Tem vereador contrário aos bloqueios de caminhoneiros e que apoia uma intervenção militar para antecipar eleições. Veja o que pensam os vereadores de Maringá

Por: - 31 de maio de 2018
Nenhuma mulher foi eleita vereadora em Mqringá nas eleições de 2016 / Divulgaçãao CMM

A greve dos caminhoneiros mexeu com o Brasil. Foram dez dias de manifestações em todos os estados. Nas estradas, o transporte parou e, nas cidades, a população gritou em apoio, num reflexo claro da indignação geral com a corrupção e a baixa popularidade do Governo Federal. Em meio a este contexto, o Maringá Post procurou os vereadores da cidade para conhecer a posição de cada um sobre os principais temas deste movimento.

Em meio às manifestações houve desabastecimento na cidade e muitos produtos só voltaram a ser ofertados aos consumidores com escolta policial. A maioria dos vereadores se manifestou favorável aos pleitos dos caminhoneiros, mas existem posições contrárias aos bloqueios e aos efeitos provocados em todo o setor produtivo.

A Federação das Indústrias do Estado Paraná (Fiep) estima que a paralisação provocou um prejuízo de R$ 3 bilhões à industria paranaense. Em meio às reivindicações do setor de transportes, discursos mais radicais passaram a ecoar, como os pedidos de intervenção militar no país. Na Câmara de Maringá, o assunto divide os vereadores e tem até quem prefere não se manifestar.

Apesar do discurso intervencionista ir contra o artigo 5º da Constituição Federal, que diz ser “crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o estado democrático”, alguns vereadores concordam com uma intervenção militar que antecipe as eleições.

Os veadores de Maringá foram ouvidos pela reportagem do Maringá Post entre terça-feira (29/5) e quarta-feira (30/5), quando a paralisação ainda dava sinais de força nas estradas. Nesta quinta-feira (31/5), não há mais notícias de paralisações nas rodovias do Paraná.

Veja o que pensam os vereadores de Maringá

O presidente da Câmara, Mário Hossokawa (PP), apoia o movimento dos caminhoneiros, mas espera que a paralisação seja encerrada. “Já passou da hora, tem que suspender essa greve. Quando a gente vê essa situação de mortalidade de frangos e suínos, é algo bastante triste e que está virando um caos. Dou total apoio aos caminhoneiros, a gente sabe o quanto eles estão sofrendo e tem que haver uma negociação para dar fim a essa situação.”

Hossokawa se posicionou favorável à intervenção militar. Na visão do vereador, o presidente Michel Temer (MDB) não tem mais condições de governar o país. “Se for simplesmente uma intervenção para acontecer da forma como aconteceu da outra vez, não sou favorável, quando colocaram uma mordaça na população. Seria favorável a uma tomada do poder através do exército para fazer uma eleição antecipada.”

O vereador Homero Marchese (Pros) afirma que como o movimento teve apoio da população e a categoria também recebeu o apoio dele. Marchese defende que o movimento possa continuar, mas sem bloqueios nas estradas.

“O movimento, por não ter pautas definidas, precisa produzir efeitos em determinado tempo porque se não a população retira apoio. No começo, o movimento teve amplo apoio da população apesar dos bloqueios, com o passar do tempo, aumentando o prejuízo da população, a coisa deixa de fazer sentido.”

Homero Marchese diz que é contra a intervenção militar. “Se fosse favorável não tinha escolhido a política, escolhi a política como mudança da sociedade. Isso é um sintoma de que as coisas estão piorando e as pessoas estão perdendo a fé na democracia. Intervenção não é bom para o povo e os militares não querem tomar frente disso e nem têm vontade.”

O vereador Jean Marques (PV) diz que apoia as pessoas que fazem manifestações e defendem a redução de impostos, mas que a pauta da greve ficou “bastante confusa” nos últimos dias. “O desdobramento dela não considero positivo. O atendimento da demanda foi feito com reoneração em outros setores. Do ponto de vista do movimento, os objetivos foram bem sucedidos, mas há um preço muito alto para a população como um todo.”

Marques também é contrário a uma intervenção militar no país e defende o Estado Democrático de Direito. “Em uma intervenção não tem como saber qual seria esse tipo de governo. Não seria um governo democrático porque não foi escolhido pela maioria. Certamente entre todos os sistemas de governo, a democracia é o menos pior. Até porque, a oportunidade de mudança temos daqui há quatro meses.”

O vereador Altamir da Lotérica (PSD) também criticou a política de preços da Petrobras e afirma que o movimento dos caminhoneiros deve continuar. “O governo só falou em questão do diesel, não falou de etanol ou gasolina. O governo tem que dar uma resposta mais concreta.”

O vereador sugere que apoia a intervenção, dependendo do rumo em que as decisões políticas chegarem. “Isso é bom para dar um susto no governo. Acho que não tem necessidade de chegar até uma intervenção, mas se o governo não chegar a uma conclusão que beneficie à população, não tem o que fazer.”

Onivaldo Barris (PHS) afirma que a greve é uma manifestação necessária, mas se posicionou contrário a forma como alguns bloqueios foram montados nas estradas. “Os caminhoneiros tiveram grande adesão da população e avalio que o movimento foi organizado, visto que não havia partido político e não foi organizado por sindicato.”

O vereador diz que é contra a intervenção militar no Brasil e que o assunto só se tornou pauta do movimento por causa de pessoas infiltradas na greve. “Não tem porque intervenção nesse momento. Se o presidente tá bom ou não, não é o caso. Aí tira o presidente e coloca o presidente da Câmara que tem envolvimento nisso e aquilo. Agora é momento de ter calma e democraticamente elegermos nosso novo presidente.”

