Lotação de animais em canil municipal mais do que dobra em dois anos em Maringá

Local, que deveria ser apenas para acolhimento passageiro de cães e gatos em situação de maus-tratos, saltou de 70 para 170 animais atualmente abrigados. Vereadores da causa animal citam “erros de procedimento” e “falta de organização” por parte da Secretaria de Bem-Estar Animal.

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    Mais de 170 animais estão atualmente recolhidos no Centro de Controle de Zoonoses de Maringá. O número representa mais do que o dobro do registrado até o fim de 2024, quando o local acolhia aproximadamente 70 cães e gatos vítimas de maus-tratos. Os dados, compilados pela Secretaria de Proteção e Bem-Estar Animal de Maringá, foram repassados a vereadores.

    O assunto voltou ao debate após a morte de um cão acolhido, dentro do espaço, no último domingo (22). O animal, em situação de magreza extrema, havia sido resgatado em uma residência no Parque das Grevíleas, junto com outros seis cachorros, na sexta-feira (20).

    Nesta terça-feira (24), os dois vereadores que representam a causa animal em Maringá, Flávio Mantovani (PSD) e Lemuel Rodrigues (PDT), usaram a tribuna da Câmara para fazer críticas à gestão da Secretaria na cidade. Na avaliação de ambos, houve erros de procedimento e falta de organização na gestão do caso, que poderiam ter evitado a morte do cão.

    De acordo com Mantovani, que foi autor da primeira lei de maus-tratos a animais em Maringá, a Secretaria não poderia ter feito o recolhimento dos cães sem antes fazer um preparativo do local para recebê-los. Os animais acolhidos na noite de sexta-feira (20) ficaram trancados em uma sala.

    Ainda conforme o parlamentar, que segue em diálogo com o Executivo sobre o tema, é importante que a pasta siga fazendo os encaminhamentos corretos, devolvendo os animais aos tutores e encaminhando os demais para as feirinhas de adoção, para evitar a lotação do Centro de Zoonoses. Ele ressalta que o recolhimento só deve ser feito em casos de extrema urgência.

    “A gente teve um erro de procedimento na execução desse trabalho. É claro que eu, como ajudei a criar a primeira lei de proteção animal da cidade de Manigá, não posso me dar o luxo só de criticar e não sentar na mesa pra tentar resolver os assuntos. A gente tem procedimentos a serem seguidos e nesse caso não foram observados. A gente tem, infelizmente, nessa nova gestão, uma falta de organização por parte da Secretaria. Eu não estou falando aqui do prefeito, porque o prefeito, lógico, ele tem a intenção de acertar, mas quem está na secretaria nem sempre segue as regras, nem sempre segue aquilo que já foi feito. Para você ter uma ideia, lá no passado nós tínhamos uma média de 50, 60 animais lá nessa casa de passagem. Agora, nós estamos chegando perto de 170 animais, então são animais que não precisavam de ser recolhidos, que estão na lugar errado, animais que não foram encaminhados. Só nessa mesma semana eu tomei 4 vezes com o secretário para falar justamente sobre esses procedimentos, que não estão sendo completos, a gente espera que melhore”, afirmou.

    Lemuel atribuiu a superlotação do abrigo de animais a “falta de organização” da Secretaria de Bem-Estar Animal. Ainda conforme o parlamentar, os mesmos cães resgatados na sexta tinham dois protocolos de recolhimento, abertos por moradores, no começo de março após os mesmos ficarem soltos e atacarem outros animais na rua, mas o Executivo não teria tomado providências. Ele também criticou o fato da morte do cão ter sido atribuída a uma única servidora em um comunicado divulgado pela Prefeitura na segunda-feira (23).

    “Na verdade é fácil justificar o erro, jogando a culpa apenas numa única servidora da limpeza, que é operacional, ela para cuidar de 170 animais. Erro é de gestão, erro é de organização, erro é da equipe. A gente sabia que isso estava acontecendo porque a servidora avisou no grupo que ela estava indo embora após os cães se degladiarem dentro do mesmo quarto. Bom, me espanta, a gente tem médicos veterinários técnicos dentro da Secretaria que foram colocados justamente para isso e sabem que quando a gente retira cães de porte grande, cães de situação de maus tratos e a gente encaminha esses animais para outro ambiente, consequentemente vai ter um estresse desses animais. Se a Prefeitura tivesse políticas públicas para conscientizar as pessoas, criar um banco de ração para famílias carentes ao invés de simplesmente recolher, a situação seria outra. Existem sim pessoas humildes, mas que cuidam muito bem de seus animais de estimação. Hoje o município não dá esse suporte para a população, o prato cheio do município é dizer que autuou, que mutou, mas não conscientizou, então o fato de termos 170 animais recolhidos é reflexo disso, de um recolhimento desenfreado e sem conscientização”, opinou.

    A reportagem do Maringá Post entrou em contato com a Prefeitura de Maringá para comentar o assunto, mas não teve retorno até o fechamento deste texto. O espaço segue aberto para manifestações.

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