Promessas e mais promessas, mas só prejuízos para quem investiu na imitação do bitcoin da i7 Group. Por enquanto…

Por: - 31 de outubro de 2017
O maringaense André Pucca (à esquerda) CEO da i7 Group, que criou a criptomoeda netscoin

Não se pode dizer que a rede internacional de investimentos i7 Group – que encerrou as operações e negocia com o Ministério Público Federal da 3ª Região – não era agressiva no seu plano de negócios. Tanto que, além de prometer lucros estratosféricos aos seus associados, chegou a criar uma moeda digital própria, batizada de netscoin, que foi colocada à venda para os associados antes mesmo de ser disponibilizada às corretoras.

No lançamento da nova criptomoeda, a promessa da empresa que tinha como CEO o maringaense André Luiz Pucca Bernardi, era de substancial valorização até o final deste ano, o que não ocorreu. Aos primeiros investidores, um netscoin foi vendido a US$ 0,01.  Atualmente, se o portador encontrar quem esteja disposto a comprar, dificilmente fechará negócio por mais de US$ 0,001. Trocando em miúdos, quem investiu US$ 1 mil, hoje tem US$ 100.

Não é para menos que a saúde financeira da criptomoeda não se fortaleceu. A única corretora que opera com o netscoin é a www.monexchan.com, que figura entre os  sites suspeitos que trabalham com moedas digitais – por exemplo com o valorizado bitcoin, na qual Pucca deve ter se inspirado. Há também indícios de que o site  monexchan pertence aos mesmos donos da i7, mas não há comprovação sobre isso.

O certo é que o site informa – o que não quer dizer que seja verdade – que já registrou mais de 12,3 mil transações com a criptomoeda da i7. No entanto, não apresenta publicamente nenhuma tabela de cotações e tampouco fornece informações sobre quando e quem comprou ou vendeu, como ocorre com as corretoras confiáveis que operam com moedas digitais como o bitcoin, que às 14h57 desta terça-feira (30) era cotado a US$ 6.363,66.

Associados alimentam esperanças de reduzir danos

Embora o escritório de advocacia capixaba da  i7 Group tenha enviado nota ao Maringá Post na quinta-feira (26/10) afirmando que parte dos associados já está recebendo parcelas do capital inicialmente investido, não há, até o momento, nenhuma confirmação de saque desde o dia 9 de setembro deste ano, quando surgiram os primeiros sintomas sobre a derrocada dos negócios que prometiam lucros astronômicos.

A agonizante esperança dos associados otimistas respira com a ajuda de aparelhos feitos de comunicados da empresa. As atenções agora estão voltadas para uma data-chave contida na última promessa: a de que o site de atendimento para o plano de ressarcimento aos investidores da i7, do maringaense André Pucca, será apresentado às 23 horas do dia 27 de novembro.

Cerca de 60 mil cotas dos vários tipos de planos ofertados pela i7 foram comercializadas no Brasil. O sucesso das operações financeiras era propagado de tal forma que até uma luxuosa festa de aniversário de 1 ano da empresa estava programada para agitar o Caribe neste outubro. Com o mês encerrado, pode-se dizer que foi mais uma isca entre tantos acenos.

Quanto ao pagamento dos dividendos outrora prometidos pela i7, já não resta nenhuma dúvida: infelizmente foram mesmo para as nuvens, devidamente formalizada pela empresa em um dos seus inúmeros comunicados restritos aos associados.

Uma das promessas da empresa, comprovadamente não cumprida pelo grupo, feita por meio de um comunicado do dia 14 de setembro, era que, desde a suposta invasão de hackers, tudo retornaria ao normal no dia 25 daquele mês, o que não ocorreu até hoje, 31 de outubro.

Comunicado da i7 Group aos associados, enviado no dia 14 de setembro deste ano

Um conterrâneo de Pucca, que prefere não ser identificado para evitar indisposições com o seu grupo no WhatsApp, que conta com 200 investidores, resume a sua situação, comum aos demais: “Estamos com nosso capital totalmente parado na i7 Group desde o começo de setembro. Os saques demoravam dez dias úteis para cair (na conta do associado) e os solicitados a partir do dia 9 de setembro não foram efetivados”.

Para entender melhor como funcionava o negócio da i7 Group, vamos continuar com o exemplo do programador de computador anônimo, de 30 anos e residente em Maringá. A promessa era a de que, investindo R$ 6.761,70 no plano President, incluindo aí a taxa de adesão (R$ 165,00), ao final de 52 semanas (um ano), ele teria um lucro liquido de R$ 24.618,00.

Planos de investimentos da i7 Group: quem comprava uma cota e indicava um novo investidor era remunerado

A suspeita de que o negócio se sustentava com o conhecido esquema de pirâmide – o caso está sob sigilo no Ministério Público Federal da 3ª Região, em Vitória (ES) – é que, se o investidor indicasse uma venda consolidada, ele ganhava, no caso do Plano President, US$ 200,00. Se vendesse duas, o dobro, e assim por diante.

