Abrir ou fechar as fronteiras com a Venezuela? Esse é o tema da roda de conversa neste sábado em Maringá, que é aberta à comunidade

Por: - 20 de setembro de 2018
Associação de Estrangeiros de Maringá atende cerca de 900 refugiados da cidade e região (Imagem/Aerm)

De 600 a 700 venezuelanos entram diariamente pela fronteira com o Brasil, para tentar fugir da crise econômica e política do país governado por Nicolás Maduro. Segundo o governo brasileiro, de 20% a 30% deles permanecem no país. Qual seria a saída para essa situação? “Abrir ou fechar as fronteiras?” é o tema que será tratado neste sábado (22/9).

Para discutir e contextualizar os motivos que levam os venezuelanos a deixarem a terra natal, a Associação de Estrangeiros Residentes na Região Metropolitana de Maringá (Aerm) realiza neste sábado uma roda de conversa no campus da Pontifícia Universidade Católica (PUC). A inscrição é gratuita e pode ser feita preenchendo o formulário neste link.

Representantes da sociedade civil e do poder público devem participar. Para o presidente da Aerm, Érick Pérez, a ideia é que todos participem da discussão e decidam, após a roda de conversa, se as fronteiras devem ser abertas ou fechadas. Segundo ele, cerca de 30  venezuelanos chegaram em Maringá independentes das ações governamentais.

Pérez também é venezuelano. Veio com a mulher e os três filhos há três anos. Para ele, não basta apenas o país abrir as fronteiras: “Além de abrir as fronteiras organizadamente, o governo deve exercer sua influência na região e pressionar o governo venezuelano a enfrentar a situação”.

Na sua opinião, “o Brasil tem poder de pressão política e condições de cuidar das pessoas que vêm para cá e de quem ficou por lá”. Em agosto, cerca de 1,2 mil venezuelanos deixaram o Brasil após moradores de Pacaraima, município de Roraima, expulsarem os estrangeiros das barracas e atearem fogo nos pertences dos refugiados.

O motivo da confusão teria sido um assalto sofrido por um comerciante local que, supostamente, teria sido cometido por venezuelanos. A confusão também levantou discursos nas redes sociais pedindo o fechamento das fronteiras. Como venezuelano, o Pérez disse que se sente “responsável” por situações como essa”.

Na visão dele, casos como esse ocorrem por medo e desconhecimento. “Eu me sinto responsável porque não teve ninguém para orientar e integrar as partes. Se a gente tivesse feito alguma coisa, isso não ia acontecer. Isso não é culpa dos brasileiros ou dos venezuelanos, mas daqueles que viram e não fizeram nada”, afirmou.

Maringá está preparada para os venezuelanos?

No fim de agosto, mais de 60 venezuelanos foram transferidos para Goioerê, a 160 km de Maringá, pelo governo federal. Segundo o presidente da Aerm, “Maringá tem grande potencial de acolhimento para receber grupos de venezuelanos”. Porém, ele entende que é preciso organizar as iniciativas e criar um plano de acolhimento.

Segundo o Núcleo de Migração e Imigração (Numig) da Polícia Federal, até maio deste ano Maringá tinha 5.562 imigrantes. De acordo com Érick Pérez, que também é missionário da 2ª Igreja Presbiteriana Independente de Maringá, “o acolhimento dos refugiados não foi feito pela prefeitura e pelas organizações do terceiro setor, mas pelas igrejas de Maringá”.

O presidente da Aerm também fez um chamado para o poder público: “Estamos chamando o poder público para nos procurar, para que o que aconteceu em Pacaraima não aconteça aqui. Nós temos propostas, feitas por venezuelanos e imigrantes, para que a nossa cidade possa tratar essa situação de uma forma eficiente e amorosa”.

Em meio à crise, Nicolás esnoba na Turquia

Enquanto o país enfrenta uma grave e complexa crise econômica e social, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, foi filmado em um restaurante caro comendo carne e fumando charuto. O restaurante em Istambul, na Turquia, é do renomado chef Salt Bae, que já atendeu celebridades como Maradona e atores de Hollywood.

Para o presidente da Aerm, a atitude de Maduro causa mais indignação na Venezuela.“Em um país que se chama socialista, que fala que todas as pessoas são iguais, mas que 7% da população já foi forçada a sair pela fome e falta de remédio, isso causa mais revolta nas pessoas que estavam pensando em ir embora e, que agora, vão decidir ir mesmo”, disse.