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Durante sua participação no podcast Ponto a Ponto, o presidente do Secovi Noroeste, Marco Tadeu Barbosa, trouxe um comparativo contundente sobre o destino dos edifícios antigos nas principais cidades do mundo.
Segundo ele, a forma como cada cultura lida com seu patrimônio imobiliário revela muito sobre o futuro dos centros urbanos — e o Brasil, infelizmente, segue o caminho mais preocupante. E, em Maringá, a situação parece que não será diferente.
Marco faz uma distinção clara: “Na Europa, os prédios são restaurados. Nos Estados Unidos, eles derrubam e constroem tudo de novo. No Brasil… a gente abandona.”
A constatação, simples e direta, abre espaço para uma análise mais profunda. Enquanto cidades europeias preservam edifícios históricos, modernizando estruturas sem perder a identidade, e os americanos optam por recomeçar do zero sempre que necessário, o Brasil vê muitos de seus centros se esvaziarem.
O efeito dominó do abandono
Segundo Marco, quando o centro antigo perde moradores, cria-se uma reação em cadeia difícil de reverter: os imóveis se desvalorizam; as famílias migram para bairros mais novos; os prédios ficam vazios; aumenta a sensação de insegurança; o comércio fecha; e a região se torna uma “terra de ninguém”.
“O centro de São Paulo é o maior exemplo disso. Mas Curitiba, uma cidade muito desenvolvida, também sofreu — e sofre — com esse fenômeno.”
O abandono, reforça ele, é cultural. O brasileiro associa “novo” a “melhor”, e ignora o potencial de modernização dos edifícios antigos.
O retorno ao centro: um movimento que começa a crescer
Apesar do cenário, Marco identifica uma mudança importante, especialmente nos grandes centros urbanos: “Está acontecendo um movimento de retorno ao centro. As pessoas querem morar perto de onde trabalham e buscam apartamentos maiores, mesmo em prédios antigos.”
Essa tendência é impulsionada por fatores como: custo crescente dos terrenos; busca por mais espaço interno; aumento do trabalho híbrido; valorização da localização; diminuição da dependência do carro.
Nos bairros centrais de São Paulo, como Jardins e Higienópolis, o fenômeno já é evidente. A mesma lógica começa a surgir em Curitiba — e, segundo Marco, também chegará a Maringá, embora mais lentamente.
Casas antigas viram clínicas, comércios e residências modernas
Quando fala de casas, Marco destaca que a tendência é ainda mais forte: “Casa é fácil: você reforma, faz retrofit, moderniza. Pode virar comércio, clínica, escritório.”
Ele ressalta que bairros tradicionais de Maringá — como Zona 2, Zona 4 e arredores do Country Club — já têm sido alvo de investidores que compram imóveis antigos, fazem retrofit completo e revendem por valores elevados.
Há, inclusive, quem tenha feito disso um modelo de negócio.
Por que esse debate importa para Maringá
Maringá ainda é uma cidade relativamente jovem, e isso dá à cidade um tempo precioso para evitar o destino de outros centros brasileiros. O alerta de Marco dialoga com temas discutidos em outros momentos do episódio, como a revitalização da avenida Getúlio Vargas e a crescente necessidade de repensar a ocupação urbana.
Se a cidade quiser manter a qualidade de vida que a caracteriza, será necessário: incentivar o retrofit; criar políticas de preservação inteligente; trazer moradores de volta para regiões centrais; evitar que áreas nobres se esvaziem com o passar dos anos.
Diante do crescimento acelerado de Maringá e da explosão de novos empreendimentos, o destino dos imóveis antigos pode ser decisivo para o futuro urbano da cidade.







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