Cuidado: golpistas estão de olho nos seus dados pessoais

Usuários devem ficar ainda mais atentos em épocas em que o volume de ofertas e compartilhamento de dados aumenta, como a Black Friday.

  • Usuários devem ficar ainda mais atentos em épocas em que o volume de ofertas e compartilhamento de dados aumenta, como a Black Friday.

    Já reparou que para baixar aplicativo, acessar conteúdos ou até mesmo conseguir ofertas de produtos os sistemas solicitam um universo de dados pessoais? Mas será que eles são realmente necessários para esta finalidade? Aliás, é seguro repassar tantas informações por aí?

    Assim como ocorre em todo o mundo, o brasileiro deixa a cada dia um rastro de dados digitais ao navegar pela internet e, muitas vezes, não se dá conta do risco que este comportamento representa. Com a Black Friday chegando, então, é bom redobrar os cuidados. Pesquisa realizada pelo Google com o instituto Ipsos aponta que 71% dos entrevistados pretendem comprar nesse período. Se o e-commerce seguir a tendência de crescimento, os números devem ser mais uma vez significativos. Nas vendas online, relatório da NielsenIQ registrou alta de 5% em 2021 em comparação com o ano anterior.

    Para se ter uma ideia, especialistas avaliam que os dados do cartão de crédito caírem em mãos erradas pode representar um prejuízo menor do que ter os dados pessoais utilizados por criminosos. Isso porque, no primeiro caso, a chance do banco agir é maior ao suspeitar de transações indevidas.

    O correntista também receberá alertas através de mensagens sobre compras realizadas sem o seu conhecimento e, com isso, conseguirá ligar imediatamente para a instituição financeira cancelando toda a operação.

    Do outro lado, isso não ocorrerá se dados pessoais, CPF, RG, endereço, data de nascimento, forem utilizados por criminosos, alerta a advogada especializada em Direito Digital, Elaine Keller.

    Para ela, é quase impossível descobrir seu rastro digital. E, quando hackers e golpistas conseguem acessá-los, preparem-se para estragos e dor de cabeça. Eles poderão ser usados para abrir contas bancárias, iniciar empresas, para compra de mercadorias e serviços, para criar perfis falsos em redes sociais, entre outras situações. “Através do acesso aos dados pessoais de uma pessoa, é possível burlar os sistemas de bancos e lojas, alterar informações como por exemplo endereço de entrega de mercadoria, trocar senhas de acesso a sites e serviços, acessar o perfil nas mídias sociais e serviços de mensagerias, como o WhatsApp”, diz a

    especialista.

    Alerta e dicas Portanto, é sempre importante não compartilhar informações com pessoas e empresas sem que haja segurança cibernética comprovada. E como saber se a empresa é segura? Comece questionando a finalidade dos dados solicitados. Evite compartilhamentos desnecessários. Esta é uma atitude segura para evitar futuras fraudes

    Diana Tropper, DPO da Único, reforça que é preciso ter consciência do valor dos nossos dados. “Usamos informações pessoais como uma porta de entrada para diversas atividades do nosso dia a dia. Assim, se você compartilhar seus dados com uma empresa que não possui camadas de seguranças robustas, eles podem ficar expostos e aumenta a chance de serem acessados por outras pessoas que não tem relação com essa empresa, e podem acabar sendo utilizados para fraudes, como abertura de contas, realização de empréstimos entre outros”, explica.

    Você compartilha a chave de sua casa com qualquer um? O mesmo deve acontecer com os dados pessoais, principalmente no mundo virtual. “Geralmente, as pessoas tomam conhecimento de que seus dados pessoais estão sendo utilizados em práticas criminosas tarde demais”, avisa Elaine.

    O que as vítimas podem fazer?

    Em casos de golpe é importante procurar uma delegacia de polícia para registrar um boletim de ocorrência, entrar em contato com as instituições financeiras e outras empresas que tenham sido envolvidas para esclarecer o problema.

    “A melhor forma de evitar a fraude com uso de dados pessoais é ter muita cautela ao dar acesso a eles. Só forneça os dados estritamente necessários quando forem solicitados e procure se certificar que a empresa e/ou pessoa que está lhe prestando um serviço ou vendendo um produto respeita a Lei Geral de Proteção de Dados em vigor no Brasil há dois anos”, diz a advogada.

    A LGPD, no artigo 18, garante aos titulares de dados pessoais direitos como, por exemplo, anonimização, bloqueio ou eliminação de dados desnecessários, excessivos ou tratados em desconformidade; informações sobre compartilhamento e tempo de guarda e se estão sendo mantidos de forma atualizada, entre outros.

    Em caso de descumprimento desses direitos, as pessoas podem registrar uma notificação no site da Autoridade Nacional de Proteção de Dados , informar a empresa e, em última instância, acionar a justiça.

    Foto: FreePik

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