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Levar leveza, escuta e esperança para pessoas que passam por momentos delicados é a principal missão do Projeto FloRiR, iniciativa voluntária de Maringá que utiliza a arte da palhaçaria para humanizar ambientes como hospitais, abrigos e espaços de acolhimento.
A proposta nasceu com o objetivo de mostrar que, além do atendimento médico e dos cuidados físicos, muitas pessoas também precisam de afeto, atenção e presença. Por meio dos chamados “doutores palhaços”, o grupo transforma visitas em experiências de carinho e conexão.
Idealizador do projeto, Tiago Junior Mariano explica que a ideia surgiu justamente dessa necessidade de levar mais humanidade para ambientes normalmente marcados pela dor e pela preocupação.
“Além do cuidado físico, muitas pessoas precisam de presença, de humanidade e de esperança. A palhaçaria se tornou uma ponte muito bonita para criar conexões e transformar ambientes marcados pela dor em espaços mais acolhedores”, destaca.
Projeto nasceu na comunidade
O FloRiR teve início em 2019, no Conjunto Requião, após Tiago participar de um curso de palhaçaria promovido pela Unimed e ministrado pelo professor Alexandre Penha, que hoje também atua como cofundador e diretor artístico da iniciativa.
A partir dessa vivência, surgiu a vontade de ampliar o acesso à arte e levar a palhaçaria para comunidades periféricas, aproximando a cultura de pessoas que, muitas vezes, não têm contato com esse tipo de ação.
Com o passar do tempo, o projeto se fortaleceu e se consolidou como uma ação permanente de formação e voluntariado. Atualmente, são 42 palhaços ativos, que participam das visitas organizadas em escalas para conciliar a atuação voluntária com a rotina pessoal.

Histórias que marcam
Entre os integrantes está Djaine Priscila, conhecida durante as visitas como Dra. Justina. Ela participa do projeto desde 2019 e conta que sempre teve o sonho de atuar em ações dentro de hospitais.
“Participar do projeto é muito gratificante. A gente conhece histórias de vida, leva afeto e alegria e também escuta pessoas que precisam ser acolhidas. Cada experiência dentro do projeto torna tudo ainda mais especial”, relata.
Uma das lembranças mais marcantes vividas por ela aconteceu durante uma visita à ala infantil da Santa Casa, quando conheceu uma menina chamada Lívia, que estava em isolamento ao lado da mãe.
“Mesmo enfrentando tantas dificuldades, ela transmitia uma energia e uma alegria muito grandes. Era uma menina iluminada e extremamente alegre. Saí daquele quarto com uma experiência que vou levar para a vida toda”, lembra.
Voluntariado que também transforma
A voluntária Giovanna Moraes, que interpreta a palhaça Rita Lina, afirma que participar do FloRiR representa a realização de um sonho antigo: ajudar pessoas por meio da alegria.
“Desde novinha eu sempre gostei de fazer as pessoas rirem. Nunca gostei de ver ninguém triste. Quando descobri o que era ser palhaça voluntária, percebi que era exatamente o que eu sempre quis fazer”, conta.
Segundo ela, a primeira visita a um hospital foi uma experiência desafiadora, mas extremamente recompensadora. Para Giovanna, atuar nesses ambientes exige sensibilidade e atenção ao momento de cada paciente e familiar.
“Quando você percebe que um momento de tristeza pode ser amenizado por uma brincadeira ou uma conversa, você sai dali transformado”, afirma.
Ela ressalta ainda que o impacto emocional não acontece apenas com quem recebe a visita, mas também com quem participa da ação.
“Quando entramos em cada ala, encontramos histórias e famílias diferentes. A gente aprende a conversar, a perceber o momento certo de brincar ou apenas ouvir. No final, quem sai transformado também somos nós”, diz.
Mesmo nos dias mais cansativos, Giovanna afirma que deixa os problemas pessoais de lado para cumprir a missão de levar alegria.
“Eu entro ali para levar alegria e espalhar amor. E muitas vezes eu percebo que também saio curada daquele lugar”, completa.
Como participar
Para os integrantes, o voluntariado é a base que mantém o Projeto FloRiR ativo. Mais do que levar diversão, o grupo busca oferecer acolhimento e empatia em ambientes onde muitas vezes predominam o medo, a dor e a ansiedade.
O projeto segue com espaço aberto para novos participantes. Quem deseja fazer parte da iniciativa pode entrar em contato pelo telefone (44) 99874-2494 ou pelo Instagram oficial do grupo. Os interessados são incluídos em uma lista de espera para a próxima turma do curso preparatório.
Com o lema de que alegria não tem contraindicação, o FloRiR segue mostrando que um sorriso também pode ser uma poderosa forma de cuidado.










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