Carlos Mariucci (PT) também se posicionou favorável a greve dos caminhoneiros e criticou a atuação do governo federal. “A greve é mais que justa, diante do desmonte que o governo vem fazendo, não só na questão de preço, mas desmonte da Petrobras. Por mais sofrimento que a gente possa ter, acho que é necessário e entendo a luta como justa.”

Para o vereador, pedir intervenção militar “é coisa de maluco e não tem lógica. É um grupo de aproveitadores e só quem viveu aquela época pode dizer isso com clareza”.

Do Carmo (PSL) diz que apoia os caminhoneiros e que para ele a greve se tornou uma paralisação nacional. “Os caminhoneiros estão abraçados com o povo. Se os caminhoneiros abandonarem o povo, é isso que o governo quer, nenhuma classe terá mais apoio.”

O vereador acredita que as pessoas não querem uma intervenção militar, mas sim política. “Com o nível de confiabilidade militar, eles ainda preferem a classe militar do que a política. Acho que eles não querem, democraticamente, se soubessem o que é uma intervenção. Acredito que a intervenção é que militares assumam e façam um novo governo, não um regime militar como em outras épocas.”

Mário Verri (PT) afirma que é favorável à greve, mas se demonstrou preocupado com os reflexos da paralisação nos serviços essenciais. “Infelizmente, quando chega a um ponto extremo, a greve é a única alternativa da categoria. Não existe greve que não tenha prejudicado. É natural que isso exista. É um governo golpista, eles não têm o crédito de conversar com a comunidade, não têm diálogo e acaba virando um caos.”

O vereador também disse que não apoia uma intervenção federal no país. “Não quero isso para o Brasil e para ninguém. Isso foi um atraso muito grande para o país. O que queremos é que o Brasil volte a caminhar no eixo, dentro da democracia. Que tenhamos uma eleição, que se eleja governos com votos, não em cima de golpes ou intervenção.”

William Gentil (PTB) afirma que é favorável aos caminhoneiros e que as propostas do governo federal são insuficientes. “Não adianta ser só o diesel, tem que baixar a gasolina e o álcool. Após obter êxito, as coisas vão andar nos trilhos. Enquanto não resolver essas questões fica inviável para a população em geral, e a bandeira deles [caminhoneiros] é a mesma da população.”

O vereador é contrário ao discurso dos intervencionistas. “A maior arma que nós temos é o voto. É preciso uma mobilização por parte dos nossos representantes no sentido de dar mais atenção e elaborar leis que venham a contento da população. Intervenção tem que ser por parte do povo dizer não para os políticos que nada fazem para nossa população.”

Belino Bravin (PP) diz que apoia a greve dos caminhoneiros. “Ninguém aguenta mais aumentar o preço do petróleo todo dia. Aumentando tudo e o salário do povo só uma vez por ano. Mesmo que os caminhoneiros não conseguirem tudo, eles deram um aviso para o governo. Se não fossem os caminhoneiros, o Brasil não seria nada.”

O vereador apoia uma intervenção militar que traga mudanças para o Brasil. “Eu sou favorável que haja uma mudança, não sei se é com militar ou com outro brasileiro. O país não pode continuar passando pelo que está passando. Eu sou favorável que haja uma mudança para o povo brasileiro e quanto mais rápida melhor.”

Sidnei Telles (PSD) acredita que a greve é reflexo da falta de governabilidade que se instaurou no país, mas defende o fim do movimento. “Nesse momento eles já obtiveram uma vitória penosa para a população. Fica muito complicado esquecer o equilíbrio do país em prol de um movimento. Acho que era justa mas ultrapassou nesse momento.”

Telles afirma que é contra os discursos intervencionistas. “Seria o radicalismo, um absurdo sonhar com algo tão velho e decrépito como é a intervenção ou a ditadura militar. Isso seria um retrocesso promovido por pessoas que desconhecem o que significa um país sem democracia.”

O vereador Chico Caiana (PTB) apoia o movimento dos caminhoneiros e criticou quem se aproveitou do movimento para aumentar os preços. “Acho uma greve legítima, mas lamentavelmente teve muitos transtornos e o resultado não vai ser o esperado. Os caminhoneiros sofreram 10 dias no relento mas a conquista deles é muito pouca sobre aquilo que esperavam.”

Caiana diz que não tem posicionamento sobre a intervenção militar. “O povo pede uma coisa, mas ,boa parte não sabe o que está pedindo. Confesso que andei pesquisando algumas informações, mas tenho que fazer um estudo melhor. Não posso ser contra ou a favor de uma coisa que não conheço.”

Flávio Mantovani (PPS) afirma que é favorável aos caminhoneiros. “Acho de extrema importância a greve porque deu um grande recado ao governo federal, que o Brasil não tem que pagar toda a conta do que está acontecendo em Brasília. A sociedade tem que se mobilizar, porque se o povo brasileiro quiser, ele para o país.”

Mantovani é contra a intervenção militar. “Sempre fui da imprensa e a liberdade de expressão é mais importante do que tudo. E como advogado, fiz o juramento de defender a Constituição.”

Alex Chaves (PHS) acredita que o movimento dos caminhoneiros é democrático. “Acho que todo movimento popular que vem das ruas deve ser ouvido. Afinal de contas, se o agente público precisa do voto popular, ele tem que se dobrar aquilo que as ruas pedem.”

O vereador diz que o atual governo perdeu instabilidade política, porém descartou a possibilidade de uma intervenção. “Não que eu seja favorável ou contra, a Constituição Federal não abre espaço. Se houvesse uma maneira de tirar esse governo e criar um interino e iniciar novas eleições seria importante, mas não penso que o melhor caminho seria com as forças armadas.”

  • A reportagem não obteve resposta do vereador Odair Fogueteiro (PHS)

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