Deputado Ricardo Barros aponta desafios, prevê disputas de 2026 e anuncia investimentos para Maringá

Deputado analisou cenário político nacional, avaliou disputa presidencial de 2026 e anunciou obras estratégicas para a cidade.

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    O deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) foi o convidado do mais recente episódio do podcast Ponto a Ponto, do Maringá Post, apresentado por Ronaldo Nezo. A entrevista, gravada no estúdio V Mark Produtora e Estúdio, percorreu temas como o atual cenário político em Brasília, as projeções para as eleições presidenciais de 2026, a avaliação da gestão municipal de Maringá e uma lista de obras e investimentos estratégicos que, segundo ele, devem transformar a cidade nos próximos anos.

    O vídeo completo está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e também incorporado ao final desta reportagem.

    Críticas a gastos públicos e atuação do Judiciário

    Ao avaliar o momento político nacional, Barros afirmou que parte das tensões em Brasília “são mais narrativa do que fato concreto”. Ele apontou como principal problema o crescimento constante dos gastos do governo federal, aliado à busca por novas fontes de arrecadação, o que encontra resistência no Congresso.

    O deputado criticou o Supremo Tribunal Federal por, segundo ele, adotar um “ativismo político” e desrespeitar prerrogativas do Legislativo. Citou o caso do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que a Câmara derrubou, mas que foi mantido pelo STF. Ele também defendeu o uso de impostos regulatórios — como tarifas de importação — para proteger a indústria nacional, exemplificando com a chamada “taxa das blusinhas” para evitar prejuízos ao setor têxtil brasileiro.

    Para Barros, a discussão sobre gastos públicos precisa ser relativizada. Ele comparou o impacto financeiro da ampliação no número de deputados — criticada por parte da opinião pública — com benefícios concedidos ao Judiciário e decisões do Executivo que, segundo ele, geram despesas bilionárias.

    Relação com cenário internacional

    O deputado também comentou o impacto da política externa dos Estados Unidos sobre o Brasil, relacionando a recente elevação de tarifas a produtos brasileiros a uma reação à decisão do STF que responsabiliza redes sociais pelo conteúdo publicado por usuários. Segundo ele, há pressão de grandes empresas de tecnologia sediadas nos EUA sobre o governo norte-americano.

    Barros destacou ainda que a política tarifária do presidente Donald Trump, inspirada por conselhos de Elon Musk, busca reduzir déficits fiscais por meio de cortes drásticos de gastos e aumento de tarifas. Ele fez um paralelo com o Brasil, onde, segundo afirma, o governo adota postura semelhante de buscar novas receitas para compensar desonerações, como a recente isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

    Eleições 2026: nomes e cenários

    Sobre a disputa presidencial, Barros estima que Lula e a direita representada por Bolsonaro ou um aliado devem manter cerca de 30% do eleitorado cada, enquanto o centro político concentra cerca de 40%. “Um candidato de centro deveria ir para o segundo turno e ganhar a eleição, mas o centro se divide”, afirmou, avaliando que isso tende a repetir o confronto Lula x Bolsonaro.

    Ele citou Tarcísio de Freitas (SP) como o nome mais viável da direita caso Bolsonaro seja impedido de concorrer e apoie o governador paulista. Entre outras alternativas, mencionou os governadores Ronaldo Caiado (GO), Romeu Zema (MG), Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR).

    Para Barros, o governador do Paraná tem potencial competitivo, mas sua viabilidade dependerá do cenário interno da direita: “Ratinho só terá espaço se o candidato não for o Tarcísio”.

    Avaliação da gestão municipal e o “apagão das canetas”

    Ao comentar a administração do prefeito Silvio Barros, seu irmão, o deputado afirmou que a gestão “carece de agilidade” e enfrenta um problema recorrente na máquina pública: o que chamou de “apagão das canetas” — a resistência de servidores a tomar decisões por medo de ações judiciais e perda de benefícios.

    Segundo ele, a lentidão administrativa prejudica a execução de obras e serviços, e parte das restrições vem de recomendações do Ministério Público que limitam a assinatura de pareceres técnicos apenas a servidores concursados. “A atribuição se dá pela qualificação, não pelo vínculo empregatício”, disse.

    Barros defende a criação de núcleos de apoio jurídico para garantir a defesa gratuita de servidores que tomarem decisões de boa-fé, incentivando-os a agir sem receio de punições.

    Obras e investimentos estratégicos

    Ricardo Barros detalhou projetos em andamento ou em articulação para Maringá e região, reforçando que seu foco é a “política de resultados”. Entre eles:

    • Contorno Sul Metropolitano: R$ 380 milhões do governo federal para melhorar o fluxo viário e reduzir o tráfego pesado dentro da cidade.
    • Hospital da Criança: quando plenamente operacional, deve gerar 1.100 empregos e atrair pacientes de toda a região, movimentando a rede hoteleira e de serviços.
    • Ampliação do Aeroporto: nova estação rodoaéreo ferroviária, extensão da pista em mil metros para receber cargueiros de grande porte e criação de polo aeronáutico para manutenção de aeronaves.
    • Polo de medicamentos: negociação com a Sinovac para instalação de fábrica de vacinas no Parque de Saúde Tecnológico, com investimento estimado em US$ 100 milhões.
    • Fábrica de combustível de aviação: R$ 2,5 bilhões de investimento em Sarandi, aproveitando a proximidade com a malha ferroviária para produção a partir do etanol.
    • Rebaixamento da linha férrea: projeto pronto para captação de recursos, com potencial de revitalizar áreas urbanas e melhorar a mobilidade.

    O vídeo completo está disponível no canal do Maringá Post no YouTube e também incorporado ao final desta reportagem.

    Expectativas para 2025

    Barros afirmou que, com apoio de entidades como a Associação Comercial e das universidades locais, será possível acelerar projetos, evitando que a burocracia impeça sua execução até o fim do mandato. Ele defendeu que a gestão pública retome o foco no atendimento à população: “Todos somos pagos pelo contribuinte. Temos que servir o contribuinte, e não ser servidos por ele”.

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