Inverno mais seco não assusta agrônomos do Noroeste. Estação tem previsões de estiagem em boa parte do país

Por: - 22 de junho de 2020
Milho é uma das principais culturas do Inverno no Noroeste do Paraná / Arquivo Cocamar

Estação tradicionalmente seca, o Inverno começou oficialmente no sábado (20/6) com a previsão estiagem e temperaturas mais altas que a média em todo o país. Para a região Noroeste do Paraná, as previsões de institutos meteorológicos, como o Simepar e o Climatempo, trazem até boas notícias aos produtores rurais, uma vez que este ano existe menor possibilidade de geadas durante a estação nas microrregiões de Campo Mourão,
Cianorte, Maringá, Paranavaí e Umuarama.

A notícia é importante porque as geadas podem atrasar e até destruir lavouras inteiras. Porém, com a estiagem, para algumas culturas pode haver riscos em função da falta de água, como para as pastagens.

Os engenheiros agrônomos esperam um Inverno com chuva dentro da média histórica. Em julho, por exemplo, chove na região entre 50 e 80 milímetros.

Um estudo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e
do Abastecimento (Seab), aponta que se a estiagem for mais prolongada, a safra estadual de Inverno será prejudicada. O impacto atual é com as semeaduras dos cereais, porque a
seca se arrasta há meses.

De forma geral, as culturas estão adaptadas à estação do Inverno, com o volume menor de chuvas. No caso da laranja, por exemplo, períodos com bastante frio e sem chuvas ajudam na maturação da fruta e estimulam a próxima florada, que vem com mais vigor e bastante uniforme.

Para a Agente Fiscal da Regional Maringá do Conselho Regional de Engenharia e
Agronomia do Paraná (Crea-PR), engenheira agrônoma Rosane Scapin, que compõe
o quadro estadual do Conselho composto por cerca de 70 agentes de fiscalização, as
previsões meteorológicas são importantes porque direcionam os produtores rurais no
plantio.

“Permitem a organização dos manejos, o cuidado de determinadas doenças e
a programação das pulverizações”, destaca.

A engenheira reforça ainda que na atualidade as previsões ajudam muito, porque com informações os agricultores podem antecipar, retardar ou intensificar o plantio.

Os agentes de Fiscalização do Crea-PR verificam se existem atividades técnicas
ligadas às Engenharias, Agronomia e Geociências e solicitam ao representante da obra
ou serviço a documentação, os projetos, alvará e placas, a fim de identificar a
responsabilidade técnica pela execução, pelos projetos e demais serviços.

Diante dessas incertezas de como será o Inverno, o caminho dos produtores rurais é
cuidar bem do solo. O engenheiro agrônomo Leandro Teixeira diz que o bom manejo,
com a cobertura de palhas, braquiárias eficientes e o plantio direto correto são medidas
eficazes que reduzem a perda de água na atmosfera, problema que se acentua no
veranico.

“Se o produtor tem um bom manejo de solo, a planta aguenta ficar de 10 até
15 dias sem chuvas. Ou seja, o sistema é muito importante para enfrentar os períodos
de adversidades climáticas que teremos na estação”, ressalta.

Quanto às adversidades climáticas da região Noroeste, o engenheiro agrônomo explica
que são comuns por estarmos na região de transição do Trópico de Capricórnio. “Todos
os anos temos adversidades. A última safra de soja foi excelente, tivemos boa produtividade, mas mesmo assim alguns produtores tiveram quebra de safra e
acionaram o seguro rural. É que muitos não fizeram um bom manejo do solo”, avalia.

De acordo com o engenheiro agrônomo José Antônio Borghi, presidente do Sindicato Rural de Maringá, a chuva em excesso afeta a qualidade do grão, principalmente quando ocorrem geadas. “Se a estação for mais seca poderá prejudicar algumas atividades, mas para outras culturas, como para a maturação e secagem do milho, será benéfica”, afirma.

“A expectativa sempre é de um Inverno mais quente, sem geadas, como nos anos anteriores. Se chegarmos a meados de julho sem este tipo de ocorrência, o milho estará salvo”, ressalta.

No caso da safra verão de milho e soja, que será plantada a partir de setembro, a
perspectiva de um Inverno mais seco pode dificultar o plantio após o fim do vazio
sanitário.

“Em alguns casos o manejo de plantas daninhas se torna mais difícil, assim
como o manejo das áreas de plantio direto”, diz.

No entanto, o engenheiro agrônomo adianta que a expectativa para a safra verão é muito boa. “Os preços estão bons. Boa parte da produção futura já foi comercializada antecipadamente, aproveitando os picos de mercado. Agora só resta o produtor cuidar bem da lavoura para alcançar máxima produtividade”, considera Borghi.

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