“Maringá vai travar”: Sidnei Telles alerta para colapso na mobilidade e falta de debate sobre o trânsito

Vereador e engenheiro projeta que engarrafamento pode chegar à Avenida Pedro Taques em cinco anos. E critica a ausência de planejamento das ruas

  • O crescimento urbano de Maringá e o aumento do fluxo de veículos colocaram a mobilidade da cidade em um estágio crítico. Durante entrevista ao podcast Ponto a Ponto, o vereador Sidnei Telles (Podemos) apresentou um diagnóstico preocupante: sem obras estruturantes imediatas e um debate honesto com a população, o trânsito da cidade caminha para um “nó” irreversível no curto prazo.

    “Se nós não tomarmos medida, em cinco anos o engarrafamento para sair ali na saída de Sarandi vai estar lá na Pedro Taques”, alertou Telles. O parlamentar, que é engenheiro civil, explicou que o tempo de resposta do poder público é lento comparado à velocidade do problema. “Quanto tempo demora para construir um viaduto? Supondo que não aconteça nenhum problema de licitação e que a empresa seja séria, nós estamos falando de quatro, cinco anos”, pontuou.

    O “nó” dos binários e a omissão do planejamento

    Telles destacou que, embora o urbanismo de Maringá tenha sido planejado no passado, ele não observou o crescimento explosivo da Zona Norte. Segundo ele, quem sai do centro ou da Zona Sul no final da tarde em direção aos binários — como Duque de Caxias, Morangueira e São Paulo — enfrenta a paralisia das vias. “Você não anda. Você não anda mais”, afirmou.

    Para o vereador, tem faltado levar o debate de forma consistente para a população. Ele citou o exemplo de Curitiba, onde não se estaciona nas vias principais, e comparou com a resistência local. “Se fizesse aqui em Maringá, você vai ter uma passeata aqui no meio, porque a população não está percebendo que o problema é sério e que a solução para que o cidadão entre no seu comércio é ele passar a ter espaços de estacionamento que não sejam na rua”, explicou.

    Apps de entrega e o conflito do estacionamento

    O parlamentar também apontou novos componentes que agravam a mobilidade, como o aumento das compras online e o uso intensivo de plataformas de transporte e alimentação. Ele descreveu o cenário comum de entregadores e motoristas de aplicativo parando em fila dupla por falta de vagas adequadas.

    “Nós temos um problema. Como é que nós resolvemos? ‘Ah, mas você vai tirar meu estacionamento daqui?’ Então vamos reunir a sociedade, vamos conversar junto. Precisa ser feito isso com urgência, antes que nós só fiquemos nervosos e aí não temos solução”, defendeu o parlamentar.

    Política de “likes” versus soluções técnicas

    Telles criticou a postura de mandatos voltados exclusivamente para a comunicação em redes sociais, que preferem apontar o problema a construir a solução. Segundo ele, problemas de mobilidade exigem investimentos de grande porte e demorados, o que muitas vezes afasta o interesse político imediato.

    “O resultado disso vai levar mais de um ano (…) e as intervenções vão causar prejuízo para a população por poucos anos para resolver problemas de muitos anos. Quem que quer fazer? Ninguém, porque aí chega na época da eleição e ainda não deu benefício, só deu prejuízo e aí a pessoa não quer fazer essas obras”, concluiu.

    A entrevista completa com o vereador Sidnei Telles está disponível no podcast Ponto a Ponto, no canal do Maringá Post no YouTube. Apresentação: Ronaldo Nezo; produção de áudio e vídeo: VMark Estúdio.

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