Pesquisa do Sebrae com 270 estabelecimentos revela que 9% encerraram as atividades

Por: - 30 de junho de 2020
Pesquisa avaliou os impactos da crise provocada pelo coronavírus no comércio / PMM

Antes da pandemia, o cenário era de otimismo entre os empresários e a situação financeira das empresas era boa ou razoável. Agora, no terceiro trimestre, com os impactos do coronavírus a maioria acredita que as perspectivas para o negócio em 2020 são as piores, a redução do faturamento é uma realidade e alguns estabelecimentos fecharam ou consideram que vão fechar dentro de um mês.

Esses são os dados da pesquisa “Crise Covid – Comércio de Maringá”, realizada pelo Sebrae/PR. Antes da pandemia, ainda no início de março, o Sebrae/PR contratou pesquisa para compreender dificuldades e pontos fortes dos estabelecimentos em determinadas regiões de Maringá. A previsão era entrevistar 400 comerciantes, mas com o início da pandemia a coleta de dados foi encerrada com 270 entrevistas.

No segundo trimestre, o Sebrae voltou a realizar a segunda fase da pesquisa com os 270 empresários ouvidos anteriormente para identificar os impactos da pandemia nos negócios. Entre eles, pelo menos 9% encerraram as atividades temporariamente ou definitivamente. Nesta segunda etapa, o Sebrae conseguiu entrevistar apenas 174 empresários, já que alguns não atenderam ou se recusaram a continuar a pesquisa.

No primeiro trimestre, 16% acreditavam que os negócios seriam piores em 2020. Com a chegada da pandemia, a percepção negativa foi para 66%, ou seja, crescimento de 50%. Anteriormente, a expectativa era boa, pelo menos 59% acreditavam que os negócios seriam melhores em 2020.

A maioria, 20%, respondeu que o negócio seria melhor porque as vendas tinham aumentado. Agora, 59% acreditam que será pior por causa da pandemia, 17% afirmam que as vendas caíram e 9% porque caiu bastante o movimento. Entre os entrevistados, 55% afirmam que o impacto da pandemia nos negócios foi muito alto ou alto.

O Sebrae questionou por quanto tempo a empresa conseguiria manter o negócio considerando a disponibilidade de caixa atual. Pelo menos 9% dos entrevistados responderam que não conseguem manter mais e estão endividados e 11% responderam que devem fechar em até um mês ou até menos que 30 dias.

Apenas 13% das empresas tiveram aumento do faturamento. A maioria, 79%, teve queda de 50% da receita, em média. Entre os entrevistados, 28% realizaram demissão de funcionários. Apesar disso, 70% conseguiram manter a folha durante este período, porém boa parte usou as medidas provisórias como suspensão temporária do contrato, redução de jornada ou concessão de férias coletivas.

Desenvolvimento e inovação

A pesquisa aponta que 57% dos entrevistados criaram algo diferente do que faziam anteriormente. A maioria, 46%, passou a atender por delivery e 28% apostou nas vendas online. Os empresários também passaram a divulgar o negócio nas redes sociais (15%), vender por WhatsApp (8%) ou criaram um produto novo (4%).

89% das empresas participam de redes sociais, principalmente Facebook e Instagram. A maioria já utilizava, mas 20% delas passaram a usar somente durante a pandemia. As principais ações realizadas por meio das redes sociais são divulgação de produtos e promoções.

A principal preocupação dos empresários em relação ao futuro é referente a sobrevivência financeira da empresa. Esse é um aspecto que preocupa 29% dos entrevistados, seguido pela incerteza de quando o volume de vendas e atendimentos voltará ao que era antes da pandemia, 21%. Os entrevistados estimam que a economia vai voltar ao normal em 10 meses, em média.

Perfil das empresas

A maioria dos estabelecimentos que participou da pesquisa é loja de roupas (28%). Apesar disso, também foram ouvidas lojas de móveis e decoração, de óculos e relógios, calçados, informática, eletrodoméstico e outros. Bares e lanchonetes representam 2% dos estabelecimentos que participaram do levantamento.

A maior parte dos entrevistados, 33%, tem o negócio há mais de 20 anos e 42% estão no local entre dois e 10 anos. O público alvo foram lojistas de regiões como Av. Brasil, Rua Santos Dumont, Av. Mandacarú, Av. Pedro Taques, Av. Cerro Azul e Av. Tamandaré.

Na segunda etapa, as entrevistas foram feitas por telefone entre os dias 27 de maio e 12 de junho. Considerando o universo de 270 empresários do primeiro trimestre, a margem de erro é de 7,4% com nível de confiança de 95%. Confira a pesquisa do Sebrae/PR na íntegra.

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