Capitão da PM passa por situação marcante quando se dirigia para uma operação policial e salva adolescente de suicídio

Por: - 12 de julho de 2018
Selfie do capitão Alexandro, feita na manhã desta quinta-feira (12/7), a pedido do Maringá Post. Veio acompanhada do recado: "A 'lata' não melhora. E confesso que os contatos que estão fazendo comigo após o texto têm contribuído pro olho vermelho"

Na manhã desta quinta-feira (12/7), o comandante da PM de Sarandi, capitão Alexandro Marcolino Games, quando se dirigia para o ponto de encontro marcado para deflagrar uma operação conjunta com a Guarda Municipal, passou por uma inesperada situação que certamente marcará sua vida.

Em 20 anos de serviço na Polícia Militar do Paraná, eu ainda não tinha passado por isso. E olha que já vi coisa por aí! Então decidi compartilhar, não pra me gabar, mas porque entendo ser necessário e preocupante.

Foi assim que o capitão iniciou seu relato, que postou no grupo de WhatsApp que a PM mantém com jornalistas da região que cobrem a área policial.

Hoje por volta de 7h35min, quando estava me deslocando para o trabalho, percebi que no ponto mais alto do viaduto da Avenida Guaiapó, em Maringá, havia uma mulher gritando com alguém e quando olhei pro outro lado da via, vi uma pessoa sentada no alto do alambrado.

Se tratava de uma adolesce de 14 anos, com uniforme de um colégio estadual, que estava com as pernas para o lado de fora do parapeito e de costas as vias da Guaiapó.

 – Acelerei e fiz a volta rapidamente, desci da viatura, pulei a proteção de concreto e me lancei no alambrado pra segurar a pessoa que já estava iniciando a queda, puxando-a para baixo! Pra mim, foi algo de Deus eu ter escolhido ir por aquele caminho hoje, pois não é o meu trajeto habitual.

O capitão parou a viatura atrás da menina, que não percebeu sua aproximação, pois “sua mente não estava ali, estava longe, aérea”. Ele conseguiu segurá-la pela mochila e pela blusa.

Uma adolescente de 14 anos estava decidida, ou ainda está, a tirar a própria vida. Totalmente reticente em dizer seu nome, onde mora ou qualquer outra informação a seu respeito. Apenas estava revoltada por eu tê-la impedido em seu ato.

A mulher que gritava e chamou a atenção do capitão, vendo que a situação estava sob controle, deve ter seguido seu caminho, pois não foi mais vista por ali. A menina se mostrou reticente, arredia e repetiu várias vezes “se eu estiver viva até lá”.

– Aos poucos fomos conversando e ela foi se acalmando. O apoio do Siate e Samu chegou no local, pois alguém deve ter ligado. Havia médica e enfermeiras que ficaram no local atendendo a adolescente, juntamente com uma equipe policial militar com uma policial feminina que solicitei.

A conversa que manteve com a garota fez o capitão repensar no comportamento social da juventude e na vida em família:

Com base na breve conversa que tive com a adolescente, entendi que ela compõe a geração que simplesmente não consegue lidar com frustrações, mesmo ela negando que estava ali por conta de namorado ou coisa do gênero. Entendi também que a instituição família (dela) não funciona de acordo e isso pode ter gerado a vontade e decisão ao suicídio.

Também chegou a algumas conclusões:

Conclui que devemos ficar alertas com nossas crianças e adolescentes no sentido de ensiná-los ao máximo a lidar com as frustrações que são inerentes à vida. Nunca teremos tudo que desejamos, por mais que tenhamos condições pra isso. Cabe aos pais detectarem esses problemas e buscarem ajuda especializada pra chegarem nas soluções e manterem seus filhos consigo. Ensinar alguém a ser feliz não é tarefa fácil, mas é nossa obrigação tentar.

E, por fim, expressou sua gratidão no texto que fez assim que chegou ao quartel:

Agradeço a Deus por ter me dado essa oportunidade de evitar algo irreversível na vida de alguém e faço votos que essa adolescente perceba a segunda chance que recebeu hoje e encontre sua felicidade.

Em Maringá, segundo dados da Vigilância Epidemiológica da secretaria municipal de Saúde, apenas neste ano, até o dia 23 de maio, foram notificadas 200 tentativas de suicídio, sendo 150 por jovens e adultos do sexo feminino. Mas sabe-se que os números podem ser dez vezes maiores.

Com o sinal de alerta ligado, a secretaria de Saúde vem intensificando os trabalhos do Comitê de Prevenção e Posvenção do Suicídio. Um trabalho importante também é feito por voluntários do Centro de Valorização da Vida, o CVV, que mantém atendimento 14 horas por dia, por meio do 141 e 188.

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