No início da década de 1990, não havia sequer caixa eletrônico nas agências bancárias. E o pior: determinados bancos atendiam a públicos específicos, mas deixavam a desejar no atendimento a outros segmentos. Pequenos e médios comerciantes, por exemplo, viviam descontentes com o suporte que tinham nas instituições financeiras bancárias. Isso mudou em 2001, com o surgimento do Sicoob Central Paraná.
O comércio paranaense nunca mais seria o mesmo. Em um mundo em constante transformação, o Estado também assistiu a uma verdadeira revolução acontecer com a consolidação de agências bancárias ligadas ao sistema cooperativista de crédito. E tudo isso começou em Maringá, graças ao olhar de lideranças ligadas à Associação Comercial e Empresarial de Maringá, a Acim.
A semente plantada em Maringá
“Nós, empresários e comerciantes, tínhamos boa entrada no Sicredi, mas o formato daquela cooperativa de crédito estava mais desenhado para quem atuava no agronegócio. No final dos anos 1990, eu era presidente da Acim e detectei, graças a pesquisas de mercado, esse tipo de insatisfação do pequeno e médio comerciante. Resolvemos pensar em uma solução e descobrimos o modelo Sicoob de atuação”, recorda-se o empresário Jefferson Nogaroli.
Nogaroli e também o empresário Luiz Ajita idealizaram e fundaram, em 1999, a então Sicredi Metropolitano, que alguns anos depois passou a se chamar Sicoob Metropolitano. Atualmente, a cooperativa central sediada em Maringá é Sicoob Central Unicoob, gera em torno de 1,2 mil empregos para a cidade e é responsável por quase 500 agências bancárias que atuam no Estado, oferecendo suporte e condições atraentes para que comerciantes possam alavancar seus negócios e, consequentemente, manter aquecido o Paraná.

O cooperativismo impulsiona o varejo paranaense
Quase 25% dos empregos paranaenses são criados graças ao setor do comércio, aponta o IBGE. Em 2024, o crescimento anual ultrapassou a média nacional, e no primeiro semestre de 2025, o varejo paranaense avançou três vezes mais rápido que a média brasileira. E isso passa pela força do associativismo e do chamado terceiro setor.
O diretor-presidente do Sicoob Central Unicoob, Márcio de Sousa Gonçalves, veio de São Paulo para atuar como CEO em Maringá. E revelou à reportagem do Maringá Post sua admiração pelas associações comerciais do Paraná.
“Graças ao viés do empreendedorismo, a grande maioria das cooperativas e agências do Sicoob abertas no Paraná só se tornou uma realidade quando as associações comerciais daqueles municípios ‘compraram a briga’ e fizeram acontecer”, revela o CEO, citando como grande exemplo a ousadia do presidente e de vices-presidentes da Acim à época em que o Estado conquistou uma cooperativa central de crédito, sediada até hoje em Maringá.

De três cooperativas a um sistema central
Nogaroli se recorda das dificuldades burocráticas para inaugurar a Sicoob Central na cidade: via de regra, seriam necessárias no mínimo três cooperativas singulares debaixo do guarda-chuva da cooperativa central. “Pé na estrada: uma cooperativa em Maringá já tínhamos, e então conquistamos para a cooperativa central outras unidades em Francisco Beltrão, Dois Vizinhos e Foz do Iguaçu”, afirma.
Depois disso, Nogaroli seguiu na presidência da Acim e coube a Luiz Ajita tocar o desafio na Sicoob Cooperativa Central. Ele foi o primeiro presidente e grande responsável pela política de convencimento da importância de haver nos municípios o associativismo de crédito atuante em benefício do comércio, dos empresários, comerciantes e principalmente da população.
“O Ajita fez um trabalho de ‘formiguinha’, convencendo cada um dos presidentes de inúmeras associações comerciais do Paraná a vestir a camisa do cooperativismo de crédito. Deu muito certo”, comemora Nogaroli. “Hoje, em nível nacional, existe apenas o Sicoob atuando como instituição financeira em 416 municípios. Isso é muito significativo não apenas para o desenvolvimento do Paraná, mas de todo o País”, opina o CEO do Sicoob Central Sicoob.

Cooperativismo como regulador de mercado
Também em entrevista exclusiva ao Maringá Post, César Ricardo Lazarino, diretor de Risco e Conformidade do Sicoob Central Unicoob, lembrou outro grande benefício do sistema associativista de crédito e que hoje permite ao Estado assistir a uma grande transformação em benefício de todos os 11,8 milhões de paranaenses: a regulação do mercado financeiro.
“Além dos benefícios para colaborador e cooperado, o sistema associativista de crédito acaba sendo um regulador de mercado. Se fossem apenas bancos tradicionais, as taxas poderiam ser mais altas, pois a concorrência no mercado é muito importante: a pessoa pode migrar de um banco tradicional por conta de taxa, e isso obriga o banco tradicional a repensar suas taxas e benefícios de clientes”, considera Lazarino, que atua há 22 anos no Sicoob.

O ‘Robin Hood ao contrário’ que muda cidades
Para Nogaroli, o Sicoob e outras cooperativas em atividades no Paraná, como Sicredi, Cresol e Unicred, atuam como um “Robin Hood ao contrário”.
“O nosso sistema financeiro faz circular mais dinheiro em cidades pequenas, em pequenas empresas, mas gravita por grandes centros, para a Avenida Paulista. Essa espécie de drenagem do dinheiro é muito importante. Em locais onde nem há interesse de grandes instituições financeiras, o sistema de crédito associativista está presente, e oferecendo qualidade e oportunidade do mesmo jeito.”
Para o empresário, que já foi presidente do Sicoob Central e também da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), a missão cooperativista é oposta à missão das entidades privadas financeiras.
“Buscamos baixar o custo financeiro para os cooperados, e isso regula o mercado e torna mais barato o custo do crédito. Desta maneira, nós estamos transformando o Paraná há mais de 25 anos”, opina Nogaroli.

FATOS E NÚMEROS
• 30 cooperados na fundação do Sicoob Cooperativa Central e R$ 26 mil de capital
• 817 mil cooperados atualmente, 466 agências do Sicoob no Paraná e R$ 25 bilhões em ativos
• Sicoob reconhecida como a marca cooperativa mais valiosa do Brasil, 13ª no ranking nacional
• Maringá é oficialmente Capital Nacional do Associativismo, por lei aprovada na Câmara dos Deputados
• Piso mínimo regional no PR varia entre R$ 1.984 e R$ 2,2 mil; no Sicoob Central, o funcionário de entrada inicia com cerca de R$ 5 mil mensais (incluindo vale-alimentação)






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