“Não faço política de like”: deputada diz que estudo e regimento garantem atuação consistente na Assembleia

Ana Júlia Ribeiro afirma que atuação legislativa exige estudo técnico e conhecimento do regimento, não apenas visibilidade nas redes sociais.

  • Tempo estimado de leitura: 4 minutos

    Em um cenário político cada vez mais atravessado pelas redes sociais, curtidas e vídeos curtos, a deputada estadual Ana Júlia Ribeiro faz questão de estabelecer uma distinção clara entre visibilidade digital e atuação legislativa. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, ela afirma que precisou romper, desde o início do mandato, com o rótulo de que faria uma “política de internet” ou baseada apenas em engajamento.

    “Eu também trabalho com a internet, faço vídeos, uso redes sociais”, afirma. “Mas a política que eu faço não é uma política de stories ou de like. É uma política real, baseada na materialidade da vida das pessoas.”

    Segundo Ana Júlia, a imagem de uma parlamentar jovem, vinda do movimento estudantil e marcada por um discurso que viralizou em 2016, gerou desconfiança dentro da Assembleia Legislativa do Paraná. “Havia uma expectativa de que eu estivesse ali só para lacração, para vídeo, para aparecer”, relata. Diante disso, a deputada afirma que precisou provar, na prática, sua capacidade de atuação.

    Um dos caminhos escolhidos foi o estudo aprofundado do funcionamento da Casa. “Desde o início, eu me debrucei sobre o regimento interno, sobre a burocracia da Assembleia, sobre o que eu podia ou não fazer”, conta. Para ela, conhecer as regras do jogo é condição básica para exercer o mandato com responsabilidade. “Você pode não concordar comigo, mas nunca vai poder dizer que eu não sei do que estou falando.”

    A deputada explica que essa postura se reflete diretamente na forma como vota e se posiciona. Segundo ela, não há espaço para discursos vazios. “Toda vez que eu voto contra um projeto, eu sei explicar exatamente por quê. Eu conheço o projeto, conheço a Constituição, conheço a legislação. Eu sei o que estou defendendo e o que estou criticando.”

    Ana Júlia também diferencia oposição responsável de oposição automática. “Eu sou oposição, mas isso não significa ser contra tudo. Muitas vezes, eu corrijo projetos, aponto problemas, tento melhorar aquilo que está errado, mesmo discordando do governo”, afirma. Para ela, esse tipo de atuação exige preparo técnico e disposição para o debate, algo que nem sempre encontra espaço em um ambiente político marcado pela superficialidade.

    Na entrevista, a parlamentar critica a lógica que transforma o debate político em disputa de narrativas vazias. “Muitas vezes você vê discursos que não têm relação nenhuma com o que está sendo debatido no projeto. É só retórica”, observa. Em contraste, diz buscar sempre discutir “aquilo que materialmente está em pauta”.

    Ao longo do mandato, Ana Júlia avalia que essa postura ajudou a consolidar sua presença na Assembleia. “Hoje eu sinto que existe uma compreensão maior do porquê eu estou ali”, afirma. Para ela, a política exige mais do que visibilidade: exige estudo, coerência e compromisso com o conteúdo das decisões.

    O episódio completo com a deputada Ana Júlia Ribeiro está disponível no YouTube do Maringá Post, no Ponto a Ponto Podcast, apresentado por Ronaldo Nezo e gravado na V Mark Produtora e Estúdio.

    Comentários estão fechados.