Novo equipamento da UEM realiza diagnóstico de tuberculose em apenas duas horas, método antigo levava 60 dias. Vai atender 69 municípios

Por: - 26 de março de 2018
Equipamento GeneXpert já está funcionando na UEM e atende as regionais de saúde Maringá, Cianorte e Paranavaí / ASC-UEM

A Universidade Estadual de Maringá (UEM) recebeu um novo equipamento para diagnóstico da tuberculose que é capaz de apresentar o resultado em 2 horas. O tempo é bem menor do que o método anterior, que demora cerca de 60 dias. O exame é oferecido para diagnóstico de pacientes de 69 municípios das regiões de Maringá, Cianorte e Paranavaí.

O GeneXpert, nome do equipamento, foi financiado pelo Ministério da Saúde em parceria com a Regional de Saúde de Maringá e foi encaminhado para o setor de bacteriologia do Laboratório de Ensino e Pesquisa em Análises Clínicas, o Lepac. A manutenção é de responsabilidade do governo do Paraná.

Já em funcionamento, é possível ter o resultado de até 20 exames por dia, a partir de material coletado nas unidades básicas de saúde (UBS) das regionais de Maringá, Cianorte e Paranavaí, e encaminhado pelas secretarias municipais.

Março é o mês do dia Mundial de Combate à Tuberculose, definido pela Organização Mundial da Saúde, em 1982, em alusão aos 100 anos da identificação da bactéria causadora da doença, que aconteceu em 24 de março de 1882.

Aparelho detecta DNA da bactéria da tuberculose

A supervisora do setor de exames laboratoriais do Lepac, a professora doutora Regiane Scodro, explicou que o GeneXpert faz a análise em tempo real da amostra e, a partir disso, é capaz de identificar o DNA da bactéria da tuberculose.

“Com o código genético podemos não só diagnosticar a doença, mas também apontar a resistência da bactéria aos medicamentos do tratamento. Isso aumenta a sensibilidade e a confiança no resultado do diagnóstico – além de ser muito mais rápido.”

A equipe do Lepac participou de um treinamento em Curitiba no final de 2017 para poder operar o GeneXpert. O fluxo da máquina é de 4 amostras a cada ciclo de 2 horas e, para casos de emergência, há uma cota extra especifica.

O equipamento novo, apesar de apontar mais rapidamente o diagnóstico, não é eficiente para acompanhar o controle da doença durante o tratamento. Para isso, ainda é preciso ser feito o exame tradicional, a baciloscopia.

“Na observação da quantidade de bactérias durante o tratamento é necessário o método tradicional. Sabendo que o paciente tem a doença, o resultado final não muda, vai ser sempre positivo, mesmo que em estágios diferentes da doença”, esclareceu a professora.

Recomendação é de tratamento rigoroso

De acordo com dados do Ministério da Saúde, são cerca de 70 mil casos no Brasil todos os anos e mais de 4 mil mortes. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente vacinas de prevenção e também o tratamento da doença.

A professora Regiane Scodro destaca que a tuberculose é uma doença curável, mas é necessário seriedade no tratamento, que dura no mínimo seis meses. “O tratamento precisa ser rigoroso”, recomendou.

“Muitas pessoas param o tratamento depois de dois meses e, com isso, as bactérias que estão no organismo acabam desenvolvendo uma resistência maior. Isso dificulta a retomada do tratamento e torna novas infecções mais perigosas”, alertou a professora.

Os sintomas são tosse seca por mais de três semanas, febre vespertina, sudorese noturno e cansaço e, nesses casos, deve ser procurada uma unidade de saúde para atendimento. Nesses casos, deve ser procurada a unidade de saúde mais próxima.

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