Com entrega prevista para outubro de 2020, gestão do Hospital da Criança de Maringá permanece indefinida

28 de agosto de 2020
Fase final das obras do Hospital da Criança de Maringá / Geraldo Bubniak/Agência Estadual de Notícias

Com 80% da obra executada, o Hospital da Criança de Maringá ainda aguarda uma definição sobre a gestão do empreendimento. De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura de Maringá, só após a conclusão da obra será definido se o hospital terá responsabilidade integralmente do município, do Estado ou da União.

Outra opção em análise é que ocorra o rateio de recursos para o custeio das atividades e a administração seja terceirizada para uma organização social. 

Apesar da indefinição sobre a gestão, o secretário de Saúde Jair Biatto estima que ainda em 2020 ocorram os primeiros atendimentos no Hospital da Criança e a inauguração definitiva de todos os espaços ocorra em 2021.

“São quase 180 leitos no geral para atendimento de todas as especialidades, doenças raras, além de ensino e pesquisa. É um desenho arrojado. É uma conquista para o Paraná, referência no País, assim como o Pequeno Príncipe em Curitiba”, afirma Biatto.

Desenhado em 2017 e chancelado pela Organização Mundial da Família (OMF), o hospital recebeu R$ 150 milhões em investimentos dentro de uma parceria do Governo do Estado e do Governo Federal, de R$ 124 milhões, além de US$ 10 milhões da OMF.

O terreno foi doado pela Prefeitura de Maringá. Do total, R$ 90 milhões foram custeados pelo Governo Federal. A Secretaria de Estado da Saúde destinou mais R$ 34 milhões.

O hospital foi criado para atender crianças das regiões Noroeste, Norte e Norte Pioneiro do Paraná, e deve se tornar referência nacional no atendimento especializado. 

Inspirado em projetos realizados no Oriente Médio e no Distrito Federal, o Hospital da Criança tornou-se a maior obra da Organização Mundial da Família (OMF) no Brasil.

As estimativas da prefeitura indicam a geração de 1,5 mil a 2 mil empregos diretos.

Hospital da Criança de Maringá

O hospital vai ser dividido em recepção geral, hospital-dia e centro de especialidades. O hospital-dia vai contar com doze leitos e espaços para tratamento de hemodiálise, recuperação pós-anestésica, três salas de pequenas cirurgias, quimioterapia, sala de infusão (vacina) e anestesia.

O centro de especialidades contará com consultório odontológico e outras 28 salas dedicadas a atendimentos diversos em dermatologia, cardiologia, oftalmologia, fonoaudiologia, psiquiatria, entre outros. O atendimento nesses dois espaços será eletivo, referenciado pela atenção primária ou por urgência médica.

O corredor para a área administrativa tem 235 metros de comprimento. Em um dos lados estão dois blocos horizontais a partir de um novo corredor, o primeiro com farmácia e administração e o segundo com um refeitório, vestiário, lavanderia e almoxarifado. No outro há quatro blocos verticais, quatro conexões nessa vértebra principal: laboratório, centro de imagem, ala de ensino e pesquisa e recepção da internação.

Os três primeiros espaços dessa ala de acesso restrito aos profissionais contêm diversas separações e especialidades. O laboratório, por exemplo, terá alas para pesquisa em biologia molecular, hematologia, micologia, virologia, parasitologia, citologia, macroscopia, microscopia, sala de laudos e necropsia.

O Centro de Imagens incluirá ressonância, endoscopia, tomografia, raio-x, sala de laudos, fonoaudiologia, recuperação, eletrocardiograma, ecocardiografia, ecografia, eletromiografia, pneumologia, alérgicos, eletroterapia e sinisioterapia.

A ala de ensino e pesquisa vai abrigar biblioteca, duas salas de aula, auditório e sala de simulação realística. O local deve ser ocupado por pesquisadores e acadêmicos das universidades públicas e privadas da região Noroeste.

A recepção de internação terá um piano, brinquedoteca e um espaço ecumênico para os familiares que assistirão aos pacientes.

No fim do corredor estão dois blocos de internação, as UTIs neonatal e pediátrica e um centro cirúrgico com quatro salas de aproximadamente 42 metros quadrados cada.

Os blocos com as camas contam com desenho em U, com os leitos nas laterais e espaços exclusivos para os enfermeiros no centro para acesso rápido a qualquer quarto. Esses leitos têm 18 metros quadrados.

O exoesqueleto do hospital é todo metálico, inclusive as telhas e as grandes estacas de sustentação, e a separação interna é em drywall, o que facilita manutenção, limpeza e eventual readaptação de espaços.

Apenas as salas de tomografia e raio-x têm um diferencial das demais: uma lâmina de chumbo dentro do drywall. O gesso utilizado no Hospital da Criança tem grande resistência ao fogo e o polisocianurato ajuda a manter o equilíbrio térmico, fundamental em uma cidade que registra temperaturas altas no verão. O chão de laje armada tem 15 centímetros de espessura.