Noite feliz: em pleno outubro

O milagre natalino antecipado se deu de uma forma totalmente despretensiosa, uma noitinha qualquer, uma noite feliz, daquelas que você não apostaria que nada do cotidiano habitual fosse de fato acontecer.

  • 2025 tem sido o ano mais triste de todos. Mas tive uma noite feliz, finalmente.

    Ainda que antes de o Natal chegar, tive uma noite feliz e talvez tenha comprovado que há sim o Deus do amor. Quem dormiu em paz fui eu, mas espero que Jesus também.

    Era primavera e o vento que batia era dengo e conforto para nós: a melhor sensação térmica sentida há anos por qualquer um daquele ambiente, certamente.

    O milagre natalino antecipado se deu de uma forma totalmente despretensiosa, uma noitinha qualquer, daquelas que você não apostaria que nada do cotidiano habitual fosse de fato acontecer. Mas aconteceu: Ó Jesus, Deus da luz!

    Às terças mortas, numa cidade morta, numa família morta, houve luz, e houve Ele, só pode ser isso!

    Seria um sinal? Ou mero golpe do acaso? Como pode isso acontecer dentro daquele mesmo teto em que, até ontem, tudo era guerra fria, cancelamentos, olhares baixos, vidas vazias?

    O milagre natalino antecipado se deu de uma forma totalmente despretensiosa, uma noitinha qualquer, daquelas que você não apostaria que nada do cotidiano habitual fosse de fato acontecer.

    Como num milagre de Natal antecipado, os gestos de todos nós passaram a ser voluntariosos. A gentileza retornou ao lar sem bater na porta, sem chamar a atenção, sem pedir licença. Demonstrando talvez que não nos resta nada a não ser afeto e bem-querer, independentemente do que foi, do que é e do que será. Jesus, Salvador?

    Salvador: o “te amo” do filho ao dar boa noite. Talvez a melhor coisa da vida poder viver isso!

    Salvador: ela cozendo legumes para os potinhos do caldo dele para congelar e cuidando da saúde de quem efetivamente está precisando de cuidados.

    Salvador: ele deixando pronta a marmita dela de amanhã e preparando o jantar com tanto carinho para todos.

    Salvador: a prima topando tirar as pontas e os excessos do cabelo dele, que um dia quase teve vaidades. Há quanto tempo não se sentia cuidado por alguém?

    Salvador: a primeira aula da pequena criança no jiu-jítsu e ainda encontrando o primo no tatame. Valeu, Mestre F.!

    Salvador: a chuva tão aguardada para quem mexe com terra e para quem sofre de rinite; o encaminhamento daquele trabalho tão complexo, mas especial; pessoas relembrando que você é capaz e essencial para determinadas atividades profissionais; o silêncio nos apartamentos na Zona 07 com seus tacos antigos no chão e também na Zona 03 com seus pisos laminados; um pai sendo herói por resolver algo tão fácil no jogo de fases no game para a criança; o sorriso dela apesar do peso da vida; a lembrança respeitosa e nostálgica com aqueles que foram tão cedo; o alívio de uma dor que latejava tanto e que agora dói ainda, mas bem menos; o Pearl Jam nos fones de ouvido; Murakami e Solomon no Kindle; a descoberta tardia de “True Detective” e a atuação assustadora de Matthew McConaughey, mais um ator a ser “perseguido”, aquela vontade de ver todos os filmes e séries do cara.

    Como resultado, noites felizes se transformam em sonos tranquilos, com sonhos que voltam a aparecer, a esperança de um futuro melhor, com momentos em que a felicidade protagonizou o clima, os gestos e a vida de todos nós.

    Incrivelmente, e sem esforço algum, uma noite feliz como a que presenciei precocemente antes da chegada do Natal foi marcada por algo quem jamais esquecerei: absolutamente ninguém naquele lar, debaixo daquele teto, estava colado na tela de um celular enquanto a felicidade preenchia nossos corações assim como uma onda que alcança a faixa de areia da praia e molha os pezinhos de bebês que se encontram com o mar pela primeira vez. Noite feliz!

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