querida, vivia profundamente a instituição e sempre foi muito participativa”.

Kaká era religiosa e participava ativamente da Pastoral Familiar da Paróquia Santa Joaquina de Vedruna da Arquidiocese de Maringá.

A pastoral familiar é um serviço realizado pela Igreja Católica para famílias que precisam resgatar os valores e a dignidade de cada pessoa. O grupo auxilia na restauração de famílias que se encontram desestruturadas e com dificuldades de relacionar-se uns com os outros.

“Ela era muito atuante na igreja. Sempre muito prestativa, positiva e participipativa nas ações. Um exemplo de caridade, bondade e generosidade”, diz a secretária da Paróquia, Neuza Nascimento da Silva dos Santos, que era amiga pessoal e mãe do genro de Kaká.

Maria Aparecida também era atuante na política. Militava no grupo Patriotas do Brasil e participava constantemente de mobilizações e manifestações de questões nacionais. “Era bem presente na Câmara de Maringá, sempre preocupada com as questões que envolviam a cidade”, conta a amiga e advogada Cassia Franzoi.

“Estamos arrasados com essa notícia. A forma como aconteceu foi muito violenta. Ela era muito doce e disposta. Ela nunca virava as costas para ninguém que estivesse precisando de ajuda. Contribuía diariamente com a sociedade”, diz Cássia, também militante do grupo, que pretende fazer uma caminhada pela paz e pedir justiça.

Um dos suspeitos do latrocínio foi preso

A Delegacia de Furtos e Roubos de Maringá conseguiu prender na tarde desta segunda-feira (25/6) um suspeito de participação no crime. Em depoimento, segundo o delegado adjunto da 9ª Subdivisão Policial de Maringá, Luiz Henrique Vicentini, o homem confessou que esteve na residência da vítima no dia do crime.

“Ele disse que entrou na casa com o intuito de furtar e afirmou que ficou no primeiro andar da casa, mas não soube dizer o motivo das pauladas que mataram a vítima”, contou o delegado. Durante o depoimento, ele informou aos policiais quem seria o outro suspeito que, no começo da noite desta segunda-feira (25/6), prestava depoimento.

O delegado contou, por volta das 20 horas, que pediu a prisão temporária dos dois envolvidos e aguardava a manifestação do juiz de plantão para poder manter os suspeitos presos. Eles seriam moradores de rua e usuários de drogas.

O primeiro suspeito preso admitiu que esteve na residência em outra oportunidade, quando recebeu alimentos da vítima. Para entrar na casa, os dois quebraram a cerca elétrica e arrombaram a porta da residência.

Kaká foi morta a pauladas dentro do próprio quarto. A arma do crime foi deixada no local. Impressões digitais foram colhidas na residência e deve ajudar na confirmação da autoria do crime.

“Temos todo um material de provas colhidos, mas as análises ainda não estão prontas. Até o final do inquérito, esperamos poder confirmar a participação deles”, disse. O primeiro suspeito foi identificado a partir de imagens de câmeras de segurança de locais próximos à casa de Kaká. “As imagens indicaram possíveis suspeitos que transitaram no local”.

  • A reportagem foi atualizada às 20h05 deste segunda-feira (25/6) com as informações confirmadas pelo delegado Luiz Henrique Vicentini sobre a prisão dos dois suspeitos e o fato de um deles ter confirmado a participação no crime.