Relatório da UniCesumar confirma contaminação por produtos químicos nos lagos do Parque do Japão

Foram encontrados os elementos tolueno, hexano e hexeno, solventes presentes em detergentes, óleos, tintas e outros.

  • A conclusão da análise feita pelos professores do programa de pós-graduação em Tecnologias Limpas da UniCesumar aponta que houve contaminação externa no maior lago do Parque do Japão, onde quase 600 carpas foram mortas desde o último final de semana de maio. Foram encontrados os elementos tolueno, hexano e hexeno, solventes presentes em detergentes, óleos, tintas, colas de sapateiro, combustíveis e outros. 

    Segundo o relatório final, que foi enviado à Prefeitura de Maringá nesta quarta-feira (10/7), a concentração mais elevada é de tolueno. Fiscais da Secretaria do Meio Ambiente fizeram uma varredura nos arredores, mas não teriam identificado as fontes da contaminação.

    “O estudo feito pelos professores da UniCesumar deixam claro que houve contaminação externa, tanto na água quanto no solo, porque esses elementos não são de lá”, reforçou a diretora da Secretaria de Serviços Públicos (Semusp) e do Parque do Japão, Maria Ligia Guedes, que disse que era possível ver o óleo a olho nu antes do lago ser esvaziado.

    Segundo ela, os dois lagos maiores estão praticamente secos. “Retiramos quase 100% de toda a parte contaminada com a máquina. Agora, estamos fazendo um trabalho manual dentro dos lagos. Enquanto isso, as carpas estão no lago superior”, explica.

    Paralelamente, a Secretaria de Serviços Públicos (Semusp) está construindo um lago de transbordo, uma espécie de piscinão que vai abrigar temporariamente as carpas enquanto os três lagos do parque são higienizados e impermeabilizados. A área, que fica em frente a estufa de plantas, tem cerca de 130 m² e 1,5 metro de profundidade. 

    A expectativa da prefeitura é que o lago de transbordo fique pronto na próxima semana, e que em cerca de dez dias, todas as carpas estejam no local. A transferência dos peixes vai ser feita pela equipe de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM).

    “Vamos encher o lago de transbordo com água do poço artesiano e transferir as carpas para poder fazer a limpeza também no lago menor, onde elas estão agora. Temos que deixar o espaço [lago de transbordo] adequado para o habitat delas, para que não cause estresse e estranheza”, enfatiza Maria Lígia.

    Quando os três lagos do Parque do Japão estiverem totalmente limpos, eles também vão receber filtros nas nascentes e aeradores para prevenir novos incidentes no futuro.

    “Toda a água que vier das minas ou do lençol freático vai passar por esses filtros. Da nossa parte, enquanto prefeitura, a preocupação é evitar que isso volte a atingir o parque. Ele está situado em uma área com comércios, indústrias e condomínios em volta, ou seja, o que aconteceu agora pode voltar a acontecer, porque é algo de fora para dentro”, acrescenta a diretora do parque.

    Se não chover, a expectativa da prefeitura é que a situação do Parque do Japão seja normalizada até a primeira quinzena de agosto, com filtros devidamente instalados nas nascentes e com todas as carpas de volta, redistribuídas nos três lagos. 

    Posteriormente, o lago de transbordo será utilizado como reserva. “Os filtros são uma prevenção, mas se acontecer de novo já temos um local para rapidamente retirar as carpas. Além disso, temos carpas para estudos genéticos, então vamos utilizar esse lago de transbordo para isso, caso seja necessário separar as espécies para desova”, conta Maria Lígia. 

    Das que sobreviveram, cerca de 50 carpas (matrizes) vão ser transferidas para a unidade de pesquisa de peixes mantida pela UEM em Floriano, que está fazendo a melhoria genética das carpas, por meio de reprodução assistida.

     

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