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No imaginário do torcedor, a temporada de futebol costuma ser longa, cheia de jogos, viagens e disputas simultâneas. Essa percepção, no entanto, está distante da realidade vivida por muitos clubes do interior do país, especialmente aqueles que não disputam competições nacionais. No Ponto a Ponto, o diretor de futebol do Galo Maringá, Paulinho Regini, expôs como o calendário reduzido impacta diretamente o planejamento esportivo e financeiro.
Segundo ele, clubes que disputam apenas o Campeonato Paranaense podem iniciar a temporada sabendo que terão, no máximo, oito jogos garantidos. “Você prepara, você monta um elenco pra jogar efetivamente oito jogos”, afirmou durante a entrevista. A fala revela um problema estrutural: enquanto equipes das Séries A, B e C do Campeonato Brasileiro contam com calendário praticamente o ano todo, clubes fora desse circuito precisam concentrar todo o investimento em poucas semanas.
Essa diferença afeta desde a montagem do elenco até a contratação de treinadores. Regini explica que profissionais do futebol, de forma natural, priorizam projetos com continuidade. Clubes com calendário nacional oferecem mais estabilidade, contratos mais longos e maior visibilidade. Para equipes do interior sem essas garantias, sobra o desafio de competir por atletas em um mercado altamente concorrido.
O impacto também é humano. Com contratos curtos e incerteza sobre o futuro imediato, muitos jogadores chegam sozinhos, sem trazer a família, o que dificulta adaptação e vínculo com o clube e com a cidade. Além disso, o próprio clube precisa avaliar rapidamente quem chega, sem tempo para construção gradual de identidade e entrosamento.
Nesse cenário, garantir vaga em uma competição nacional muda completamente o patamar do projeto. Regini destaca que a Série D do Campeonato Brasileiro, embora seja a porta de entrada no calendário nacional, já representa um avanço significativo. Além de ampliar o número de jogos ao longo do ano, a competição oferece vitrine, atrai olhares de empresários e clubes maiores e cria condições mais estáveis para planejamento.
A busca por calendário, portanto, não é apenas esportiva. Ela é estratégica. Clubes que conseguem disputar regularmente Série D, Copa do Brasil e, no médio prazo, avançar para a Série C, passam a operar em outra lógica: com mais jogos, maior exposição, contratos mais consistentes e melhores condições para desenvolver atletas e estrutura.
Para o Galo Maringá, esse é um dos objetivos centrais do projeto. Consolidar-se na elite estadual, garantir presença em competições nacionais e transformar o calendário em aliado — e não em obstáculo — é visto como passo essencial para a sustentabilidade do clube e para o fortalecimento do futebol na cidade.
A discussão completa sobre calendário, planejamento e os bastidores da montagem de elenco está no episódio do Ponto a Ponto com Paulinho Regini, já disponível no YouTube. A entrevista é apresentada pelo jornalista Ronaldo Nezo e aprofunda os desafios e as escolhas de quem faz futebol longe dos holofotes dos grandes centros.







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