Em assembleia, servidores municipais discordam do retorno presencial às atividades escolares

2 de fevereiro de 2021
Professores e funcionários da rede municipal voltam ao trabalho nesta semana para atividades de formação / Agência Brasil

O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Maringá (Sismmar) divulgou na tarde de segunda-feira (1/2) os resultados da assembleia online realizada no sábado (30/1) sobre o retorno presencial das atividades na rede municipal de ensino. De acordo com o Sismmar, dos 1.648 servidores da educação que participaram, 91,99% discordam do retorno das atividades presenciais nesta quarta-feira (3/2).

A Secretaria de Educação de Maringá (Seduc) prevê o retorno de professores e funcionários para atividades como palestras e orientações nesta semana. Segundo o sindicato, apenas 112 servidores concordaram com o retorno de maneira presencial, o que representa 6,8% do total. Outros 20 servidores se abstiveram, representando 1,21% do total.

No sábado, minutos antes do início da assembleia, o Sismmar recebeu e-mail da secretária de Educação, Tania Corredato, com a proposta para o retorno dos servidores ao trabalho. No e-mail, a secretária explicou que, entre os dias 3 e 8 de fevereiro, os servidores vão participar de formações ofertadas de maneira online.

Segundo a secretária, as unidades escolares vão estar abertas, mas os servidores que não se sentirem à vontade poderão assistir as formações em casa no regime de teletrabalho, se responsabilizando pelo acesso. 

Os servidores municipais responderam as perguntas por meio de uma plataforma digital desenvolvida pelo sindicato. Além do retorno das atividades presenciais, a categoria também discutiu sobre um plano de mobilização dos trabalhadores caso as atividades presenciais sejam mantidas.

De acordo com o Sismmar, 1.499 servidores votaram pela opção “sim” e concordaram com a elaboração do plano para negociar as condições de trabalho, o que representa 90,96% da totalidade. Pela opção “não”, votaram 86 servidores, representando 5,22% dos participantes. A “abstenção” recebeu 63 votos, sendo 3,82% dos votos totais.

A assembleia não discutiu o retorno das aulas presenciais, já que a Secretaria de Educação de Maringá ainda não definiu como será a volta às aulas. Após a divulgação dos resultados, a direção do Sismmar encaminhou ofício para a Seduc, em nome da secretária da pasta, Tania Corredato.

Segundo a presidente do Sismmar, Priscila Guedes da Luz, ficou acordado com a Seduc que o modelo de trabalho será avaliado semanalmente, de acordo com o avanço da pandemia. Ela informou que o plano de contingenciamento com medidas sanitárias está em fase final de elaboração. Apesar disso, ainda não foi definido se os alunos retornam às salas de aula no formato híbrido em 18 de fevereiro. 

“Ainda é muito precoce afirmar se volta ou não de maneira presencial, algumas perguntas e questionamentos não têm resposta, pelo menos não chegou de forma oficial. A tendência de todo o plano de contingenciamento é retomar as aulas no modelo híbrido, mas para que se consiga esse atendimento muita coisa precisa ser feita e adquirida pelo município”, diz a presidente do Sismmar.

O Maringá Post entrou em contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Maringá, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.

Greve na rede estadual

Os servidores da rede estadual de ensino decidiram entrar em greve a partir de 18 de fevereiro, data prevista pelo Governo do Estado para iniciar as aulas. Segundo a APP-Sindicato, que representa os servidores estaduais, a categoria é contrária ao modelo híbrido e afirma que o formato não foi discutido com a comunidade escolar. Além disso, os servidores consideram que sem vacina o retorno não é seguro.

Em entrevista ao Maringá Post na sexta-feira (29/1), a presidente do núcleo sindical da APP-Sindicato de Maringá, professora Vilma Garcia da Silva, afirmou que os professores e funcionários de colégios de Maringá e região vão aderir à greve, como deliberado na assembleia estadual em 23 de janeiro.

“O que está nos levando a greve não é só a retomada das aulas presenciais, são vários itens que o governo tem retirado de direitos e deixado de cumprir acordos de greve. Mas existe uma preocupação grande dentro da categoria com o retorno das aulas”, diz Vilma Garcia.