Câmeras de segurança registram acidentes impressionantes em Maringá. Será que imagens ajudam a conscientizar? Assista aos vídeos

Por: - 9 de novembro de 2018
Capotamento na PR-317. Três jovens quase são atingidos pelo carro / Reprodução

Nas três últimas semanas, cinco acidentes impressionantes em Maringá puderam ser vistos e revistos muitas vezes porque foram registrados por câmeras de segurança. As imagens foram mostradas em programas de televisão e na internet, mas foi por meio das redes sociais, principalmente pelo aplicativo WhatsApp, que elas viralizaram.

No dia 19/10, quase na hora do almoço, um carro em alta velocidade bateu violentamente contra um muro na Avenida Kakogawa, esquina com a Rua Almerinda Silveira Coelho, marginal do Contorno Norte. No veículo estava um casal. O motorista ficou gravemente ferido e a namorada, no banco do passageiro, morreu no hospital. A causa do acidente permanece sem explicação.

No dia 29/10, durante a madrugada, por volta de 3 horas da manhã. Um caminhão furou o sinal vermelho na Avenida Colombo. O veículo atingiu e arrastou por alguns metros um carro. O motorista foi socorrido e encaminhado ao hospital com ferimentos considerados graves.

No dia 31/10, por volta das 13h, na mesma Avenida Colombo, um carro cruzou o sinal vermelho e acertou um carro e uma moto. O motociclista de 64 anos trabalhava como motoboy, chegou a ficar internado, não resistiu e morreu. Familiares e amigos protestaram no local do acidente por providências e justiça.

No dia 5/11, uma imagem chocante foi registrada na PR-317, saída para Floresta. Logo cedo, por volta das 7h30, um carro perdeu o controle e atingiu o veículo da frente que foi lançado ao outro lado da rodovia. Depois de bater, o carro causador do acidente capotou e parou em cima de três jovens que esperavam para atravessar a pista. Ninguém ficou ferido.

O caso mais recente foi nesta quinta-feira (8/11). Durante a madrugada, um carro tentou fazer uma conversão proibida na Avenida Colombo. O veículo bateu em dois carros e um deles capotou. O causador do acidente fugiu do local sem prestar socorro. O motorista do carro que capotou teve apenas ferimentos leves.

Pelo menos 17 pessoas se envolveram nesses cinco acidentes impressionantes em Maringá e duas vítimas morreram após o encaminhamento ao hospital.

O secretário de Mobilidade Urbana, José Gilberto Purpur, acredita que vídeos como esses podem despertar nas pessoas a consciência do que pode acontecer no trânsito, mas ele não acredita em mudança de comportamento. “A adoção de novos comportamentos é algo demorado e que só ocorre de maneira gradativa”, reflete.

Desde fevereiro, Maringá tem 40 radares fixos para controle de velocidade e outros 38 instalados em semáforos para registro de avanços de sinal vermelho. No total, os dispositivos registraram até setembro 133.011 multas por velocidade acima do permitido e outras 46.208 por falta de respeito ao sinal fechado.

Para Purpur, está na hora de retomar as fiscalizações pontuais feitas em conjunto com a Polícia Militar. “Acredito que só com as blitz podemos retirar de circulação aqueles motoristas com a carteira cassada e que continuam dirigindo e cometendo infrações”, diz. Ele conclui afirmando que as fiscalizações noturnas também devem voltar, inclusive com o uso de bafômetros.

Efeito psicológico dos vídeos

De janeiro a setembro de 2018, 35 pessoas morreram em acidentes de trânsito ocorridos dentro do perímetro urbano de Maringá, segundo a secretaria de Mobilidade Urbana (Semob). O número que deve aumentar para 37 considerando os acidentes citados na reportagem que ocorreram depois desse período. A maior parte das vítimas que perderam a vida nos acidentes tem de 20 a 50 aos.

Para a psicóloga Josiane Constantinov, que trabalha a psicologia sistêmica e familiar, os vídeos com imagens chocantes de acidentes podem lembrar às pessoas que ninguém é infalível. “Para quem tem empatia com a dor do outro, essas imagens mostram que as tragédias podem acontecer com qualquer um. Tem muita gente que dentro de um carro se sente blindado e sabemos que não é bem assim”, diz.

Ela explica que o compartilhamento desses vídeos pode ser doloroso para a família que perde alguém no acidente, mas que as imagens podem servir de alerta aos distraídos. “Hoje estamos muito expostos à tecnologia, temos muitas pressões para lidar ao mesmo tempo e, em uma vida corrida, qualquer um pode ter um momento de extrema distração e causar um grave acidente”, acredita.

A psicóloga compara o efeito dos vídeos às fotos estampadas em maços de cigarros, que mostram doenças causadas pelo fumo e têm o objetivo de conscientizar. Para ela, o importante é saber respeitar a dor das vítimas e dos que causam os acidentes. “Todos estamos sujeitos a se envolver ou causar acidentes de trânsito e mesmo errados, os causadores são humanos. Como meros espectadores, não nos cabe julgar”, conclui.

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