Até o dia 11 de dezembro deste ano, Maringá registrou 500 boletins de ocorrência por crimes de abuso, violência e maus-tratos contra crianças e adolescentes, além da prisão de 50 acusados de praticar crimes contra menores – a grande maioria, homens que estavam inseridos no núcleo familiar das vítimas.
Os dados foram divulgados pelo Nucria (Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes) de Maringá, chefiado pela delegada Karen Friedrich.

ESCUTA ESPECIALIZADA
Outro dado importante é o de escutas especializadas realizadas pelos profissionais da segurança pública. Nos doze meses deste ano, 400 escutas referentes à vítimas e testemunhas, sendo crianças e adolescentes, foram executadas pelo Nucria, em conjunto com a Delegacia da Mulher e a Delegacia do Adolescente.
“Neste ano de 2025 foram realizadas 50 prisões, a maioria decorrentes de sentença condenatória com trânsito em julgado de inquéritos policiais que tramitaram no Nucria […]. Além disso, realizamos prisões em flagrante referentes à violência física, descumprimento de medida protetiva e crimes sexuais. Foram realizadas, ainda, prisões preventivas referentes a inquéritos recentes que tramitam na unidade. Outras medidas foram diligências de busca e apreensão principalmente para apreender aparelhos de telefone celular e equipamentos para localizar material pornográfico infantil.”
A delegada ainda afirma que a grande maioria – cerca de 90% – dos crimes de abuso e violência sexual contra crianças e adolescentes ocorrem dentro da própria família, por pessoas conhecidas ou próximas.
“A maioria dos crimes sexuais, acredito que 90 por cento ou até mais, ocorrem no âmbito familiar ou por pessoas conhecidas de confiança da vítima ou da família. Então, às vezes, se não está inserido exatamente no contexto familiar, temos diversos casos, por exemplo, de importunação sexual praticada na escola por professor, ou às vezes por vizinho, um amigo da família, um padrinho.”
MAIS PROCURA
A delegada Karen comenta sobre o aumento do número de vítimas que têm registrado boletins de ocorrência. Ela destaca que as pessoas têm se sentido mais à vontade para procurar a ajuda da polícia.
“O número de registros de boletim de ocorrência vêm crescendo a cada ano, não somente a violência sexual, mas a violência física, principalmente, o crime de lesão corporal qualificado pela violência doméstica e o crime de maus-tratos. Eu acredito que esse crescimento é por causa da divulgação, de que nós temos uma delegacia especializada. Que temos um atendimento voltado para atender a vítima, com psicólogas capacitadas, que vão realizar escuta especializada.”

Karen Friedrich destaca o papel crucial que as escolas e os profissionais da educação têm no apoio à crianças e adolescentes na hora de notificar possíveis casos de violência.
“Também percebemos que as escolas têm notificado bastante. O olhar atento dos profissionais da educação tem feito com que muitas crianças e adolescentes saiam de uma situação de violência tanto física como sexual, quando notificam esse fato à delegacia.”
DESDE 2018
Inaugurado em 2018 em Maringá, a delegacia especializada acolhe, mensalmente, dezenas de crianças e adolescentes vítimas de abuso e violência – psicológica, física ou sexual. Sete anos depois da implementação, o Nucria conta, hoje, com uma equipe maior e mais estruturada, com policiais civis – delegada, investigadores e escrivães -, psicólogos e assistente social.
“Em 2018, quando a delegacia inaugurou, tínhamos uma psicóloga, depois conseguimos outra, mas [no início] era uma escrivã uma delegada e dois investigadores, né? Então, hoje nós já temos psicóloga do Estado, temos assistentes social e muitos outros servidores, que também foram designados para trabalhar na unidade. Então, o nosso efetivo mais que dobrou. E isso também faz com que a gente consiga ter um atendimento melhor, mais humanizado […]”, afirmou a delegada.
CENÁRIO POSITIVO DA SEGURANÇA PÚBLICA NO PARANÁ
O ano de 2025 foi de recordes na segurança pública paranaense. De acordo com dados do Atlas da Violência, o Paraná apresentou a segunda maior queda na taxa de homicídios do país, com uma queda de 15,2% nos índices de mortalidade entre os anos de 2023 – atrás apenas do Rio Grande do Norte, que observou uma queda de 18,8%.
Ainda segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), o Paraná também apresentou redução entre os crimes contra a dignidade sexual neste ano. O número de estupros caiu de 3.814 para 3.100, uma diminuição de 18,7%. No geral, os crimes contra a dignidade sexual registraram queda de 11,54%, passando de 6.670 ocorrências em 2024 para 5.900 em 2025.
São considerados crimes contra a dignidade sexual o estupro, assédio sexual, importunação sexual e o favorecimento da prostituição ou exploração sexual de vulnerável. Todos esses crimes estão tipificados no código penal brasileiro, e suas penas variam entre seis meses (registro não autorizado de intimidade sexual) até 15 anos de reclusão (estupro de vulnerável).
Em casos de violência ou abuso, disque 100. Para falar diretamente com o Nucria de Maringá, ligue (44) 99155-3936 ou (44) 3255-3936.









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