“Eu que vendi várias cotas acreditando na empresa e vestindo a camisa, hoje estou sofrendo até ameaças, mesmo não tendo nada a ver com a i7. Apenas acreditei que seria um negócio próspero, assim como muitos outros associados que investiram suas economias”, afirmou o técnico em informática. Histórias como essa são contadas aos montes nas redes sociais.

Os associados também se queixam da falta de informações fornecidas pelo escritório de advocacia contratado pela empresa quando ligam para o Espirito Santo. “Se tiver sorte, eles enviam e-mails ou recado no WhatsApp refazendo as promessas já enviadas”, observa um associado de Santa Catarina, que igualmente teme ser perseguido.

O advogado da i7, Sérgio Carlos de Souza, disse ao Maringá Post que não pode conceder entrevista porque as investigações do Ministério Público Federal da 3ª Região se encontram sob sigilo. Ele assegurou que André Pucca permanece no Brasil, mas também não pode dar nenhuma declaração por enquanto.

Ministério Público Federal atesta que está em conversação com a i7 Group

Comunicados aos associados da i7 Group

Os advogados de Vitória (ES) contratados pela i7 e a própria empresa enviaram vários comunicados aos associados da i7, no site, por e-mail ou WhatsApp. Seguem alguns deles:

Comunicado emitido no dia 30 de setembro, no próprio site da i7

“Recentemente, informamos sobre as investigações conduzidas pelas autoridades brasileiras, bem como a respeito das tratativas iniciadas junto ao Ministério Público Federal, a fim de cumprir todas as nossas obrigações com nossos afiliados. Evoluindo as primeiras declarações feitas, considerando a transparência e honestidade com que nos colocamos em relação a cada afiliado, segue certidão emitida pelo Ministério Público Federal, comprovando o que tem sido por nós declarado.

Afirmamos que a suspensão das operações da i7Group são apenas temporárias pra cumprir as determinações das autoridades brasileiras, adequando-se ao que nos está sendo imposto para podermos continuar funcionando como consultoria. Importantíssimo ressaltar que isso restringi-se única e exclusivamente ao Brasil, continuando normalmente todas as atividades operacionais da i7Group internacional nos demais países do mundo.

Visando melhorar as ações de reembolso das compras feitas por nossos afiliados que não recuperaram o valor utilizado na compra dos cursos, contratamos os serviços do escritório Carlos de Souza Advogados, que já criou uma estrutura completa para fazer o atendimento, esclarecer as dúvidas e dar o suporte jurídico necessário a todos os afiliados, incluindo um call center e toda uma equipe multifuncional para melhor atender cada pessoa.

A partir de segunda-feira, todos os contatos para reembolso deverão ser feitos através do e-mail [email protected] Todos os emails enviados anteriormente devem ser reenviados para o e-mail acima. Outros meios de comunicação, como telefone, WhatsApp e chat on line serão informados nas próximas horas pelo escritório de advocacia”.

Comunicado enviado pelos advogados por whatApp no dia 2 de outubro de 2017.

“Comunicamos aos investidores da i7 Group que o Plano de Ressarcimento dos valores originariamente investidos, inicialmente previsto para ser divulgado sexta-feira (6/10/2017), não foi em função da complexidade da elaboração da adequação do montante a ser ressarcido, à realidade financeira da i7 Group.

A equipe da i7 Group está e continuará trabalhando arduamente durante todo este final de semana, em busca de uma solução que atenda o objetivo maior, que é ressarcir os investidores dos valores originariamente investidos, e tais trabalhos, se necessário for, serão estendidos por quantos dias forem precisos, até que a i7 Group consiga encontrar a melhor forma de honrar o compromisso que assumiu junto aos investidores, no sentido de ressarcir os investidores dos valores originariamente investidos.

A i7 GROUP ressalta que ressarcir valores originariamente investidos, significa devolver os valores que foram empregados diretamente ao i7 Group e que estejam comprovados através de recibos de depósito e/ou transferências.

Ressalta-se ainda que todo aquele que já tiver recebido dividendos superiores ao valor originariamente investido, nada mais terá a receber.

Por fim, a i7 Group assegura que está trabalhando com transparência em busca da solução do impasse e pede tranquilidade aos investidores, na certeza de que tudo será resolvido consensualmente”

Último comunicado enviado até esta terça-feira (31/10)

“A i7 Group espera ter um plano de ressarcimento dos valores investidos, líquidos, ou seja, deduzidos de eventuais saques de rendimentos, até o final desta semana.

Desde já adiantamos que o ressarcimento será feito parceladamente, mas ainda não temos o teor do parcelamento para passar.

Favor nos enviar pelo e-mail [email protected], os seguintes documentos: RG, CPF, login, especificar a cidade que fez a operação e os comprovantes de depósitos”.

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