Ministério Público instaura inquérito para apurar possíveis irregularidades em valor pago pela Prefeitura de Maringá por show de Pedro e Alex

Objetos da investigação são as justificativas para o valor desembolsado pelo município, de R$ 420 mil, pela apresentação dos artistas na Virada de Ano, considerado acima do praticado em outras cidades. Denúncia anônima também pedia apuração sobre gravação de DVD da dupla no dia da apresentação, que foi negado pelo órgão de fiscalização.

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    O Ministério Público do Paraná instaurou um inquérito civil para apurar possíveis irregularidades no valor pago pela Prefeitura de Maringá pelo show da dupla Pedro Paulo e Alex, na Virada de 2025 para 2026. Os artistas se apresentaram no dia 31 de dezembro, na Praça da Catedral, ao custo de R$ 420 mil.

    A abertura do inquérito, que será conduzido pela 20ª Promotoria de Justiça de Maringá, foi formalizada no dia 27 de janeiro e atende parcialmente uma denúncia anônima recebida pelo órgão de controle.

    A denúncia alertava o MP-PR, além do “valor acima da média” da média da contratação, para o fato de a dupla sertaneja ter anunciado a gravação de um DVD para o mesmo dia e local da apresentação, em um contrato que deixava a cargo do município os custos com estruturas de “iluminação, sonorização, contratação de apresentadores, equipes de apoio e segurança privada” que serviriam de cenário para a “gravação de um produto privado”.

    O MP não viu irregularidades nesta questão e arquivou a parte da denúncia que pedia a apuração sobre a gravação do DVD, mantendo a investigação sobre os valores praticados. Sobre a gravação, o entendimento do órgão de controle foi que o show, “embora público, já seria performado pela dupla sertaneja consoante contrato e programação de ano novo planejado pela Prefeitura” e que ele poderia, “inclusive, auxiliar em uma promoção positiva do Município caso mencionada a cidade em que ocorreu o show”.

    No inquérito sobre os valores, o Ministério Público cita um parecer emitido pela própria Procuradoria-Geral do Município, alertando que o cachê que o Executivo pretendia desembolsar pelos artistas, de R$ 420 mil, estava “muito acima de média do pago pelas outras municipalidades indicadas, cerca de R$ 300.000,00”.

    O documento cita valores cobrados em outros municípios do Paraná, como Lunardelli (R$ 165 mil) e Araruna (R$ 190 mil). Ambas as apresentações ocorreram nos meses de dezembro e novembro, respectivamente.

    No inquérito, o MP solicita a intimação de municípios que contrararam a dupla “requisitando informações sobre eventual contratação dos artistas Pedro Paulo & Alex (empresa Pressão Produções Artísticas Ltda.) nos anos de 2024 a 2026”, além do próprio escritório dos cantores.

    Procurada pela reportagem, a Prefeitura de Maringá afirmou que “não foi notificada pelo Ministério Público” e “caso seja notificada, prestará todos os esclarecimentos necessários”. O Maringá Post não conseguiu contato com o escritório que representa os artistas para comentar o assunto.

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