Após reclamações, SudaMed presta esclarecimentos na Câmara sobre atendimento aos servidores

10 de fevereiro de 2021
SudaMed
Diretor da SudaMed Alexandre Discioli acompanhado da administradora Vera Maria Kissik, responderam questionamentos dos vereadores / CMM

A SudaMed começou a operar o Sistema de Atenção à Saúde dos Servidores do Município de Maringá (Sama) em 10 de janeiro. No entanto, servidores reclamam sobre os serviços prestados.

A educadora física, Joceli Knebel, lesionou o joelho em setembro de 2020 durante uma aula de tênis. Após passar por avaliações médicas e exames, o médico responsável informou que o caso só seria solucionado com cirurgia.

Casada com um servidor público, Knebel é beneficiária do Sama. Ainda em 2020, ela conseguiu aprovação da auditoria e marcou a cirurgia para o final de novembro. No entanto, devido ao aumento do número de casos da Covid-19 na época, a falta de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o decreto baixado pelo Paraná suspendendo as cirurgia eletivas até final e janeiro de 2021, a cirurgia da educadora física foi desmarcada.

Durante esse período, a Prefeitura de Maringá realizou a troca de prestador de serviço do Sama. Após a retomada das cirurgias eletivas, Joceli Knebel iniciou novamente a procura para a realização da cirurgia. No entanto, ela diz que não consegue entrar em contato com a SudaMed para o agendamento médico.

“Eu já tentei ligar de fixo, em casa, já tentei ligar do meu celular e, como a maioria das pessoas, eu não consigo, só dá ocupado. Eu já estou tendo consequências. É a segunda vez que eu estou tendo tendinite, porque eu estou tendo sobrecarga no joelho e porque o meu joelho é meu instrumento de trabalho. Eu uso o joelho o dia inteiro demonstrando movimentos, correndo com algum aluno, fora que, como atleta, eu não posso correr. Eu não tenho previsão de quando eu vou poder voltar a correr.”

Reclamações como da Joceli Knebel são comuns no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (Sismmar). Para o Maringá Post, o sindicato informou que os servidores reclamam sobre a impossibilidade de completar as ligações para o agendamento de consultas e a ausência de alguns profissionais para o atendimento de determinadas especialidades.

O Sismmar protocolou diversas cobranças na Prefeitura de Maringá exigindo melhores condições para os servidores. O sindicato cobra a ampliação da  capacidade de atendimento pelo call center e a expansão da quantidade de profissionais que realizam os atendimentos especializados.

As reclamações chegaram na Câmara de Maringá e o vereador Paulo Biazon (PSL) convidou o diretor da SudaMed, Alexandre Discioli, e a administradora da empresa, Vera Maria Kissik Lemes, para prestarem esclarecimentos na sessão de terça-feira (9/2).

Durante a sessão, Vera Lemes disse que, após vencer a licitação do Sama, a empresa teria 90 dias para assumir os serviços estabelecidos pelo edital. No entanto, segundo ela, a pedido da Prefeitura de Maringá, a empresa assumiu o contrato no inicio de janeiro de 2021.

“Em decorrência do término do contrato do prestador anterior, que se encerraria no dia 9 de janeiro, e não havendo um acordo entre a prefeitura para que se prorrogasse esse contrato, foi solicitado que antecipasse esse atendimento para que o servidor não ficasse sem atendimento por esses 90 dias”, relatou a administradora da empresa vencedora.

A SudaMed disse que informou a prefeitura de que não teria condições para assumir todos os serviços antes do previsto. Na sessão, Vera Maria Kissik Lemes afirmou, por exemplo, que a sede da empresa e o sistema de implantação não foram finalizados, o que prejudicaria o atendimento. Ela também citou a falta de tempo para o treinamento dos funcionários.

O diretor da SudaMed, Alexandre Discioli, garantiu que a empresa tem se esforçado para cumprir todos os serviços da forma mais rápida possível. “A gente está fazendo de tudo, correndo contra o tempo para se adequar e atender o servidor da melhor forma.”

A SudaMed venceu a licitação para prestação de serviços de saúde aos servidores por meio do Sama com proposta de R$ 44,42 ao mês por beneficiário. O valor global foi de aproximadamente R$ 19 milhões ao ano, 45,79% menor do que a prefeitura estava disposta a pagar. O contrato contempla a prestação do serviço para 36 mil pessoas, o que inclui os servidores públicos efetivos, ativos, aposentados e pensionistas e dependentes.

O Maringá Post entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Maringá, mas não obteve retorno até o fechamento da reportagem.