Tema da redação do vestibular da UEM sobre uso de canudos plásticos é acessível e atual, avaliam professores

Por: - 9 de dezembro de 2019
Candidatos realizaram provas de Redação e Conhecimentos Gerais no domingo (9/12) / UEM

O assunto da redação do Vestibular de Verão 2019 da Universidade Estadual de Maringá (UEM) foi a proibição do uso de canudos plásticos. Por se tratar de uma temática atual, abordada com frequência pelos meios de comunicação e, em alguns casos discutida nas salas de aula, professores ouvidos pelo Maringá Post afirmam que os alunos não devem ter encontrado dificuldade para realizar a prova.  

Apesar do assunto geral da redação ser a proibição do uso de canudos plásticos, o comando da prova trouxe informações que definiram qual caminho os candidatos deveriam seguir para produzir o texto.

A proposta pedia que o candidato se posicionasse como morador da cidade fictícia chamada Mundolândia, onde a Câmara Municipal discute o projeto de lei “Canudo Zero”, que proíbe o uso de canudos plásticos em estabelecimentos como lanchonetes e bares.    

O candidato deveria se posicionar como um estudante consciente das questões ambientais e redigir uma carta aberta, destinada aos vereadores da cidade. No texto, ele precisava dizer se era contra ou a favor do projeto de lei que proíbe o uso de canudos plásticos.

A carta aberta seria publicada no jornal Folha de Mundolândia e o objetivo do texto era influenciar a decisão da Câmara e a opinião pública da cidade sobre o assunto.

O primeiro texto de apoio do vestibular foi adaptado do site da Revista Exame e traz a notícia de que o Rio de Janeiro foi a primeira capital brasileira a proibir canudos plásticos. O segundo texto também é jornalístico e foi retirado do site do jornal Estado de S. Paulo. A notícia apresenta opiniões de especialistas sobre o tema.

Por último, o comando apresenta uma charge que ironiza o comportamento de quem não usa canudo, mas continua consumindo plástico. As provas de Redação e Conhecimentos Gerais foram aplicadas no domingo (8/11). Nesta segunda-feira (9/12), os candidatos realizam as provas de Língua Portuguesa, Literaturas em Língua Portuguesa, Língua Estrangeira e Conhecimentos Específicos.  

Professores ouvidos pelo Maringá Post afirmam que a questão ambiental abordada no vestibular da UEM não está distante do que foi discutido no cenário nacional em 2019. Além disso, o assunto meio ambiente apareceu na terceira fase do Processo de Avaliação Seriada (PAS) da UEM deste ano, que trazia como temática geral o uso de agrotóxicos. 

“Ao cobrar como temática a proibição do uso de canudos plásticos, a banca elaboradora da UEM trouxe para o vestibular uma discussão sobre essa questão ambiental tão atual, contextualizada com a realidade do candidato, o que, certamente, contribuiu para uma execução tranquila da redação”, avalia a professora de redação do ensino médio e do curso pré-vestibular do Colégio Integral, Franciele Falavigna.

Segundo a professora, além de cumprir o gênero textual e não fugir do tema, o aluno precisava se atentar a outros aspectos como o uso do município fictício e a assinatura no texto. A proposta de redação não exigia assinatura, mas se desejasse, o candidato só poderia assinar como Custódio ou Custódia. Outro ponto que pode ter causado dúvida entre os candidatos é o interlocutor.

“O gênero textual cobrado, carta aberta, apontava como destinatários os vereadores da cidade Mundolândia e solicitava o posicionamento do emissor em relação ao projeto de lei “Canudo Zero” a fim de influenciar a decisão da Câmara. Por ser uma carta veiculada publicamente, no jornal Folha de Mundolândia, e tratar de um assunto de interesse comum, [precisa influenciar] a opinião pública também”, explica.

O professor de redação do ensino médio do Colégio Dom Bosco, Gelson Martins de Souza, diz que a temática escolhida é relevante para o atual contexto social e que o comando foi acessível para os alunos.

“No geral, o tema não foi difícil, foi um tema que já tem discussões sociais sobre isso. Mas, às vezes, as pessoas podem ter passado pela temática e não deram uma importância significativa a ela”.

A professora do Colégio Platão, Lu Oliveira, também afirma que o comando e os textos de apoio foram bem elaborados, o que ajuda o aluno a entender melhor a finalidade do texto. Ela avalia que a proposta foi “acessível” para os candidatos, mas explica que os alunos precisam ter interpretado bem o comando para não fugir da temática.

“A carta aberta é um gênero argumentativo, em que ele tem que se posicionar sobre o tema. Os textos de apoio trazem abordagens distintas, mas ele precisa se posicionar contra ou a favor do projeto de lei. Não é sobre o uso de canudos de plástico, ele precisa se posicionar em relação ao projeto de lei que proíbe o uso de canudos plásticos onde mora”, diz a professora.

Lu Oliveira explica como o candidato poderia ter se posicionado durante o texto. “O estudante poderia usar o argumento que mesmo [que a proibição do uso de canudos plásticos] não seja um fator decisivo, é preciso começar. Além da aprovação do projeto, o município tem que continuar com outras ações para preservar o meio ambiente”.

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