Da crise à expansão: como a Santa Casa encontrou sustentabilidade e agora planeja chegar a 400 leitos

Segundo o superintendente José Pereira, o ponto de inflexão que permitiu essa transformação foi a criação da operadora Santa Casa Saúde, em 1995.

  • Tempo estimado de leitura: 5 minutos

    A Santa Casa de Maringá, hoje reconhecida como um dos hospitais mais estruturados do Paraná, nem sempre teve o porte e a estabilidade que apresenta. Em entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o superintendente José Pereira explicou como a instituição superou um período crítico nos anos 1990, alcançou equilíbrio financeiro e agora se prepara para um novo ciclo de expansão — incluindo o aumento da capacidade dos atuais 290 leitos para cerca de 400.

    Segundo Pereira, o ponto de inflexão que permitiu essa transformação foi a criação da operadora Santa Casa Saúde, em 1995. O hospital, que atendia entre 85% e 90% dos pacientes pelo SUS naquela época, enfrentava o conhecido problema do subfinanciamento. “O SUS é uma estrutura fantástica em termos de acesso e organização, mas a remuneração não cobre os custos necessários para manter um hospital competitivo e atualizado”, afirmou.

    Essa limitação travava investimentos, dificultava a compra de equipamentos e impedia melhorias estruturais. A solução veio com uma decisão estratégica da diretoria: criar um plano de saúde próprio que se tornasse fonte adicional e estável de receita.

    O papel do Santa Casa Saúde na virada financeira

    Quase três décadas depois, a operadora se tornou um dos pilares da sustentabilidade do hospital. São aproximadamente 50 mil beneficiários, e todo o resultado financeiro é reinvestido integralmente no complexo hospitalar — modelo que Pereira descreve como essencial para a modernização da instituição.

    “Em uma Santa Casa, o resultado não é distribuído. Cada centavo volta para o hospital, seja em equipamentos, reformas, novas estruturas ou benefícios aos colaboradores. Isso foi o que nos permitiu qualificar a gestão e transformar a Santa Casa de Maringá”, explicou.

    Esse reinvestimento contínuo possibilitou ampliar serviços, atrair profissionais, modernizar setores críticos e alcançar certificações importantes de gestão e segurança do paciente. Ao mesmo tempo, permitiu equilibrar a relação entre atendimento público e privado: atualmente, cerca de 60% da capacidade é dedicada ao SUS e 40% aos convênios e particulares — proporção que, segundo o superintendente, garante um modelo sustentável.

    “Temos hoje uma ocupação muito alta na área de convênios e particular. É um ‘problema bom’, porque mostra que o hospital se tornou referência e que a estrutura evoluiu”, afirmou.

    Investimentos e expansão: rumo aos 400 leitos

    Com a estabilidade alcançada, a Santa Casa desenvolveu um plano diretor robusto, que deve orientar os próximos cinco anos da instituição. O principal objetivo é ampliar a capacidade do hospital para aproximadamente 400 leitos, atendendo à crescente demanda da macrorregião.

    “A população de mais de 115 municípios desemboca em Maringá. A cidade cresceu, as necessidades aumentaram e nós precisamos crescer juntos”, disse Pereira. O plano inclui obras estruturais, ampliação de áreas estratégicas, novos serviços, atualização tecnológica e integração de ferramentas de inteligência artificial na gestão hospitalar.

    A localização do hospital, em uma área cada vez mais verticalizada da Zona 3, também exigiu planejamento cuidadoso. A Santa Casa adquiriu terrenos ao longo dos anos, o que agora permite projetar novas edificações sem comprometer a operação atual. “Temos espaço para crescer dentro do próprio quarteirão, algo que poucas instituições mantiveram ao longo do tempo”, observou.

    Modernização constante e desafios futuros

    O superintendente afirma que a expansão não se limita à ampliação física. A modernização dos processos internos, a incorporação de novas tecnologias e a qualificação das equipes também fazem parte da estratégia.

    “A inteligência artificial já está entrando com muita força na área da saúde. Para acompanharmos isso, precisamos manter investimentos constantes em equipamentos, estrutura física e segurança do paciente”, acrescentou. A Santa Casa, segundo ele, trabalha para alcançar a certificação de excelência — o mais alto nível da acreditação hospitalar — nos próximos anos.

    Pereira reconhece que os desafios permanecem, especialmente diante do cenário competitivo e das dificuldades de captar mão de obra qualificada. Ainda assim, reforça que a saúde financeira atual permite olhar para o futuro com segurança. “A Santa Casa existe para a comunidade. Crescer, modernizar e ampliar é uma forma de devolver à população aquilo que ela nos confiou ao longo desses 70 anos.”

    A entrevista completa pode ser assistida no canal do Maringá Post no YouTube, e os principais trechos estão sendo publicados ao longo desta semana nas redes sociais do jornal.

    Comentários estão fechados.