Em crise financeira, entidades assistenciais de Maringá podem fechar

25 de maio de 2021
Auditório Luz Amor, Maringá
O auditório e o asilo Luz Amor têm atuação social e cultural há 30 anos

Uma das mais respeitadas entidades assistenciais de Maringá, em 35 anos, o Asilo São Vicente de Paulo já abrigou milhares de idosos sem família; fechamento é previsto para o dia 13

 

A crise nas entidades assistenciais de Maringá, com a possibilidade cada vez maior de algumas delas encerrarem suas atividades em breve, foi o assunto que centralizou  os debates na sessão da Câmara de Vereadores desta terça-feira. Os vereadores chegaram à conclusão de que se não houver uma atenção especial do poder público, um grande problema social está para acontecer.

Já há algum tempo alguns vereadores falam das dificuldades que atingem algumas entidades, mas esta preocupação se materializou nesta terça-feira, quando o blog de notícias angelorigon.com.br publicou um documento em que o Asilo de Idosos São Vicente de Paulo, uma instituição de 35 anos, anunciava que pode encerrar as atividades no dia 13 do próximo mês.

Foram lembradas outras instituições que também estão passando por sérias dificuldades, como é o caso do Asilo Wajunkai, fundado em 1975, e a Fundação Luz Amor, que há mais de 30 anos desenvolve trabalhos sociais e culturais em Maringá, oferecendo, inclusive, um dos melhores auditórios da cidade para a realização de atividades artísticas.

Praticamente todas as instituições que fazem assistência social em Maringá estão dificuldades porque se mantêm de doações, mas essas doações se reduziram muito ou acabaram diante do prolongamento da pandemia da covid-19.

Asilo São Vicente de Paulo
O Asilo São Vicente de Paulo pode fechar no dia 13, após 35 anos atendendo idosos sem família

Outra razão é a falta dos eventos que sempre proporcionavam recursos para a manutenção das entidades, como é o caso da Festa da Canção, que acontece todos os anos na semana do aniversário de Maringá, e a Festa das Nações, que começa no primeiro fim de semana de outubro.

Nestas duas festas organizadas pelo Provopar, dezenas de barracas com trabalho voluntário oferecem comidas típicas de Estados ou países de onde vieram as pessoas que formam a população de Maringá. O lucro de cada barraca é destinado às atividades de uma entidade.

Também a Expoingá tem dia para que as entidades fiquem com toda a arrecadação proporcionada pelo pagamento de ingressos. Outros eventos, como o Hallel, quermesses, bingos, almoços e outros eventos que as entidades realizavam com o apoio de voluntários e levantavam recursos para suas atividades.

Com a chegada do Coronavírus, tanto os grandes quanto os pequenos eventos não puderam ser realizados, acabando com uma fonte garantida de dinheiro para as instituições que atendem crianças, idosos ou outras formas de vulnerabilidade.

 

Quem vai assumir o papel das entidades?

O líder do prefeito na Câmara, Alex Chaves (MDB), citou que estas instituições sobrevivem unicamente de doações e atuam onde o governo falha. Isto significa que se elas não existissem, a prefeitura, o governo do Estado ou o federal teriam que atender milhares de idosos sem família, crianças, portadores desta ou daquele problema.

“Se elas (as entidades assistenciais) fecharem, teremos um grave problema social”, disse o vereador, citando que em Maringá essas instituições atendem centenas ou talvez milhares de pessoas que de alguma forma precisam ser acolhidas.

“São uns abnegados, que assumem o que os governos deviam se responsabilizar, mas chega a um ponto em que até esses que tanto se sacrificam nada podem fazer”, completou Onivaldo Barris (PSL).

O presidente da Câmara, Mário Hossokawa (PP), disse que “essas entidades sempre passam por dificuldades, sobrevivem no limite, mas às vezes surgem exigências que estão além das possibilidades dos voluntários que dão seu tempo para ajudar outras pessoas”.

Hossokawa se referia à situação do Asilo São Vicente de Paulo, que teve sua crise agravada após uma vistoria da Vigilância Sanitária, que encontrou uma série de irregularidades e o Ministério Público deu prazo para a regularização.

A diretoria já informou que é impossível atender às exigências, principalmente por falta de dinheiro, já que a entidade tem um débito de cerca de R$ 500 mil e tem dificuldades até para se manter funcionando.

A diretoria tornou público que o Asilo São Vicente de Paulo deve encerrar suas atividades no próximo dia 13.