“É importante termos grandes figuras femininas na ciência”, afirma única mulher em turma de Engenharia Mecânica da UEM

Estudante do 5º ano de um curso majoritariamente masculino, Maria lidera projeto para construção de aeronaves e fala sobre a luta contra o preconceito, “que sirva de inspiração”

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    Quando decidiu cursar a faculdade, Maria Luiza Moreira Dias Pereira, nem de longe imaginava, que, durante a trajetória acadêmica, teria que fazer dos espinhos o combustível que a faria vencer o preconceito e decolar em uma carreira que promete voos com horizonte largo.

    Única mulher da turma do quinto ano de Engenharia Mecânica, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Maria Luiza conta que a escolha do curso foi influenciada pelos experimentos realizados em casa pelo pai, professor de Física, também na UEM. “Eu queria fazer uma coisa diferente, mas que não fugisse tanto daquilo”, comentou em entrevista ao Maringá Post.

    No início da graduação, a turma contava com uma presença feminina maior, mas ainda pequena. Além de Maria, apenas seis mulheres estavam na mesma sala. Entretanto, conforme as desistências ocorreram, ela se tornou a única aluna da sala ingressante a seguir no curso.

    A acadêmica pontua que as resistências enfrentadas no dia a dia não eram ligadas apenas ao fato de ser mulher, mas também a sua origem em escola pública. Maria foi aluna do Colégio de Aplicação Pedagógica da UEM (CAP-UEM) e afirma ter notado um certo preconceito na universidade.

    Ah, estudou em escola pública, não vai saber de nada”. E daí o fato de ser mulher é um “bônus”. Essas coisas não são tão explícitas, abertamente faladas na sua cara, mas são comportamentos que você percebe.

    Segundo ela, esses fatores fazem com que ela se imponha mais fortemente diante das dificuldades. Maria menciona que com o tempo, as situações de preconceito diminuíram, mas nunca sumiram. “Às vezes ainda enfrento isso, mas hoje é um pouco menos, acho que pelo fato de eu ainda estar ali, de ter resistido.”, analisou.

    Design aéreo

    Além da sala de aula, Maria se tornou coordenadora do projeto ADAM AeroDesign. A atividade extensionista tem como objetivo principal projetar, desenvolver e construir aeronaves rádio-controladas para competir na SAE BRASIL AeroDesign, uma das maiores competições acadêmicas do setor no país.

    Na iniciativa, são desenvolvidas habilidades em aeromodelismo, aerodinâmica, estruturas, desempenho, cargas, aeroelasticidade e estabilidade. A aluna entrou no projeto em 2023 e menciona que o projeto sempre contou com a representatividade feminina em papéis de liderança. “É um projeto que realmente tem esse olhar, e precisa ter!”

    Maria também é bolsista pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), e acredita que projetos como o AeroDesign e pesquisas científicas devem ser almejados pelas novas alunas que ingressarem no curso. “É importante termos grandes figuras femininas na ciência”

    Que sirva de inspiração. No meu caso enfrentei resistência, mas com resiliência, esforço e foco por gostar de estar ali, foi possível.

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