Seis anos depois, acusado pela morte de Magó ainda não foi a julgamento

Nesta segunda-feira (26) completam-se seis anos da morte da Maria Glória Poltronieri Borges, maringaense que foi vítima de violência sexual e asfixiada em uma cachoeira, em Mandaguari. Ato na praça do Teatro Reviver presta homenagem à vítima, enquanto família fala em “espera dolorosa”.

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    Seis anos após o crime, o acusado pela morte de Maria Glória Poltronieri Borges, bailarina maringaense vítima de abuso sexual em uma cachoeira, em Mandaguari, ainda não foi a julgamento. Nesta segunda-feira (26), um ato simbólico na praça do Teatro Reviver mantém viva a memória de ‘Magó’, que se tornou símbolo da luta contra o feminicídio.

    Magó tinha 25 anos de idade quanto foi encontrada morta em 26 de janeiro de 2020, em uma chácara em uma área rural de Mandaguari, onde tinha ido acampar. Exames do Instituto Médico Legal (IML), na época, comprovaram que a causa da morte havia sido asfixia, além de ter indicado que a maringaense foi vítima de abuso sexual.

    O acusado, Flávio Campana, de 28 anos, segue preso desde o dia 28 de fevereiro de 2020. Quando foi interrogado pela Promotoria, em 2021, ele permaneceu em silêncio. Desde março de 2020, ele é réu por homicídio com três qualificadoras, incluindo feminicídio e ocultação de cadáver.

    Nesta segunda-feira (26), familiares e amigos realizaram um ato simbólico que também faz alusão ao Dia Municipal de Combate ao Feminicídio. O local escolhido é a praça que recebeu o nome da bailarina.

    De acordo com Daisa Poltronieri, mãe de Magó, a espera pela condenação do acusado é dolorosa, mas ela encontra alento no símbolo de luta que a filha se tornou. Ela aguarda o julgamento para, enfim “virar uma página”.

    “A Justiça já está sendo feita para manter um homem como esse na prisão, ele é reincidente, ficou preso sete anos por estupro, voltou a praticar violência, então o que a gente pensa é que a espera de seis anos, ela é muito dolorosa, mas fez com que vários atos acontecessem em Maringá, no estado do Paraná, criou-se leis como a lei por Todas as Marias que foi instituída em Maringá de combate à violência contra as mulheres. Então acho que esses seis anos fizeram com que fortalecesse a história da Magó, fortalecesse a história de luta para um estado que precisa simplesmente acabar com essa violência e deflagrar que isso existe, então isso é importante e a dor é imensa, porque o dia em que esse homem for julgado e tiver uma condenação exemplar, a gente vai virar uma página em nossa vida”, disse.

    Ana Clara Poltronieri, irmã de Magó, diz que a demora pelo julgamento é como se um “outro crime” estivesse sendo cometido.

    “É uma sensação de mãos atadas. A gente não sabe, tá esperando essa demora, então pra gente é como se fosse um crime também. Anualmente a gente se reúne pra tentar ganhar essa visibilidade da sociedade, da mídia, do poder público, para que a gente tenha esse julgamento exemplar e veloz. A gente não aguenta mais. Talvez para as pessoas que vivem o dia-a-dia, tudo bem, mas pra nós que somos família, pra gente é muito difícil e árduo, então é dolorido demais. A gente gostaria muito que esse ano a gente colocasse um basta nessa história”, afirmou.

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