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O escritor e palestrante Gilcler Regina foi o convidado do podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, em um episódio que mergulha nas três décadas de uma das carreiras mais vitoriosas do setor no Brasil. Em conversa com o jornalista Ronaldo Nezo, o maringaense — que já vendeu mais de 6 milhões de CDs e DVDs — detalhou como a resiliência e a capacidade de adaptação transformaram um começo marcado por dívidas em um percurso de sucesso até fora do Brasil.
Ao longo da entrevista, Gilcler discutiu a transição do mercado de palestras “raiz” para a era das imersões digitais, o impacto da Inteligência Artificial no comportamento humano e a urgência de uma liderança mais empática.
“Nós somos sempre as histórias que nós contamos de nós mesmos e de outros também”, resume Gilcler, ao destacar que o segredo da permanência no topo reside na constante atualização e no entendimento das conexões humanas.
Ousadia e o “jeitinho brasileiro” para vencer o preconceito
Gilcler relembrou o início desafiador, quando enfrentou dificuldades financeiras e o preconceito do mercado contra profissionais do interior. Para negociar com gigantes como General Motors e Banco do Brasil, ele precisou de criatividade. “Tive que arrumar um prefixo 11 para poder negociar… os grandes palestrantes estavam no eixo Rio-São Paulo”, revela.
Um dos momentos mais emblemáticos da conversa foi o relato de sua contratação pela São Paulo Fashion Week – que funcionou como um divisor de águas para sua carreira. Ainda começando, ele mesmo se recomendava nos sites das empresas. Entrava nos sites de grandes corporações, usava o nome do filho e sugeriu Gilcler Regina como palestrante motivacional. E foi assim que deixou a recomendação no site da São Paulo Fashion Week. Curiosamente, um representante do evento entrou em contato e pediu um orçamento.
Mesmo quebrado financeiramente, ele decidiu arriscar no valor do cachê. “Eu olhei para a Lua e atirei para Marte. Joguei um valor bem lá no alto. [Dias atrás] O Rodrigo (meu filho) me lembrou que cobrei R$ 90 mil de cachê, livre de despesas. Três dias depois, o cara fechou”, conta. O episódio marcou uma virada de página e abriu as portas para o mercado calçadista brasileiro.
Inteligência Emocional: O antídoto para o analfabetismo digital
Com o lançamento de seu livro sobre “Inteligência Emocional: lições para criar bons hábitos que podem transformar sua vida e seu futuro”, que figurou no top 10 do Google por dois anos, Gilcler tornou-se uma voz ativa sobre o equilíbrio psíquico no trabalho. Ele alerta que a tecnologia, embora essencial, tem gerado um isolamento perigoso. “O cara está muito na tecnologia e ele não percebe que o emocional dele, às vezes até o analfabetismo emocional dele, está pegando firme”, afirma.
Para o palestrante, a motivação atual precisa ser ressignificada. Ele defende que não basta mais “animar a tropa” com discursos vazios. “Você não pode ir lá mais e falar: vamos acender a fogueira aí para a tropa toda. Hoje você tem que compreender as individualidades. A própria liderança tem que ser treinada para isso”, explica, ao citar que as equipes estão exaustas e sofrendo com fenômenos como o burnout.
IA vs. Vida Real: “A máquina parece pensar, mas não tem vida”
Sobre a Inteligência Artificial, Gilcler é categórico: ela é uma ferramenta, não um mundo. Ele cita o comportamento de líderes do Vale do Silício para embasar sua visão. “Quais são os conselhos que um Zuckerberg dá para o filho dele? Vai jogar futebol, vai fazer um bolo, vai andar de bike, porque é lá que a vida acontece”.
Ele reconhece que a IA pode escrever um livro em dez minutos, mas ressalta a falta de alma no processo. “O mundo não está ali. A IA é um tsunami, faz com que a máquina pense por você, e isso causa confusão mental. Só a tecnologia não faz acontecer”, analisa.
Educação e o Futuro do Brasil
Caminhando para o encerramento, Gilcler trouxe uma reflexão crítica sobre o modelo educacional e o cenário político-social do país. Para ele, o Brasil precisa diferenciar urgentemente educação de treinamento. “Educação vem de berço, vem de família: ética, moral, princípios. Treinamento é o princípio da repetição”, pontua.
Apesar de se mostrar reticente com o modelo político e o aumento da população de rua, ele mantém o otimismo no potencial brasileiro, especialmente no agronegócio. “O sorriso que você quer buscar no outro deve estar estampado primeiro no seu rosto. O país tem tudo para ser potência mundial, mas às vezes fica se relegando a segundo plano por causa de política”, conclui.
Serviço:
A entrevista completa com o palestrante Gilcler Regina está disponível no canal do Maringá Post no YouTube. Ao longo da semana, o leitor poderá acompanhar cortes exclusivos do podcast nas redes sociais do jornal, trazendo insights sobre empreendedorismo, carreira e saúde emocional.










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