Por Wilame Prado
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Um homem gentil deixou flores, pacotes com uvas frescas, verduras de horta orgânica e um bilhetinho para a filha e netos numa manhã de domingo ensolarada em Maringá. Preferiu não bater na porta para não acordar os seus. E colocou com capricho aquele arranjo transbordando carinho no guincho da porta com todo cuidado antes de sair de fininho do prédio. Ela não precisava de atenção ou mesmo de um “obrigado, pai”. Ele precisava apenas ser gentil.
Um homem gentil elogiou o garoto vestido de Homem-Aranha porque teve a sensibilidade de entender o universo das crianças: na cabeça do pequeno, ele era sim um super-herói e isso foi suficiente para ambos, homem gentil e criança, trocarem poderes fantásticos naquele elevador e teve tanta sintonia que eu quase vi de verdade teias do Spider Man grudadas no espelho, na porta metálica, nos botões que nos levam para os andares do condomínio, do -1 até o 17.
Um homem gentil caminhou com suas sandálias de Jesus Cristo pelas ruas calmas de uma cidade que acertou quando resolveu bloquear o fluxo de carros ao redor do Parque do Ingá, e teve tanta gente feliz no horizonte do seu olhar naquele domingo que ele pensou com muita sabedoria: a vida é bela, apesar das surpresas, das fatalidades e dos acontecimentos que muitas vezes poderiam nos levar à ruína, à tristeza, a uma depressão forte e paralisante.
Um homem gentil, durante discursos, opta em revelar a beleza de alguns livros, do cheiro da rosa ou evidenciar a importância de debater em vez de brigar: chegou a vez dele de falar na tribuna, um lugar de fala que representa uma população, moradores, pessoas que ainda querem acreditar na política e nos candidatos que pensam menos no cargo e mais na representatividade representada pelo ato legítimo e democrático do voto.
Pacífico, um homem gentil não é tolo. Engana-se quem pensa assim. A estratégia é acreditar numa vida que pode e deve ser melhor, afinal precisamos evoluir, precisamos de progresso e de rupturas para que o status quo seja questionado, colocado em xeque. A sensibilidade trazida pela experiência, pelos cabelos brancos e pelas camadas do existencialismo que é viver fazem de um homem gentil o representante da sabedoria. Um sábio, e isso ele agradece à educação dos mais velhos e às décadas em cima do bom e velho tablado: ser professor é aprender diariamente com o sagrado ato de ensinar.
Homem gentil, fica aqui o meu recado: primeiramente, obrigado pelo exemplo; e um pedido para que jamais desista da gentileza, o mundo está caótico, desanimando tanta gente, fazendo homens e mulheres optarem pelo confronto, pela briga, pela guerra. Mas a bondade sempre vence, e um homem gentil sempre, sempre, será respeitado em qualquer lugar, em qualquer profissão, em todas as famílias, amém.









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