Tempo estimado de leitura: 5 minutos
Mesmo com a pouca idade, Karen Friedrich já se tornou uma referência para outras mulheres dentro da Polícia Civil. São 44 anos de idade, sendo 10 deles dedicados à força policial. Desde 2018, ela é a delegada-chefe do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) em Maringá, divisão especializada em investigações e inquéritos que envolvam crimes contra crianças.
Além dos desafios já presentes em atuar numa profissão que ainda é majoritariamente masculina, há um ingrediente a mais: ter de lidar, diariamente, com situações que comovem, mas sem deixar de lado a firmeza que o cargo de delegada exige. Karen garante que, especialmente para ela, é muito difícil não se deixar comover com os casos que investiga.
“Ao longo dos anos, eu aprendi a tratar cada caso, cada procedimento, não apenas como um inquérito ou como folhas de papel, mas sim como a dor de uma pessoa, que provavelmente vai carregar isso por muitos anos. Nós temos que agir com firmeza, mas nunca deixamos de nos indignar vendo essas situações do dia a dia. Às vezes a pessoa até pode pensar: ‘nossa, é uma situação tão difícil, eu estou chorando, eu estou emocionada e quem está atendendo não se sensibilizou’, mas a gente tenta se manter forte para que a gente possa acolher e amparar, tanto a vítima quanto a família”, afirma Karen Friedrich, em entrevista ao Maringá Post.
Atualmente, a delegada é a mais antiga mulher no posto entre os delegados que fazem parte da 9ª Subdivisão Policial de Maringá. Natural de Curitiba, ela passou no concurso da Polícia Civil em 2013 e ingressou na corporação em 2016, inicialmente lotada em São João do Ivaí. Formada em Direito pela Faculdade de Direito de Curitiba, também chegou a atuar como advogada, mas conta que sempre teve o desejo de seguir a carreira policial, muito em função do exemplo do pai, que foi militar de carreira.
“Eu sempre tive a intenção em prestar concurso para a área policial, especificamente para o cargo de delegada. O meu pai é militar e, quando eu era criança, adolescente, eu frequentava muito com ele o quartel, era um dos meus passeios preferidos e o meu pai sempre falava: ‘olha, como é bonito uma mulher em uma função de comando, de chefia’, e o meu pai foi o meu maior incentivador para que eu fizesse Direito e, na verdade, ele sempre pensava que eu também iria ingressar no Exército. Mas acabei, então, prestando concurso para delegada de polícia e fui aprovada”, relembra.
“Hoje, as pessoas respeitam muito mais a nossa profissão”
Atualmente, as mulheres representam cerca de 25% do quadro da Polícia Civil do Paraná, de acordo com dados da própria corporação. São 1.162 mulheres, em diferentes funções, dentro de um efetivo de quase 4 mil policiais. Apesar da representação estar crescendo nos últimos anos, os desafios ainda são muitos.
Karen lembra que, no início, sofreu uma desconfiança natural dos moradores quando assumiu a comarca de São João do Ivaí. Tendo de lidar com diversos tipos de crimes, ela foi a primeira mulher no comando da Polícia Civil naquela cidade.
“Eu acredito que, no início da carreira, isso foi mais difícil (a desconfiança por ser mulher). Eu estava numa comarca pequena, com poucos servidores e eu tinha bastante dificuldade por isso. Eu fui a primeira delegada mulher da comarca. Então, eu senti que tanto os policiais, até como a comunidade, num primeiro momento, estavam esperando para ver como seria a comarca sendo comandada por uma mulher. Quando eu vim aqui para Maringá, eu já senti que as coisas seriam mais fáceis, até por eu estar em uma unidade especializada”, descreve.
Ainda conforme a delegada, o respeito da comunidade e colegas de profissão foi naturalmente sendo conquistado ao longo dos anos graças ao trabalho bem feito. “Atualmente eu sinto que somos protagonistas da nossa história e fazemos, a partir do nosso trabalho, que esse respeito venha. Hoje, as pessoas respeitam muito mais a nossa profissão”, finaliza.








Comentários estão fechados.