Uma divertida volta ao mundo dos dinossauros

Ainda que os dinossauros estejam habitando o mundo real e convivendo com a natureza ao seu redor, não é este o principal atrativo de Jurassic World: Domínio.

Estreia dos cinemas desta quinta-feira, 2, o filme chama a atenção por resgatar os protagonistas do clássico Jurassic Park, de 1993: Alan Grant (Sam Neill), Ellie Sattler (Laura Dern) e Ian Malcolm (Jeff Goldblum). É a primeira vez, em quase 30 anos, que o trio de protagonistas se reúne.

Agora, eles se juntam com Owen Grady (Chris Pratt) e Claire Dearing (Bryce Dallas Howard) em um momento que era preparado desde Jurassic World, de 2015, e que dá sentido ao nome da franquia: os dinossauros tomaram conta da Terra. Com isso, em um universo quase distópico no qual répteis gigantes moram próximos às pessoas, surgem problemas como falta de harmonia do ecossistema e até mercado paralelo de dinossauros.

Assim como em todos os outros filmes da franquia Jurassic, há uma preocupação em jogar luz em temas ligados à sustentabilidade De um lado, vilões que tentam controlar a natureza como se fossem uma divindade – no caso de Domínio, o dono da BioSyn, empresa de tecnologia que quer brincar com a genética. Do outro, pessoas sinceramente preocupadas com o que estão querendo fazer com esses dinossauros que voltaram à vida.

Nessa briga existe, ainda, a aventura recheada de tensão que Steven Spielberg criou lá em 1993. O diretor Colin Trevorrow, que já tinha comandado o Jurassic World de 2015, tenta insistentemente deixar tudo ainda mais megalomaníaco, com clones humanos, gafanhotos gigantescos e uma luta do bem contra o mal. No entanto, apesar de todos esses cosméticos, fica a sensação de que a ideia de Spielberg ainda respira, mesmo que de forma tão distinta.

Bem diferente, aliás, por conta de um movimento que começou justamente em 2015, ano em que o primeiro Jurassic World ganhava as telas e que se tornou um divisor de águas para a cultura pop. Na época, Vingadores mostrou o poder de juntar um grande elenco com personagens queridos. Já Star Wars: O Despertar da Força e Creed misturaram universos: Rey, Finn e Poe Dameron ao lado de Han Solo, Luke e Leia; Rocky Balboa e Adonis Creed.

CAMINHO DO MEIO

Os bons resultados de bilheteria de todos esses filmes fizeram brilhar os olhos dos produtores de Hollywood. Ao longo dos anos seguintes, a ideia de unir personagens ganhou relevância, fazendo com que remakes e reboots se tornassem cada vez mais dispensáveis. O melhor é seguir o meio do caminho. É o que, a partir do filme Pânico, no começo de 2022, foi chamado de “requência” (junção de remake com sequência). Jurassic World, com um pouco de atraso, abraça esse mercado.

“Este é o filme que eu queria fazer desde o início”, disse Trevorrow, sobre o retorno do elenco, ao site Comicbook. “Passamos os dois últimos filmes construindo isso como parte de uma história maior. Acho até que as pessoas podem estar subestimando o tamanho e a importância dos personagens de Laura Dern, Sam Neill e Jeff Goldblum no filme.”

Segundo ele, tudo foi construído ao redor de conversas francas com o elenco de 1993. “É um conjunto de coisas, mais a capacidade de pegar esses personagens de quase 30 anos e entender como eles interagem no contexto de um mundo que nós realmente nunca vimos antes. É muito emocionante. Estou tendo o melhor momento da minha vida”, afirmou.

FIM DA HISTÓRIA

Por fim, fica a dúvida: será que este é realmente o fim da franquia? Obviamente, em um contexto em que a saga Jurassic se sai tão bem de bilheteria, é difícil cravar uma conclusão eterna – não dá para deixar de imaginar Chris Pratt e Bryce Dallas Howard voltando à cena daqui a 20 ou 30 anos, reprisando seus papéis com um público que tem Jurassic World como ponto central de nostalgia. Pratt, aliás, cita a Marvel quando questionado sobre o futuro.

Jurassic World: Domínio pode ser, enfim, o fim de um período. De um ciclo. “Agora, mesmo com o final de Vingadores, eles continuaram a fazer os filmes da Marvel. É mais uma fase que acabou enquanto, é claro, a Marvel continua a fazer grandes coisas. Parece fazer sentido que Jurassic continue a contar grandes histórias, mas acho que o Homem de Ferro se foi”, lembrou ele ao Comicbook. Será que Pratt volta algum dia? “Prefiro deixar isso em aberto.”

Estadão Conteúdo por Matheus Mans

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