Em dia com o nosso tempo: O mapa da alma da mulher

Uma reflexão sobre o mistério, a força e o fascínio feminino no Dia Internacional da Mulher

  • Tempo estimado de leitura: 6 minutos

    Por Edson Calixto Junior

    Mulheres são assim. Seres perturbadores, que parecem, como diz o famoso best-seller, ter vindo de Vênus ou de algum outro planeta fora da Via Láctea. E quanto mais tentamos compreendê-las, mais descobrimos que elas foram feitas para serem amadas. Penso que, num futuro não muito distante, elas dominarão o nosso planeta com esse charme arrebatador e uma força absolutamente inquestionável.

    As mulheres que fazem parte da minha vida são um exemplo claro desse fascínio.

    Minha mãe sempre foi, desde cedo, o meu maior suporte. Nos momentos mais difíceis, ela esteve presente. Começou a trabalhar muito jovem, consolidou-se no magistério, tirou um tempo para advogar, mas sempre teve como principal qualidade a incansável dedicação aos filhos — e até hoje é assim. Mesmo quando enfrentou um terrível câncer, há alguns anos, continuou sendo a mulher de fé inabalável que sempre foi.

    Seu lado família é tão marcante que, sendo advogada na área de família, invariavelmente acabava reaproximando casais que chegavam ao escritório em litígio. Essa é dona Mirilandes: a professora, a doutora, mas, acima de tudo, a mãezona que qualquer filho gostaria de ter. Se tivesse que escolher uma música para representá-la, seria certamente uma daquelas canções inesquecíveis do grande Bituca, que falam de força, fé e da incrível capacidade de continuar acreditando na vida.

    “Quem traz na pele essa marca

    Possui a estranha mania

    De ter fé na vida

    Mas é preciso ter força

    É preciso ter raça

    É preciso ter gana sempre”

    Por outro lado, minha esposa é aquela mulher corretíssima, sempre empenhada em fazer a coisa certa e ajudar quem precisa. Quando a conheci, há mais de três décadas, ela namorava meu melhor amigo na ocasião. Meu coração pulsou forte — e quatro anos depois começamos a namorar.

    Com o passar do tempo percebi que fiz uma das melhores escolhas da minha vida (as más línguas dirão que fui eu quem acabou sendo escolhido).

    Cristiane é uma mulher determinada, mãe exemplar e profissional acima da média. Às vezes se indigna com certas situações, às vezes muda de humor de uma hora para outra, fica irritada e eu, como bom para-choque, acabo absorvendo o impacto. Mas, na maioria das vezes, é o coração dela que fala mais alto.

    Tudo isso se soma ao seu lado resiliente. Assim como minha mãe, essa guerreira também venceu um câncer há cerca de um ano. Se fosse para traduzi-la em música, eu lembraria de uma das mais belas belas composições de Erasmo Carlos que celebram a força e o encanto das mulheres.

    “Eu que faço parte da rotina de uma delas

    Sei que a força está com elas 

    Vejam como é forte a que eu conheço

    Sua sapiência não tem preço

    Satisfaz meu ego, se fingindo submissa

    Mas no fundo me enfeitiça”.

    E se você acha incomum, sim, também preciso falar da minha sogra, a quem considero minha segunda mãe.

    Ela é daquelas figuras raras que se preocupam com todo mundo — menos com ela mesma. De tempos em tempos eu digo à dona Nerci que, se ela não for para o céu, ninguém vai. Essa mulher, pé-vermelho, nascida na região rural de Londrina, no norte do Paraná, é uma das pessoas mais honradas que já conheci.

    Nunca teve muitas posses, enfrentou sérios problemas familiares ao longo da vida, mas sempre permaneceu de pé. Criou quatro mulheres maravilhosas e conseguiu replicar em todas elas o mesmo caráter extraordinário. É, sem dúvida, uma verdadeira mulher de D’us. E para falar dela, lembro de uma canção contemporânea que celebra exatamente isso: a força feminina, a capacidade de cair, levantar e seguir em frente sendo dona da própria história. Iza canta assim:

    “Me perdi pelo caminho

    Mas não paro não

    Já chorei mares e rios

    Mas não afogo não

    Sempre dou o meu jeitin

    bruto, mas é com carin

    Porque Deus me fez assim

    Dona de mim.”

    Pois é. Talvez seja exatamente aí que esteja o grande mistério.

    Como já cantou Zé Ramalho em uma de suas obras mais poéticas, a mulher muitas vezes parece caminhar entre extremos — entre a serpente e a estrela. Decifrá-las nem sempre é tarefa simples. Em questão de minutos, elas podem nos levar do céu ao inferno… e do inferno de volta ao céu. Mas talvez seja justamente isso que as torna tão fascinantes.

    Nós, homens, passamos boa parte da vida orbitando ao redor desse universo feminino — tentando entender seus sinais, seus silêncios, seus gestos e seus sentimentos. Até porque, muito provavelmente, elas são os seres mais sublimes de toda a criação.

    Costumo dizer, com certa frequência, que no fundo, no fundo — sendo bem sincero — são elas quem verdadeiramente detêm o poder. Mas também sempre acrescento uma ressalva: no dia em que elas descobrirem essa grande verdade, nós, homens estaremos definitivamente perdidos.

    Enquanto isso não acontece, seguimos tentando decifrar esse grande enigma da existência humana. Porque no final das contas, o que todo homem quer é exatamente isso: descobrir, ainda que em doses homeopáticas, o verdadeiro mapa da alma da mulher.

    EDSON CALIXTO JUNIOR é escritor, teólogo e jornalista. Trabalhou na Rádio CBN, Diário do Rio Doce e Rede Novo Tempo de Comunicação. Foi assessor de imprensa na Assembleia Legislativa do Paraná (2003 – 2010). Bacharel em Administração de Empresas pela FGV, com MBA em Gestão, atualmente é servidor público federal.

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