Ex-secretário de Saúde do Paraná diz que é possível controlar a dengue

A Secretaria de Estado da Saúde publicou o boletim semanal da dengue nesta terça-feira (03). Maringá confirmou 693 novos casos e dois óbitos recentes. 

Ex-secretário de Saúde do Paraná e do município de Londrina, Gilberto Martin é sanitarista e especialista em saúde pública e falou com exclusividade à reportagem do Maringá Post. Ele explicou que a dengue é uma doença que acompanha a nossa sociedade há tempos e já poderia ter sido controlada.

Veja a entrevista em vídeo.

(Abaixo do vídeo, seguem outras informações)

No Paraná, o último pico de casos de dengue foi entre 2019 e 2020, com quase 230 mil casos confirmados na época e 177 óbitos.

O  médico explica que o processo de proliferação do aedes aegypti é intenso e contínuo, e existem quatro tipos de vírus da dengue.

Atualmente predominam a contaminação por dengue tipo 1 e tipo 2. No Paraná 91% dos casos são de dengue tipo 1, isso significa que os tipos de vírus tem se repetido e se mantido sob processo de infecção viral contínua.

Ele explica que existem três ondas quando se trata da dengue: a primeira é a proliferação do mosquito, a segunda são os casos confirmados e a terceira são os óbitos.

A doença tem um comportamento previsível esperado. O doutor ressalta que a obrigação de todos, como sociedade, é agir na primeira onda, no controle do mosquito

Um dos perigos da dengue

Após a contaminação por um tipo de vírus da dengue, o paciente fica imunizado deste tipo, mas continua vulnerável aos outros.

Se o paciente se contamina uma segunda vez, com um tipo de vírus diferente, existe a possibilidade dos anticorpos que ele possui, que são para o outro tipo de dengue, desenvolverem um caso mais grave, potencializando o risco do quadro que se conhece por dengue hemorrágica.

O mosquito é o grande problema e único transmissor da dengue, ou seja, o controle dele levaria ao controle total da doença.

Controle

Mas por que ainda não conseguimos controlar o mosquito? O doutor Gilberto diz que são vários motivos:

O mais básico é o fato do Brasil ser um país tropical, com muito calor e chuva, e a questão climática está fora do alcance das pessoas.

No entanto, o “esquecimento” da população com relação ao mosquito, torna mais “fácil” de existir focos de reprodução que nós podemos evitar, como por exemplo piscinas descobertas e embalagens e recipientes com água parada.

No inverno há a diminuição da proliferação do mosquito, Martin defende que principalmente nessa época é que deveríamos intensificar o lembrete da doença e do combate ao mosquito.

Segundo ele, devemos entender que a dengue é um problema nosso, como um todo, que pode existir e se proliferar em qualquer bairro, região e casa.

Sintomas e tratamento

A dengue é uma virose e os sintomas de fase inicial são os comuns de virose, como febre, dor de cabeça, dor no corpo, dor atrás dos olhos, indisposição e falta de força.

De acordo com o sanitarista, ao mesmo tempo que a doença é fácil de ser tratada, também é muito perigosa, porque o atendimento deve ser realizado muito rápido, de preferência após o paciente sentir o primeiro sintoma. Ou seja, quanto mais rápido obter o diagnóstico e começar o tratamento, melhor.

Os sinais de alerta são: sangramento, nos olhos, gengivas, “pontos” de sangramento na pele

Doutor Gilberto ainda ressalta que, o recomendado no quadro atual de epidemia de dengue e pandemia de covid-19 é buscar atendimento médico logo nos primeiros sinais virais, mesmo que estejam leves.

Zika e Chikungunya

As doenças zika e  chikungunya também são transmitidas pelo mesmo mosquito que transmite a dengue, o aedes aegypti.

Até o momento, são 57 notificações de zika vírus, mas nenhum caso confirmado, e 210 notificações e 12 casos confirmados de chikungunya.

Os sintomas da chikungunya são os mesmos sintomas virais da dengue, com exceção da hemorragia. No entanto a doença provoca dores fortíssimas nas articulações, e diferente da dengue, que se bem tratada passa após sete dias e o paciente se recupera, as dores da chikungunya podem ser permanentes, ou seja, as dores articulares intensas e a limitação de movimento pode durar para o resto da vida.

Quanto a zika, o maior problema é a contaminação de gestantes, pois a doença pode causar aborto espontâneo, óbito fetal ou microcefalia no bebê.

É recomendado que gestantes utilizem, nos picos de proliferação, repelente e telas protetoras nas janelas para evitar a entrada do mosquito.

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