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Mesmo com menos da metade do projeto concluído, a reforma da Rodoviária de Maringá custou R$ 3,2 milhões aos cofres do município. Os valores são relativos ao que foi pago, para as duas construtoras responsáveis, pelo que foi entregue desde que a reforma teve início, em 2021. Os números estão disponibilizados no Portal da Transparência.
Originalmente, a obra deveria custar aproximadamente R$ 13 milhões, sendo R$ 10 milhões pelo valor licitado e R$ 2,7 milhões em aditivos solicitados pelas empresas no andamento do projeto. Conforme o medidor de obras públicas, também disponível no Portal da Transparência, apenas 28,7% do contrato foi finalizado.
Na semana passada, a própria Prefeitura de Maringá anunciou não ter a intenção de dar continuidade na obra, em razão da suposta construção de um novo Terminal Intermodal, na região do Aeroporto. O novo projeto, no entanto, ainda não tem data para sair do papel. A reportagem do Maringá Post esteve na Rodoviária de Maringá, na Avenida Tuiuti, na manhã desta quinta-feira (10).
Entre os pontos observados no local, estão o fosso do elevador, que foi construído e não será instalado, conforme confirmado pelo município. Estruturas de concreto foram feitas ao redor do objeto no subsolo e no térreo. Placas indicando o andamento da reforma, que teve o contrato rescindido em fevereiro, permanecem no local.

Usuários ouvidos pela reportagem relataram incômodo com a situação. Um ponto citado por todos eles é o fechamento dos banheiros do 1º andar, que permanecem trancados. Agora, todos os banheiros que funcionam estão concentrados apenas no térreo.
O possível abandono da reforma motivou um requerimento da vereadora Cris Lauer (Novo), aprovado na Câmara Municipal na terça-feira (8). Ao Maringá Post, a parlamentar afirmou que muitos usuários procuram o gabinete dela para questionar a situação.
“Nós lemos que a Prefeitura não tem mais a intenção de continuar a obra e queremos saber o motivo. Muitos usuários do local continuam nos procurando para reclamar da situação do local. O estado dos banheiros é a principal das reclamações. Já cobramos do poder público sobre a Rodoviária no passado e continuaremos cobrando”, disse a vereadora.

Em entrevista ao Maringá Post no dia 4 de abril, o secretário de Obras Públicas de Maringá, Artur Tunes, explicou que o projeto original da reforma tinha problemas, o que foi uma das justificativas que o município usou para considerar ‘inviável’ a continuidade.
“O projeto tinha alguns problemas também. Por exemplo a alimentação de energia do elevador não estava prevista dentro desse projeto, então a gente ia ter que ver se o mecanismo jurídico ia permitir um aditivo a essa obra ou a gente ia ter que fazer uma nova licitação pra fazer a alimentação do elevador, Então quando a gente somou esses erros de projeto, essas, não vou dizer nem erros, o projeto não estava completo, pois uma reforma a gente sabe que muitas vezes ela demanda de algumas coisas que quando a gente começa a mexer a gente descobre que aquela situação que poderia estar arrumada. Então em virtude de tudo isso e mais o investimento que a gente vai canalizar pra esse futuro terminal, a gente resolveu encerrar o contrato e canalizar isso pra uma outra hora”, explicou.
Desde que teve início, em 2021, a reforma da Rodoviária teve duas empresas responsáveis. A primeira abandonou a obra em 2022, enquanto a segunda teve o contrato rescindido em fevereiro deste ano. No decorrer desses quatro anos a obra, que deveria ser concluída em 12 meses, teve o prazo de entrega alterado em, ao menos, quatro ocasiões.

Em contato com a reportagem nesta quinta-feira (10), a Prefeitura de Maringá informou, por meio de nota, que os banheiros do primeiro andar foram fechados e concentrados no térreo por conta do maior fluxo de pessoas. Segundo o município, os banheiros do primeiro andar serão reabertos futuramente. O Executivo também manifestou que implantará um departamento administrativo da Prefeitura no primeiro andar da rodoviária, o que poderá aumentar a circulação de pessoas no espaço.
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