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No futebol, o nome de um clube raramente é apenas um detalhe burocrático. Ele carrega história, memória afetiva e pertencimento. No Ponto a Ponto, o diretor de futebol do Galo Maringá, Paulinho Regini, explicou por que a escolha pelo nome Galo Maringá foi uma decisão estratégica, mas também profundamente ligada à relação emocional do torcedor com o futebol da cidade.
Segundo ele, a opção por resgatar o nome não surgiu por acaso. Ao relembrar os clubes que marcaram sua geração, Regini afirma que o antigo Galo Maringá, especialmente nos anos de meados dos anos 2000, foi um dos poucos que conseguiu mobilizar o público local. “Quem encheu o estádio, que foi bem, foi o Galo… ele ficou ali na memória”, disse durante a entrevista.
O processo de mudança ocorreu após a saída do investidor ligado à marca Aruko, quando o clube precisou redefinir sua identidade. Regini contou que não fazia sentido criar um nome totalmente novo. “Quando veio ali do Aruko… falei: não tem por que criar outro nome”, relatou, destacando que a prioridade era manter algum vínculo simbólico com a história do futebol em Maringá.
Foi nesse contexto que entrou em cena o empresário Marcos Aurélio Falleiro, conhecido como Marquinho Falleiro, detentor da marca que estava inativa. Segundo Regini, a conversa foi direta e objetiva, permitindo que o clube retomasse o nome Galo Maringá dentro dos trâmites legais.
A escolha, no entanto, trouxe desdobramentos. O uso do termo “Galo” no nome do clube gerou questionamentos por parte do Atlético Mineiro, que tradicionalmente utiliza o apelido como símbolo. Regini explicou que o incômodo não está no mascote, mas no uso do termo no nome oficial, algo que, segundo ele, foi tratado juridicamente.
Do ponto de vista da gestão, a identidade também é um ativo. Marca valorizada ajuda na relação com torcedores, patrocinadores e até investidores. Em um cenário de futebol cada vez mais profissionalizado, o nome do clube passa a integrar o patrimônio intangível do projeto, influenciando percepção, credibilidade e valor de mercado.
Mais do que um símbolo, o Galo Maringá representa uma tentativa de reconectar o futebol profissional à memória coletiva da cidade. Para Regini, esse vínculo ajuda a explicar por que identidade e história não podem ser dissociadas de planejamento esportivo, especialmente em clubes que buscam crescer sem perder raízes locais.
Ao tratar do tema, o dirigente reforça que o resgate do nome não é um movimento nostálgico isolado, mas parte de um projeto que olha para o futuro sem ignorar o passado. Um projeto que tenta equilibrar tradição, gestão moderna e sustentabilidade em um futebol cada vez mais competitivo.
Os bastidores da escolha do nome, a disputa em torno da marca e a visão do clube sobre identidade e pertencimento são detalhados no episódio completo do Ponto a Ponto com Paulinho Regini, apresentado pelo jornalista Ronaldo Nezo e disponível no YouTube do Maringá Post.







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