Multas da Prefeitura de Maringá a GT Foods ultrapassam R$ 3,2 milhões. Caso de mau cheiro e descarte de dejetos

Por: - 21 de fevereiro de 2019
Vista aérea da planta industrial da GT Foods em Maringá / Divulgação

A Secretaria de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal (Sema) multou a GT Foods em R$ 2 milhões por causa do descarte de rejeitos do abatedouro de aves em área a céu aberto, próxima ao Córrego Bandeirantes do Sul.

É a terceira multa aplicada à empresa nas últimas semanas. A Sema também multou a GT Foods em R$ 200 mil por causa do mau cheiro da fábrica de ração e o Procon aplicou uma multa de R$ 1,034 milhão também devido ao mau cheiro. No total, passa de R$ 3 milhões o valor das multas aplicadas pela Prefeitura de Maringá.

Sobre o descarta de rejeitos pela empresa, o secretário de Meio Ambiente, Marcos Zucoloto, informou que a prática está em desacordo com a autorização do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) concedida a GT Foods.

A empresa está autorizada a armazenar até 13 milhões de quilos de rejeitos em um terreno que fica a 60 metros do córrego, mas alguns pontos do acordo não eram cumpridos.

“Existem alguns condicionantes de que a empresa deveria fazer a neutralização do mau cheiro e a retirada do material a cada 15 dias. A empresa foi multada por não estar cumprindo esses condicionantes”, disse o secretário.

Outra exigência que a empresa tinha de cumprir, segundo a autorização, era a aplicação diária de cal sobre os rejeitos. Segundo Zucoloto, a Sema monitora a empresa há mais de 15 dias.

Agora, a GT Foods tem cinco dias para apresentar laudo do material que está armazenado e 15 dias para retirar os rejeitos do local. A empresa também deve retirar uma tubulação que passa por cima do córrego. Fiscais da Sema constataram que os canos têm várias emendas que podem ocasionar vazamentos dos rejeitos na água.

Marcos Zucoloto afirmou que, por enquanto, não é possível afirmar se houve dano ambiental no local onde os rejeitos foram descartados. “Assim que a empresa apresentar os laudos, a Secretaria de Meio Ambiente vai fazer a contra prova e, caso seja detectado algum dano, a multa pode ser maior”, afirmou.

A empresa tem 30 dias para apresentar defesa, porém, o secretário de Meio Ambiente disse acreditar que será difícil reverter a decisão. “Eles têm um prazo legal para recorrer, porém é uma questão consolidada. Não tem nada a ver com a licença, mas por não estarem cumprindo uma condicionante. Acredito que dificilmente terão como ganhar”.

A Prefeitura de Maringá, por meio da Sema, também havia decidido multar a empresa em R$ 200 mil no começo de fevereiro. O valor é a soma de quatro multas diárias de R$ 50 mil aplicadas por causa de irregularidades encontradas no abatedouro. Na ocasião, a Sema também notificou 20 empresas que seriam responsáveis pelo mau cheiro relatado por moradores de vários locais da cidade.

O Maringá Post entrou em contato com a assessoria de imprensa da GT Foods que afirmou que iria se posicionar por meio de nota. Até o fechamento da reportagem, a empresa não enviou nenhum comunicado, mas o espaço fica aberto para manifestações.

Em nota o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informou “que a autorização da área de despejo de resíduos da GT Foods será cancelada e iniciado um novo processo de análise, tendo em visto que as atividades vêm sendo executadas de maneira irregular, trazendo problemas para a população e para o meio ambiente”.

Veja a galeria de fotos do descarte irregular que foram divulgadas pela Secretaria de Meio Ambiente e Bem-Estar Animal (Sema).

  • Reportagem atualizada às 16h32 com a nota de esclarecimento do Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

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