Movimentos sociais organizam protesto contra reforma da previdência e pelos direitos das mulheres nesta sexta em Maringá

Por: - 7 de março de 2019
Fachada da Agência da Previdência Social de Maringá / Street View / julho 2017 ©Google 2019

Sindicatos e outros grupos ligados aos movimentos sociais organizam protesto contra a reforma da previdência proposta pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL) nesta sexta-feira (8/3) em Maringá. A manifestação vai ocorrer em frente ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na Avenida XV de Novembro, a partir das 9h, e também lembra a luta pela igualdade feminina no Dia Internacional da Mulher.

Em todo o Brasil, também foram marcados atos contra a reforma da previdência. O texto que altera as regras da aposentadoria é a principal aposta da equipe econômica de Bolsonaro para ajustar as contas públicas no país. Entre as mudanças, a idade mínima passa a 62 anos para mulheres e 65 para homens. Os beneficiários também vão ter que contribuir por no mínimo 20 anos para se aposentar. Atualmente, são 15 anos.

Segundo a professora e coordenadora da ONG Maria do Ingá – Direitos da Mulher, Tânia Tait, os grupos sociais decidiram unir o protesto contra a reforma da previdência com os atos do Dia Internacional da Mulher por acreditarem que as mulheres serão afetadas de forma negativa pela proposta do governo.

“Além de aumentar o número de anos trabalhados, a reforma não leva em conta que elas são as que mais saem do mercado de trabalho durante a vida produtiva para cuidar dos filhos e da família. Como as mulheres não conseguem tem um grande período de produtividade, isso faz com que o tempo de contribuição seja menor”, afirmou Tânia.

Outro ponto levantado pela coordenadora da ONG Maria do Ingá é o trecho da proposta que reduz o valor do Benefício de Prestação Continuada (BPC) pago aos idosos mais pobres de R$ 998 para R$ 400. Hoje, o BPC é pago para idosos a partir dos 65 anos, mas com a proposta passaria a 60 anos e chegaria ao valor de um salário mínimo apenas para quem tivesse 70 anos.

Pela proposta, só receberão o benefício os idosos que comprovem miserabilidade e que não tenham patrimônio superior a R$ 98 mil. “A maioria das pessoas que recebe esse auxílio são mulheres que ficaram de fora do mercado de trabalho e quando chegam na velhice ficam em situação de vulnerabilidade”, disse Tânia Tait.

O protesto é organizado pelo Fórum Maringaense de Mulheres, Marcha Mundial de Mulheres, Frente Brasil Popular e a Frente Ampla Democrática. Algumas entidades maringaenses como o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, a ONG Maria do Ingá – Direitos da Mulher e o Sindicato dos Servidores Municipais de Maringá (Sismmar) também manifestaram apoio ao ato.

Para ser aprovada, a reforma na Previdência precisa dos votos de pelo menos 308 deputados em dois turnos antes de seguir para o Senado. Antes do texto final do governo chegar na Câmara, o Maringá Post procurou os deputados federais eleitos por Maringá para saber o posicionamento de cada um deles sobre a reforma.

Na ocasião, os deputados Ricardo Barros (PP), Sargento Fahur (PSD) e Luiz Nishimori (PR) afirmaram que são favoráveis a mudanças nas regras previdenciárias, mas que tudo iria depender do teor da proposta do governo. Enio Verri (PT) disse ser contra.

Tem uma dica de notícia? Fez alguma foto legal? Registrou um flagrante em vídeo? Compartilhe com o Maringá Post, fale direto com o whats do nosso editor-chefe.